publicidade
Política

Corregedoria da Polícia Civil abre investigação sobre uso ilegal do TSE por Moraes

Jornal Folha de S.Paulo revelou que um policial lotado no gabinete do ministro pediu favores a Eduardo Tagliaferro, da Corte Eleitoral

alexandre de moraes stf tse
O uso da assessoria especial do TSE para questões de segurança de Moraes está fora do escopo do órgão, que é administrativo e não tem competência para investigações criminais | Foto: Antonio Augusto/SCO/STF

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo iniciou uma investigação sobre o possível vazamento de informações para a segurança do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação começou nesta quinta-feira, 15.

Conforme revelado pelo jornal Folha de S.Paulo, um órgão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acessou dados da Polícia Civil paulista a pedido da segurança de Alexandre de Moraes.

Receba nossas atualizações

Wellington Macedo, policial do gabinete de Moraes no STF, solicitou a Eduardo Tagliaferro, então chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE (AEED), a apuração de fatos relativos à segurança do ministro e de sua família.

O pedido incluiu o vazamento de dados pessoais e ameaças enviadas para números ligados a Alexandre de Moraes ou publicadas nas redes sociais.

Investigação do vazamento de dados de Moraes

Tagliaferro afirmou ter obtido informações sigilosas com a ajuda de um policial civil de São Paulo “de sua extrema confiança”, cuja identidade ele não revelou.

O uso da assessoria especial do TSE para questões de segurança de Moraes está fora do escopo do órgão, que é administrativo e não tem competência para investigações criminais.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Ao ser interpelada sobre o caso, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a Polícia Civil instaurou um procedimento na corregedoria para apurar o envolvimento de um policial civil no vazamento citado.

“O policial militar citado está regularmente afastado para exercer cargo em comissão junto ao STF”, afirmou a corporação, em nota ao jornal.

Responsabilidade pela proteção dos ministros do STF

A proteção dos ministros do STF é de responsabilidade da Secretaria de Segurança do STF, composta de policiais judiciais. Quando necessário, é reforçada por agentes de outras corporações, como a Polícia Federal.

Em casos de ameaças aos ministros, a Secretaria de Segurança repassa as informações para as autoridades competentes, seja a PF ou a polícia estadual.

O gabinete do ministro também pode acionar diretamente a polícia com pedido de investigação por suspeita de crime.

Investigação para fins políticos

Mensagens que mostram os pedidos de investigação de Macedo ao órgão de combate à desinformação estão entre os mais de 6 gigabytes de dados trocados via WhatsApp por auxiliares de Moraes, incluindo o juiz Airton Vieira e Eduardo Tagliaferro.

Os diálogos revelam um fluxo ilegal que envolve o STF e o TSE. O órgão de combate à desinformação da Corte Eleitoral agiu como um núcleo alternativo de investigação para abastecer o Inquérito das Fake News.

As conversas mostram que o gabinete do magistrado recebia ordens de maneira informal para produzir relatórios contra apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ).

Declarações do gabinete de Moraes

O gabinete de Moraes declarou que “todos os procedimentos foram oficiais, regulares e estão devidamente documentados nos inquéritos e investigações em curso no STF, com integral participação da Procuradoria-Geral da República”.

Em uma das mensagens, Tagliaferro informou a Macedo que possuía e usava senhas de acesso ao sistema da Segurança Pública de São Paulo graças a uma “relação de confiança” com um amigo policial. Ele ainda pediu que a identidade do policial fosse mantida em sigilo.

No relatório, Tagliaferro sugeriu ao ministro que seus dados e os de seus familiares fossem tratados como os de policiais, “não informando qualquer dado que os identifique, somente colocando ‘Autoridade'”. Tagliaferro afirmou que cumpria ordens e que “não se lembra de ter cometido ilegalidades”.

Leia também: “O Brasil de 2024 tem cara de 1984”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 229 da Revista Oeste

Leia mais:

Leia mais:

4 comentários
  1. Pedro Hemrique
    Pedro Hemrique

    O Sistema elimina quem não os interessa! Somos um amontoados de massa de manobra!

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.