O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva discute formas de reagir às recentes derrotas no Senado, principalmente diante da rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). O desconforto ocorre sobretudo com o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP).
Segundo apurou Oeste, enquanto parte da base do governo defende o mapeamento das “traições” para futuras reações, outro grupo tenta conter danos e melhorar a relação com os parlamentares. A principal suspeita de infidelidade, segundo petistas, recai sobre o MDB, partido que ocupa ministérios e cargos estratégicos no governo.
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Nos bastidores, governistas passaram a classificar a decisão como “injusta” e a cobrar explicações. Em público, a palavra de ordem é minimizar a derrota. Internamente, contudo, a avaliação é que o Senado enviou um recado político a Lula.
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Governo entende recado político do Senado
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), admitiu a necessidade de o Planalto aceitar o resultado, mas afirmou que os senadores contrários à indicação de Messias “devem explicações”.
Já o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), reconheceu o recado político da derrota, mas tentou minimizá-la. Disse tratar-se de um episódio pontual e lembrou que o governo acumula outras vitórias.
Logo depois do resultado, Lula reuniu Messias, Guimarães, José Mucio e Wagner no Palácio do Planalto. Segundo relatos, o encontro serviu para consolar o derrotado e discutir possíveis respostas. Entre as hipóteses, está a demissão de indicados ligados a Alcolumbre que ocupam cargos no governo. Lula, no entanto, optou pela cautela diante do risco de ampliar a crise.
Interlocutores do presidente disseram a Oeste que Lula deve fazer uma nova indicação ao STF antes das eleições. No entanto, destacam que o petista descarta o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), escolha de Alcolumbre.
Embora o escândalo que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tenha sido apontado como um dos fatores para a rejeição de Messias, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que o caso do Banco Master e seus desdobramentos no Parlamento não influenciaram o resultado da sabatina. Ele atribuiu a derrota a fatores políticos e ao ambiente desfavorável no Senado. Disse que, “depois de dois governos fracos, o de Michel Temer (MDB) e o de Jair Bolsonaro (PL), o Parlamento ganhou força”.
“Sabíamos das dificuldades, mas insistimos”, afirmou Randolfe, ao se referir a Messias. “Naquele momento, retirar o nome seria uma derrota maior para a reputação de Messias. Avaliamos que ainda era possível aprová-lo, apesar do cenário desfavorável. Não culpo uma ala ou outra, nenhum representante.”
O plenário do Senado rejeitou a indicação de Messias para o STF por 42 votos a 34.
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