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O que Alexandre Pires tem a ver com a exploração do 'ouro negro' em Roraima

Corporação afirma que o cantor é suspeito de ter recebido pelo menos R$ 1 milhão de uma mineradora envolvida no esquema

Alexandre Pires | A defesa de Alexandre Pires nega envolvimento no caso | Foto: Divulgação/Alexandre Pires
A defesa de Alexandre Pires nega envolvimento no caso | Foto: Divulgação/Alexandre Pires

A Polícia Federal (PF) investiga um esquema de garimpo ilegal que movimentou mais de R$ 250 milhões com a exploração de cassiterita da Terra Indígena Ianomâmi, em Roraima. O minério, conhecido como ouro negro, por causa de seu alto valor, teria sido exportado com o uso de notas frias.

Nesta segunda-feira, 4, a PF desencadeou a Operação Disco de Ouro, tendo como um dos alvos o cantor Alexandre Pires e seu empresário artístico, Matheus Possebon.

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Segundo a PF, o cantor é suspeito de ter recebido pelo menos R$ 1 milhão de uma mineradora envolvida no esquema. Ele foi ouvido e liberado, mas o empresário foi preso. Os dois foram abordados em Santos, no litoral paulista, quando saíam de um navio de cruzeiro, onde o cantor havia se apresentado.

A empresa de entretenimento que cuida da carreira do cantor e da qual Possebon é executivo disse que confia na idoneidade deles. A defesa de Pires também se posicionou, declarando que o cantor “não tem e nunca teve qualquer [sic] envolvimento com garimpo ou extração de minério”.

Outras pessoas são investigadas e não tiveram os nomes divulgados. A PF cumpriu mandados em cinco Estados: Roraima, São Paulo, Pará, Minas Gerais e Santa Catarina. A Justiça determinou o sequestro de R$ 130 milhões dos investigados.

Alexandre Pires esquema ilegal de garimpo
Cantor Alexandre Pires está na mira operação Disco de Ouro, da PF | Foto: Reprodução/Instagram

O que é a cassiterita — e o que Alexandre Pires tem a ver com essa história?

A cassiterita é a matéria-prima do estanho, metal que se tornou muito valorizado quando se intensificou sua aplicação na fabricação de smartphones, tablets e telas de celulares. O estanho entra na composição de placas de circuito eletrônico, reveste internamente embalagens de enlatados e forma ligas, como bronze, latão e soldas. Tem ainda aplicação na agricultura, como componente de fungicidas.

Durante a pandemia, com o aumento no uso de celulares e tablets, além do maior consumo de enlatados, a demanda pela cassiterita aumentou. A guerra entre Rússia e Ucrânia, países que exportam o minério, agravou o cenário de escassez e elevou os preços.

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No mercado internacional, a tonelada superou os US$ 40 mil (R$ 200 mil), o que atraiu a atenção dos garimpeiros, sobretudo os ilegais, já que as maiores reservas estão em terras indígenas.

Apenas nos anos de 2021 e 2022, cerca de 700 mil toneladas de cassiterita foram enviadas para o exterior de forma ilegal, segundo relatório em posse do Ministério Público Federal (MPF). Só a Polícia Rodoviária Federal apreendeu mais de 200 toneladas do mineral procedente da Terra Ianomâmi, em Roraima, nesse mesmo período.

A maior repressão ao garimpo ilegal de ouro em terras indígenas levou à migração dos garimpeiros para as minas de cassiterita. Conforme o MPF, de agosto de 2020 a fevereiro de 2022, foram registrados mais de 3 mil alertas de garimpo ilegal na região que pertence à Reserva Ianomâmi, área que se estende por 10 milhões de hectares nos Estados de Roraima e Amazonas.

A Constituição Federal proíbe garimpo em terras indígenas. Em muitos garimpos ilegais, a extração de cassiterita é feita durante a prospecção do ouro, metal mais valioso.

Em maio deste ano, atendendo a pedido do MPF, a Justiça determinou à Agência Nacional de Mineração (ANM) que os leilões realizados para a venda de 205 toneladas de cassiterita extraída ilegalmente da Terra Indígena Ianomâmi fossem revertidos para ações de combate ao garimpo ilegal na região.

Leia também: “Investigado pela PF, Alexandre Pires tem mansão de R$ 16 milhões”


Revista Oeste, com informações da Agência Estado

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1 comentário
  1. Serafim Dos A. Castro Neto
    Serafim Dos A. Castro Neto

    Fica a questão aberta de saber para onde se destina esse minério. Como o objetivo é transformá-lo em estanho e, sendo este para as aplicações nobres mencionadas no texto, com certeza são os países ricos q utilizam esse material. Sei que o mundo desenvolvido impõe embargos ao Cobalto de Cuba e minérios da República do Congo e da China devido o uso de força de trabalho de menores de idade e mesmo escrava. Agora, para o minério vindo de uma terra indígena brasileira q os Norte Americanos e Europeus tanto endeusam não há nada. E isso q existe uma legislação nacional proibindo extração. Isso mostra portanto qual é o real interesse desses “ocidentais” quando arrotam insistentemente a narrativa da preservação das nossas culturas indígenas. Tem método!

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