publicidade
Política

Beneficiados com decisões do STF: ações contra Cunha e Cabral na Lava Jato podem prescrever

Corte anulou os processos que tramitavam na Justiça Federal

cunha cabral lava jato - A decisão da Corte, em 2019, determinava que os tribunais eleitorais devem julgar os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, quando investigados junto com caixa dois, e não a Justiça | Foto: Montagem Revista Oeste/Antonio Cruz/José Cruz/Agência Brasil
A decisão da Corte, em 2019, determinava que os tribunais eleitorais devem julgar os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, quando investigados junto com caixa dois, e não a Justiça | Foto: Montagem Revista Oeste/Antonio Cruz/José Cruz/Agência Brasil

Os processos da Operação Lava Jato que envolvem o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o ex-governador Sérgio Cabral podem prescrever na Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro.

Isso porque o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as investigações contra ambos que tramitavam na Justiça Federal. A decisão da Corte, em 2019, determinou que os Tibunais Eleitorais devem julgar os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, quando investigados junto com caixa dois, e não a Justiça Federal.

Receba nossas atualizações

Saiba mais: “10 anos da Lava Jato: 60 réus já se livraram de processos”

Como consequência da decisão do STF, as autoridades avaliam que os processos de Cunha e Cabral podem prescrever. Isto é, o Estado não pode mais processar os réus depois de certo tempo.

A Operação Lava Jato completa dez anos no próximo domingo, 17. Nela, Cunha e Cabral, ambos ex-MDB, receberam condenações. O ex-deputado federal ficou três anos e meio detido. O ex-governador, por sua vez, ficou preso durante seis anos.

Eduardo Cunha

Deputado Eduardo Cunha em 2015 | Foto: Wikimedia Commons/PMDB Nacional
Deputado Eduardo Cunha em 2015 | Foto: Wikimedia Commons/PMDB Nacional

No caso de Cunha, dois processos nos quais o STF anulou as condenações da Justiça Federal (em 2021 e 2023) só tiveram as denúncias aceitas novamente na Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro neste ano.

Além disso, o ex-presidente da Câmara tem 65 anos. Ele pode receber o benefício de um prazo mais curto para prescrições quando completar 70. Em um dos processos, o então juiz Sergio Moro (União Brasil) condenou Cunha em 2017 a 15 anos e quatro meses de prisão. O ex-parlamentar teria recebido e movimentado US$ 1,5 milhão em contas secretas na Suíça.

Leia mais: “A corrupção está aumentando em toda a América Latina, afirma The Economist

O dinheiro, segundo as investigações da Lava Jato, veio de uma compra da Petrobras de parte um campo de petróleo em Benin, na África, em 2011. Depois, o Tribunal Federal Regional da 4ª Região reduziu a pena a 14 anos e seis meses.

Cunha também foi alvo de investigação sobre corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O juiz Luiz Antônio Bonat condenou o ex-deputado, em 2020, a 15 anos e 11 meses de prisão.

De acordo com a investigação, Cunha recebeu R$ 1,5 milhão em vantagens indevidas dos contratos de fornecimento de navios-sonda da Petrobras. O STF anulou ambas as condenações e enviou os processos à Justiça Eleitoral.

Sérgio Cabral

Sérgio Cabral foi governador do Rio de Janeiro entre 2007 e 2014 | Foto:  Valter Campanato/Arquivo Agência Brasil
Sérgio Cabral foi governador do Rio de Janeiro entre 2007 e 2014 | Foto: Valter Campanato/Arquivo Agência Brasil

A outra ação da Justiça Eleitoral do Rio que já prescreveu tem como alvo Sérgio Cabral. Nela, havia suspeita de lavagem de dinheiro em sua campanha à reeleição, em 2010, com a compra de material em uma gráfica que supostamente não existia. O STF direcionou os processos da Lava Jato e de outras operações que tramitavam em varas penais à Justiça Eleitoral, em 2019.

Leia também: “Toffoli anula decisões da Lava Jato contra 23 alvos”

Conforme avaliação da Procuradoria-Geral da República, a Justiça Eleitoral não tinha estrutura para lidar com processos da complexidade dos casos da operação.

A denúncia contra Cabral que prendeu deputados estaduais em 2018 tramitava na Justiça Federal até março de 2021, quando o ministro do STF Gilmar Mendes determinou a ida do processo para a Justiça Eleitoral.

Consequências das anulações do Supremo

Depois das decisões do STF, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro criou, em setembro daquele ano, o Núcleo de Assessoramento Criminal (NAC). O objetivo do núcleo é analisar os processos da Lava Jato e ações similares de outras operações contra políticos e empresários no Rio.

A Operação Furna da Onça, uma das fases mais emblemáticas do braço do Rio da Lava Jato, foi encaminhada ao NAC. Além de Cabral, a operação investigava deputados estaduais.

+ Leia mais notícias da Política em Oeste

Apesar de o núcleo concentrar essas operações, a maioria dos casos da Lava Jato enviada para a Justiça Eleitoral ainda está em fase de inquérito na Polícia Federal (PF). Mesmo que parte das provas possa ser reutilizada, outra parcela teve de ser refeita, especialmente a tomada de depoimentos.

Um dos principais processos envolvia o ex-governador de São Paulo e atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB-SP). Contudo, esta última não prosseguiu. Em dezembro de 2022, o então ministro do STF Ricardo Lewandowski anulou a decisão. Hoje, Lewandowski comanda a pasta da Justiça.

TSE Moraes - Alexandre de Moraes e Ricardo Lewandowski se cumprimentam após tomarem posse como presidente e vice-presidente do TSE em cerimônia em Brasília - 12/08/2022 | Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE
Alexandre de Moraes e Ricardo Lewandowski se cumprimentam depois de tomarem posse como presidente e vice-presidente do TSE em cerimônia em Brasília – 12/8/2022 | Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE

Para o atual ministro da Justiça, a acusação usava provas do acordo de leniência da empreiteira Odebrecht (atual Novonor), já invalidadas em decisões contra outros réus. Um deles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Leia também: “Esquecidos no cárcere”, reportagem de Cristyan Costa publicada na Edição 207 da Revista Oeste

Leia mais sobre:

2 comentários
  1. José Maria Bechara
    José Maria Bechara

    Alguma novidade do tribunal “divino” inocentar ou liberar bandidos? O “divino” deveria se chamar Sandice Totalitária Foribunda! Representa melhor suas ações!!! Isto foi de caso armado (e pensado!).

  2. Amaury G Feitosa
    Amaury G Feitosa

    Enquanto ilegalmente prende Manés … Braziu, verás que teus manés fugirão da luta.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.