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Política

Ex-nora de Lula, investigada por desvios no MEC, visitou gabinete de Camilo Santana

Segundo a PF, Carla Ariane integraria um grupo de cinco pessoas envolvidas em lobby para liberar verbas federais a municípios paulistas

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O esquema teria se intensificado depois das eleições de 2022 | Foto: Luis Fortes/MEC

Documentos oficiais indicam que Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entrou no Ministério da Educação (MEC), em Brasília, para uma reunião com o ministro Camilo Santana (PT-CE) em 12 de julho de 2024.

O jornal Metrópoles obteve registros de entrada através da Lei de Acesso à Informação (LAI) que confirmam a visita — que não apareceu na agenda pública do ministro. Nos documentos, o campo “referência de cargo” traz “Presidente Lula”, embora Carla não ocupe nenhum cargo oficial no governo.

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No dia da visita, Camilo Santana desembarcou na capital federal vindo de Fortaleza e participou, durante a manhã, de evento no Hospital Universitário de Brasília.

O compromisso se encerrou por volta das 11h, permitindo sua presença no ministério no horário do encontro com Carla Ariane.

Na última quarta-feira 12, a Polícia Federal (PF) realizou uma operação que teve Carla como um dos alvos, investigando sua suposta colaboração em um esquema de desvios de recursos da educação em cidades do interior paulista.

PF investiga a ex-nora de Lula por lobby no MEC

Dentre as suspeitas apuradas pela PF, Carla Ariane integraria um grupo de cinco pessoas envolvidas em lobby para liberar verbas federais a municípios paulistas.

As investigações apontam que parte desses recursos ia para a Life Tecnologia Educacional, empresa que fornecia equipamentos para redes municipais e apresentava indícios de superfaturamento nos contratos.

Na decisão judicial que autorizou a operação, a juíza Raquel Coelho Dal Rio Silveira, da 1ª Vara Federal de Campinas, citou Carla Ariane e o lobista Kalil Bittar como pessoas “com alegada influência no governo federal”.

Leia também: “A BBC mentiu. A Globo governa”, artigo de Flávio Gordon publicado na Edição 296 da Revista Oeste

Kalil Bittar já foi sócio de Luís Cláudio Lula da Silva, filho do presidente. Segundo a PF, André Mariano, proprietário da Life, seria o articulador do pagamento de propina a servidores públicos e lobistas, além de financiar duas viagens de Carla a Brasília.

Carla foi casada por 20 anos com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho mais velho do presidente.

Ela teria conhecido André Mariano por meio do secretário municipal de Hortolândia, Fernando Gomes Moraes, e de Kalil Bittar.

A PF afirma que Fernando intermediava encontros entre Mariano e Carla, e que, posteriormente, licitações municipais eram direcionadas à Life.

O período em que Carla se reuniu com o ministro da Educação coincide com o momento em que, segundo a investigação, ela atuava de forma mais intensa no esquema.

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O inquérito, no entanto, não esclarece qual seria sua real influência junto ao governo federal ou se recebeu vantagens ilícitas de Mariano.

Para a PF, “a dinâmica dos agendamentos muitas vezes demonstra que Carla defende os interesses privados de Mariano junto a órgãos públicos, principalmente na busca por recursos e contratos”.

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, o esquema teve início em 2021 e envolvia três núcleos: a Life Tecnologia, representada por Mariano, agentes públicos e doleiros.

Mariano supostamente criava demandas nos municípios, influenciava processos de compra e vencia licitações por meio de fraudes, pagando propina para assegurar contratos superfaturados — livros adquiridos por R$ 5 eram revendidos a R$ 80, valor até 35 vezes acima do mercado.

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Secretários municipais, como Cafu César e Fernando Gomes de Moraes, seriam os responsáveis por facilitar as vitórias da Life, assinando atas de registro de preços e acelerando pagamentos.

O esquema teria se intensificado depois das eleições de 2022, com Mariano buscando fortalecer sua atuação em cidades governadas pelo PT e recorrendo a intermediações de Carla Ariane.

1 comentário
  1. Paulo Sérgio Gusson
    Paulo Sérgio Gusson

    Se fosse no governo Bolsonaro seria a maior putaria e teria canalha pedindo 24 hrs para Bolsonaro se explicar

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