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Presidentes da Argentina e do Brasil, Javier Milei e Lula | Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock
Edição 300

Argentina e Brasil em caminhos opostos

As propostas de leis que podem mudar o futuro de um país

Brasil e Argentina caminharam juntos por décadas na mediocridade econômica. Inflação, déficit fiscal, Estados inchados, corporativismo, protecionismo, corrupção e pobreza estrutural foram marcas comuns. Dois países ricos em recursos naturais e pobres em decisões corretas. Até agora.

No dia 10 de dezembro de 2023, a Argentina virou a chave. Assumiu a presidência Javier Milei — não como produto do sistema político tradicional, mas como reação a ele. E fez algo que raramente se vê na América Latina: começou dizendo a verdade e governando com base nela.

Dois anos depois, no mesmo dia 10 de dezembro de 2025, Milei conseguiu uma nova vitória eleitoral e, com esta conquista, La Libertad Avanza — o partido de Javier Milei — subiu a sua representatividade de 37 deputados para 93 (sobre 257) e de 7 para 21 senadores (sobre 72). Mesmo sem maioria automática, Milei convocou uma sessão extraordinária do Congresso e apresentou um pacote de reformas estruturais. Não para agradar ao seu eleitor. Para consertar uma história de contínuos fracassos.

O presidente da Argentina, Javier Milei, poucos minutos antes de votar nas eleições legislativas deste domingo - 26/10/2025 | Foto: Cristina Sille/Reuters
Javier Milei conquista nova vitória eleitoral e amplia bancada do La Libertad Avanza no Congresso | Foto: Cristina Sille/Reuters

Esse é o primeiro contraste com o Brasil. Aqui, reformas são discursadas, mas evitadas. Lá, foram colocadas à mesa logo no primeiro dia do novo Congresso, com data, texto e custo político assumido.

O primeiro eixo do pacote foi a lei, a luta contra o crime, o narcotráfico e a corrupção. Trata-se de colocar ordem na casa e dar punição real a quem decide ficar fora da lei.

Milei propôs a reforma do Código Penal, com redução da idade penal para 13 anos, endurecimento das penas e aumento severo da punição para corrupção no Estado. A lógica é elementar: não existe país próspero onde o crime compensa e onde roubar o contribuinte sai barato. Segurança jurídica começa com consequências claras.

No Brasil, o debate gira em torno da relativização do crime, da narrativa do “contexto social” e do ataque a quem fala em endurecimento penal. Resultado: sensação de impunidade, afastamento de investimentos e descrédito institucional.

O segundo eixo foi o combate à inflação, atacando sua raiz.

A liberação das importações rompeu décadas de protecionismo que transformaram o mercado argentino num cartel protegido. Milei entendeu algo básico que o Brasil esqueceu: inflação não se controla no microfone, mas na concorrência (e sobretudo na redução do déficit fiscal). Mais produtos, mais oferta e menos preços artificialmente inflacionados.

Cenário de impunidade no Brasil contrasta com medidas econômicas de abertura de mercado de Milei | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Enquanto isso, no Brasil, o governo do PT insiste em barreiras tarifárias elevadas, intervencionismo estatal e narrativas segundo as quais inflação é “sensação” ou fruto da “ganância”. Porém, a realidade é confrontada pelo eleitor cada vez que ele vai ao supermercado.

O terceiro eixo foi o trabalho.

A reforma laboral proposta elimina rigidez extrema, reduz litígios, permite o trabalho de até 12 horas por dia caso as partes se coloquem de acordo e diminui a insegurança jurídica do empregador. Não se trata de retirar direitos, mas de permitir que o emprego exista. País nenhum combate a pobreza tornando ilegal ou arriscado contratar.

O Brasil, ao contrário, mantém um sistema que transforma o empreendedor em suspeito permanente, desestimula a formalização e empurra milhões para a informalidade — e depois se espanta com a baixa produtividade.

Há países que enfrentam a pobreza cortando privilégios e liberando a economia — e há países que preferem administrá-la eternamente com discurso, imposto e déficit.

O quarto eixo — e talvez o mais revolucionário para os padrões latino-americanos — é o compromisso absoluto com o superávit fiscal por lei.

Milei deixou claro: o Estado só gastará, como máximo, o que arrecada. Subsídios ineficientes serão cortados; privilégios, eliminados; e o déficit, tratado como o que é: transferência de custo para o futuro. Sem equilíbrio fiscal, não há política social sustentável — só engodo.

No Brasil, o déficit virou instrumento político. Gasta-se hoje, cobra-se amanhã e chama-se isso de justiça social. A dívida cresce, os juros sobem e o futuro vira refém do presente.

Lula e sua equipe econômica continuam aumentando as despesas obrigatórias no Orçamento, e compensando com o aumento tributário | Foto: Shutterstock

A tudo isso se soma a redução de impostos estratégicos para atrair investimentos e recuperar a confiança do capital produtivo. Milei rompe com a lógica arrecadatória que domina o Brasil: menos imposto hoje para gerar mais crescimento amanhã. O Estado deixa de ser predador e passa a ser facilitador — algo que aqui parece heresia. Em outras palavras, seria uma injeção de Arthur Laffer na veia. Milei está propondo retirar do horizonte empresarial 90% dos impostos existentes na Argentina. Não se trata de reduzir as alíquotas, e sim a quantidade de tributos que atentam contra a produtividade do país. Milei defende que o custo de arrecadar esses impostos é maior que a própria arrecadação.

Nada disso acontece sem resistência. Milei governa com minoria, enfrenta um Congresso fragmentado e sindicatos hostis. Mas escolheu governar. Não negociar a realidade. Não anestesiar a crise. Não empurrar problemas para o próximo mandato. Na comparação com a política do Brasil, na Argentina não existe o “centrão” e este pode ser um dos fatores fundamentais para o sucesso da proposta política e econômica da nova Argentina.

Agora olhemos para o Brasil. Aqui, o caminho é o oposto: mais impostos, mais gasto, mais déficit, mais dependência do Estado, mais tolerância com a corrupção, mais insegurança jurídica.

Enquanto no Brasil discute-se quem paga a conta, na Argentina discute-se como parar de gastar o que não se tem.

A Argentina escolheu o caminho difícil.

O Brasil escolheu o caminho confortável — até ele se tornar insustentável.

Não se trata de idolatrar Milei nem de importar um modelo pronto. Trata-se de mostrar ao eleitor brasileiro que existe alternativa. Que pobreza não se combate com promessa eterna, mas com reformas estruturais. Que justiça social sem responsabilidade fiscal é mentira. E que desenvolvimento não nasce do Estado, mas da liberdade de produzir.

Reformas estruturais de Milei são o caminho para o desenvolvimento econômico | Foto: Shutterstock

No fim, não é uma disputa ideológica. É uma disputa entre realidade e autoengano.

Há países que enfrentam a pobreza cortando privilégios e liberando a economia — e há países que preferem administrá-la eternamente com discurso, imposto e déficit, porque, depois de tudo, a pobreza e a ignorância garantem eleitores sem futuro, mas com esperança.

A história julgará quem escolheu melhor.

Leia também “A implosão fiscal do Brasil: o déficit que rouba o futuro”

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1 comentário
  1. Emilio Sani
    Emilio Sani

    Excelente texto, Milei veio dar o choque de realidade necessário e já com bons resultados e nós na ditadura paga por vorcaro…

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