A expectativa pela ampliação do prazo da CPMI do INSS ganhou força nos bastidores do Congresso. Segundo o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), demonstrou disposição para estender os trabalhos — desde que a comissão consiga todas as assinaturas necessárias tanto na Câmara quanto no Senado.
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“O presidente Alcolumbre me pediu que, primeiramente, nós conseguíssemos todas as assinaturas, tanto na Câmara quanto no Senado”, declarou Viana. “A partir das assinaturas, ele tomará uma decisão.”
Interpelado por Oeste se percebeu um sinal favorável, Viana foi direto: “Eu acredito que ele concederá. Ele nos dará esse tempo”. O parlamentar quer protocolar um pedido de prorrogação do prazo de trabalhos da comissão por mais 60 dias.
‘A verdade não será calada na CPMI do INSS‘

A prorrogação é vista internamente como inevitável diante do volume de depoimentos pendentes, da dificuldade de aprovação de requerimentos e do avanço das ações policiais paralelas. O senador descreve um cenário de obstrução política combinada com pressões externas, especialmente de instituições financeiras citadas na investigação.
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Viana vem endurecendo o discurso sobre as limitações impostas por habeas corpus e requerimentos travados no colegiado. Segundo ele, isso não impedirá o aprofundamento da investigação.
“A pessoa não vir à CPMI blindada por um requerimento que não foi aprovado, assim como ganhar um habeas corpus para não falar, eu quero deixar claro para vocês que, como presidente de uma comissão, eu posso requisitar todo e qualquer documento oficial que esteja em inquérito por parte do Estado”, afirmou.
O senador destacou que, mesmo sem aprovação formal de pedidos internos, a comissão já acionou o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal para ter acesso a investigações sigilosas.
“Mesmo que eu não tenha os documentos aprovados na CPMI, eu posso requisitar ao Supremo Tribunal Federal e à Polícia Federal qualquer inquérito”, disse. “Portanto, a verdade não será calada na CPMI.”
Pressão de bancos
Nos bastidores, o presidente da CPMI relata que dezembro já foi marcado por forte lobby de setores interessados em limitar convocações. Ele afirma que bancos — alguns deles com lucratividade estimulada por juros que chegam a 22% ao mês — pressionaram parlamentares para barrarem requerimentos.
“E o que eu já estou mais preocupado é com fevereiro e março”, disse. “Vocês imaginem o seguinte: se hoje, em dezembro, nós tivemos uma pressão de bancos sobre a CPMI para que não convocássemos pessoas que têm esclarecimentos a dar, bancos que estão emprestando dinheiro a 22% ao mês para aposentados que não conseguem pagar a conta no final do mês, vocês imaginem quando chegarmos em fevereiro.”
Segundo ele, parlamentares também têm solicitado que convocações sejam evitadas — algo que, afirma, não esconderá do público: “A quantidade de parlamentares que vieram também para poder pedir que não fossem feitas convocações, eu coloco a público. Se não querem votar, aí não é minha responsabilidade, é decisão de cada um.”
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