Lideranças do Novo avaliam retirar Renato Pereira da pré-campanha presidencial de Romeu Zema. De acordo com integrantes do partido, o marqueteiro é um dos responsáveis por fomentar as críticas públicas do ex-governador mineiro ao senador Flávio Bolsonaro.
Pereira foi contratado para trabalhar a imagem nacional de Zema e ajudar a preparar sua candidatura ao Palácio do Planalto. Desde o começo de 2025, o marqueteiro atua para tornar o ex-governador mais conhecido fora de Minas Gerais e viabilizar sua entrada na disputa presidencial.
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A avaliação da ala conservadora do Novo é que a estratégia adotada pelo ex-governador produziu efeito contrário ao esperado: isolou Zema dentro do partido, irritou aliados do PL e criou dificuldades para candidatos do Novo ligados ao eleitorado bolsonarista.
A pressão contra Renato foi tratada em reuniões reservadas nos últimos dias entre dirigentes nacionais do Novo, parlamentares e aliados de Zema. Segundo relatos obtidos por Oeste, integrantes da ala conservadora defenderam mudanças na comunicação da pré-campanha e cobraram o afastamento do marqueteiro.
Zema isolado
O incômodo não se restringe ao episódio que envolve Daniel Vorcaro. Como revelou Oeste, a crise se agravou depois de Zema divulgar um vídeo em que critica Flávio. A manifestação ocorreu depois da publicação, pelo site Intercept Brasil, de áudios e mensagens atribuídos ao senador e ao empresário sobre pedidos de recursos para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A avaliação de lideranças partidárias é que Zema passou a adotar um comportamento recorrente de enfrentamento contra Flávio. Para a ala conservadora, a insistência nas críticas colocou o ex-governador em choque com a estratégia eleitoral do próprio Novo.
O partido depende de alianças com o PL em Estados considerados decisivos para 2026. No Paraná, por exemplo, integrantes do Novo articulam um palanque conjunto com Sergio Moro (PL) ao governo e Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) ao Senado, numa composição que prevê apoio à candidatura presidencial de Flávio.
Marqueteiro na mira
A entrada de Pereira na pré-campanha havia sido vista como parte do movimento de nacionalização da imagem de Zema. O marqueteiro tem histórico em campanhas de diferentes partidos e já trabalhou para nomes como Aécio Neves, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.
Dentro do Novo, esse currículo passou a ser usado também por críticos internos para questionar a condução política da pré-campanha. A ala conservadora afirma que a comunicação de Zema deixou de reforçar pautas próprias do ex-governador e passou a alimentar uma disputa com Flávio, justamente no momento em que a legenda tenta preservar pontes com o bolsonarismo.
A pressão ocorre em meio a uma crise mais ampla sobre a própria viabilidade da candidatura presidencial de Zema. Dirigentes do partido discutem reservadamente se o ex-governador ainda terá condições de disputar a convenção nacional do Novo. Nos bastidores, já há quem defenda que Zema recue da corrida ao Planalto e busque uma candidatura ao Senado — ou até à Câmara dos Deputados.
A continuidade de Zema na disputa presidencial depende da permanência de Pereira na campanha.
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