Depois do anúncio das tarifas de 50% a produtos brasileiros feito pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, em carta enviada a Lula, empresários entraram em campo a fim de abrir um canal de diálogo com os norte-americanos.
Oeste apurou que a investida começou com representantes de grandes grupos nacionais, em sintonia com entidades industriais, que procuraram interlocutores do setor privado norte-americano para explicar como as sanções afetariam não apenas o Brasil, mas também os EUA, sobretudo pela possível escassez de suco de laranja e café.
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A ofensiva surtiu efeito. Empresários norte-americanos prometeram interceder junto ao governo Trump e acionaram fontes no Executivo, entre elas, Susie Wiles, chefe de gabinete da Casa Branca, e no Departamento de Estado. Paralelamente, senadores brasileiros intensificaram contatos com o empresariado dos EUA, numa tentativa de abrir caminho para a diplomacia formal.
O Itamaraty, que até então vinha patinando, aproveitou esses contatos e não perdeu a oportunidade de um breve encontro entre Lula e Trump durante a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas. Coube ao Ministério das Relações Exteriores propor que a primeira rodada de negociações ocorresse na Malásia — escolhida por representar terreno neutro para as duas partes.
Reunião entre Trump e Lula na Malásia

Nos bastidores da conversa, que ocorreu no domingo 26, a equipe brasileira discutiu meios para obter a suspensão das tarifas. A coluna apurou que o Itamaraty trabalha para chegar a um piso de 10%.
Para negociar, o Brasil tem principalmente reservas de terras raras e etanol. Entrou em jogo também a possibilidade de arrefecer as medidas para a regulação das redes.
O Itamaraty também aproveitou a ocasião para repudiar as sanções aplicadas a autoridades brasileiras, como cancelamento de vistos.
As tratativas devem continuar nas próximas semanas, em nova rodada diplomática — com um olho nas tarifas e outro nos recursos estratégicos do Brasil.
Leia também: “O triunfo de Trump na diplomacia do Oriente Médio”, artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 292 da Revista Oeste
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Trump queimou sua imagem em admitir conversar com abestalhado que ora ocupa a presidência, o melhor caminho para destravar as sanções passa por atitudes diretas entre empresas dos dois países.
Para, para, para. Nada disso.