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Política

Caso Master envolve uso de terra pública em ativos ambientais

Auditorias aceitaram avaliações sem checagem fundiária

Sede do Banco Master, em São Paulo | Foto: Divulgação/Banco Master
Sede do Banco Master, em São Paulo | Foto: Divulgação/Banco Master

Empresas ligadas ao caso Master usaram uma área da União no Amazonas como base para registrar créditos de carbono avaliados em mais de R$ 45 bilhões. A informação é da Folha de S. Paulo, que aponta Golden Green e Global Carbon como responsáveis pelos ativos, calculados sobre terra destinada à reforma agrária.

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As companhias são controladas por fundos administrados pela Reag, investigada pela Polícia Federal (PF). Os números foram construídos a partir de uma área conhecida como Fazenda Floresta Amazônica, localizada em Apuí (AM), com cerca de 143,9 milhões de hectares. Auditorias e laudos econômicos aceitaram as avaliações sem verificar a origem fundiária do lastro ambiental.

Incra veta exploração e aponta irregularidade

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) confirmou à Folha que a área integra um projeto de assentamento federal. A autarquia informou que qualquer comercialização de ativos ambientais baseados naquela floresta é irregular e causa prejuízo à União. O órgão afirmou que já adotou medidas administrativas e judiciais.

Para impedir negociações, o Incra bloqueou o cadastro do imóvel no Sistema Nacional de Cadastro Rural e negou certificação no Sistema de Gestão Fundiária. Sem essas etapas, o território não pode ser reconhecido como propriedade privada nem sustentar direito exclusivo sobre terra ou sobre estoques ambientais.

Mesmo assim, consultorias e auditorias seguiram precificando unidades de carbono e atualizando valores nos balanços das empresas. As companhias alegam que um inventário atribuído à Universidade Estadual Paulista (Unesp) estimou a existência de 168,8 milhões de toneladas de CO₂ na área. A partir dessa estimativa, passaram a definir preços por unidade.

Caso Master e a valorização contábil dos ativos

Em 2020, a consultora Ernest Young analisou a metodologia matemática usada no cálculo do estoque. Dois anos depois, a PwC validou demonstrações financeiras da Golden Green que elevaram o valor unitário e levaram o ativo a cifras bilionárias. Em 2024, a Crowe aprovou nova atualização, ampliando o total registrado.

Segundo a Folha, os relatórios não trouxeram alertas sobre disputa fundiária. O lastro citado são Créditos de Produto Rural, sob custódia de um escritório em Londres. Situação semelhante aparece na Global Carbon, que saiu de capital social de R$ 100, em 2020, para avaliação de R$ 31 bilhões em 2024.

Especialistas ouvidos pelo jornal destacam que “estoque de carbono” não equivale a crédito de carbono negociável. Créditos exigem redução comprovada de emissões e registro em programas reconhecidos. As próprias empresas admitem usar premissas internas, pois não existe mercado para esse tipo de ativo.

O economista Marco Aurélio Hardt, responsável por laudos recentes, disse ao jornal que reproduziu dados constantes nos balanços entregues pelas empresas. No caso da Golden Green, ele reconheceu que trabalhou com balanço sem auditoria independente.

Leia também: “Vorcaro recorreu a empréstimo do Master para aquisição de mansão em Brasília”

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