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Política

Master declarou pagamentos a Temer e outros políticos

Também figuram na lista Antônio Rueda, ACM Neto, Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski

Master - Damares - Relatório - Governo São Paulo (SP), 19/11/2025 - Fachada do Banco Master na Rua Elvira Ferraz, em Itaim Bibi | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Fachada da sede do Banco Master na Rua Elvira Ferraz, no bairro paulistano Vila Olímpia | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Documentos enviados pela Receita Federal à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado mostram repasses milionários do Banco Master a escritórios de advocacia e empresas ligadas a políticos. Segundo informações obtidas por Oeste, figuram na lista o ex-presidente Michel Temer (MDB), o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto. Também constam no relatório os ex-ministros Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.

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De 2024 a 2025, o Banco Master destinou R$ 18 milhões a Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, e R$ 14 milhões à Pollaris Consultoria, de Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda. Em 2025, o escritório de Temer recebeu R$ 10 milhões, enquanto escritórios de Rueda obtiveram mais de R$ 6 milhões desde 2023.

Empresas e figuras públicas na mira das investigações

Empresas do Grupo Massa, controlado pela família do apresentador Ratinho e do governador do Paraná, Ratinho Júnior, também figuram nos registros. A Massa Intermediação recebeu R$ 21 milhões de 2022 a 2025, período em que Ratinho fazia publicidade do cartão consignado CredCesta. Já a Gralha Azul Empreendimentos e Participações recebeu R$ 3 milhões em 2022.

A assessoria do Grupo Massa declarou ao jornal Folha de S.Paulo que mantém práticas reconhecidas no mercado, com rendimentos declarados à Receita Federal provenientes de campanhas publicitárias e parcerias. Segundo o jornal, Meirelles informou que encerrou o contrato de consultoria em julho de 2025. Temer, por sua vez, afirmou ter recebido valor inferior ao divulgado.

Rueda declarou à Folha que não confirma “informações baseadas em dados fiscais supostamente vazados de forma ilícita”. Destacou que os serviços prestados por seus escritórios têm caráter técnico e estão em conformidade tributária. De 2022 a 2025, a BN Financeira, empresa de Bonnie Bonilha, nora do senador Jaques Wagner (PT-BA), recebeu R$ 12 milhões do banco. O senador recebeu R$ 289 mil.

Transferências do Master para escritórios de advocacia

Além disso, o Master repassou cerca de R$ 80 milhões em 2024 e 2025 ao Barci de Moraes Sociedade de Advogados, escritório da mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Valores pagos às empresas e políticos tiveram parte retida como imposto. 

O escritório Lewandowski Advocacia recebeu pelo menos R$ 6 milhões desde novembro de 2023. Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça, deixou a sociedade em janeiro de 2024, pouco antes de assumir o novo cargo.

ACM Neto teve sua empresa A&M Consultoria Ltda remunerada em R$ 5,4 milhões de 2023 a 2025. Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação Social do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recebeu quase R$ 4 milhões em 2025 por meio da WF Comunicação.

Temer declarou à Folha que desempenhou papel de mediador e recebeu pagamentos de R$ 5 milhões e R$ 2,5 milhões. Meirelles disse ao jornal que seu contrato tinha o objetivo de consultoria macroeconômica e que não acompanhava as operações do banco. “Não tinha o menor conhecimento das operações do banco, fiquei sabendo pelos jornais”, afirmou. “No começo, eles demandavam mais meus serviços, depois passaram a demandar pouco. Rescindi o contrato em julho de 2025.”

Desdobramentos e manifestações das partes

À Folha, a assessoria de Lewandowski afirmou que o ministro retornou à advocacia depois de deixar o STF em abril de 2023 e se desligou do escritório ao assumir o Ministério da Justiça no começo de 2024.

Leia mais: “A mancha que nada remove”, artigo de Augusto Nunes e Cristyan Costa publicado na Edição 313 da Revista Oeste

A assessoria da A&M Consultoria, de ACM Neto, destacou ao jornal que os serviços foram contratados de modo lícito e transparente, mas não tinha acesso aos valores declarados. Wajngarten disse à Folha que foi apresentado a Vorcaro no começo de 2025 e passou a integrar sua defesa.

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2 comentários
  1. jose luiz Corte
    jose luiz Corte

    É impressionante a quantidade de políticos, ministros e ex-ministros do STF que foram contratados, todos para “consultoria”. Faz me rir que os funcionários e advogados do banco não tinham capacidade e condição de assessorar a a instituição. É muita ingenuidade e tratar a todos nós como imbecis. Não se engana muita gente por tanto tempo. Que isso não foi consultoria, não foi. e Já que o banco está sob liquidação, que o liquidante cobre desses todos que foram contratados e receberam milhões, a comprovação do trabalho efetivamente prestado, ou senão, que cobre judicialmente a devolução do dinheiro pago.

  2. ROBERTO MIGUEL
    ROBERTO MIGUEL

    Não sabia que “defender a democracia” dava tanto dinheiro

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