O dever legal da Polícia Judiciária é buscar a verdade numa investigação; o dever legal do Ministério Público é buscar a verdade para fazer a denúncia. O dever legal e ético da Justiça é buscar a verdade entre as provas da acusação e da defesa para poder julgar. Não pode haver dúvida. Se houver, o Direito tem o lapidar in dubio pro reo. Se restar dúvida no processo, ou ele é arquivado, ou o réu é absolvido por falta de provas. A Polícia, em dúvida, sugere arquivamento ao Ministério Público, ou este, sem a convicção da prova, avisa ao Juiz que não há elementos fáticos, materiais, para denunciar. Esse é o caminho do devido processo legal.
A parábola A Verdade e a Mentira conta que a Mentira sugeriu à Verdade que as duas entrassem num poço para se refrescar. A Verdade se despiu e entrou na água; a Mentira se aproveitou e furtou as roupas da Verdade. Vestida de Verdade, foi mais fácil enganar as pessoas. A Verdade ainda tentou se apresentar como a verdadeira, mas ninguém quis ouvir a Verdade nua. A Mentira vestida de Verdade ensina a fazer narrativas em Brasília.

Fica difícil argumentar com quem segue uma ideologia em que os fatos devem se adaptar à sua fé. Já não é possível derrubar a mentira com a verdade, usando a lógica, o raciocínio, a realidade. Antes mesmo do debate, já foi estabelecido o alvo, o objetivo, o gol. Já se tem o resultado final do jogo. Apenas é preciso impor o resultado. Para certas pessoas, já não há verdade ou mentira; elas estão ideologicamente acima disso. Assim é, se assim queremos que seja — e pronto. Não há princípios, mas objetivos políticos. O presidente do Supremo tem ensinado que já não existe uma Corte Constitucional como um departamento da Justiça, mas, numa evolução, passou a existir um tribunal político. Ele esquece que já existe esse tribunal político. É o Congresso dos representantes do povo, origem do poder.
Quando alguém deseja mentir, a primeira vítima da mentira é o próprio autor. Para inventar a narrativa, ele precisa enganar-se, contrariando os fatos, invertendo a realidade. Depois, veste-se de verdade e mente convincentemente. O mitômano fica escravo das mentiras que conta e acaba vivendo enganado por si próprio, viciado na mentira, num mundo ilusório. Alguns ficam convencidos de que estão salvando a democracia, mas no dia em que falta combustível para a FAB transportá-los, ficam chocados com o mundo real de xingamentos no avião. Ou mal arriscam ir ao clube próximo, ou fazem gracinha de porta-aviões no Lago Paranoá, até que baixa do norte um míssil Magnitsky.

Mais de mil famílias de manifestantes do 8 de janeiro sofrem com a narrativa do golpe de Estado fantasiada de verdade. Todos percebem que foi manifestação emocional não planejada — à exceção, talvez, daqueles precursores que puderam entrar no Palácio do Planalto sem resistência, para quebrar. E agora, o julgamento, mais público que os anteriores, está expondo a verdade nua, que a mídia domesticada não quer ver, ouvir e publicar. Um dos advogados perguntou sobre os princípios do juiz natural, da prova material indubitável. Era a verdade nua querendo se revelar. No final do julgamento, tudo indica que a verdade nua vai voltar para o poço. Ela vai descobrir, horrorizada, que no Brasil o poço não tem fundo. Vai acabar no inferno. Como uma Venezuela, a menos que o Congresso e as chamadas elites econômicas caiam na realidade.
Vivemos no Brasil que um dia Stefan Zweig, refugiado do Holocausto, chamou de “País do Futuro”. Pois hoje esse país nega o Holocausto, retirando-se do grupo que mantém a memória da tragédia para que ela não se repita. Ao contrário, o governo deste país apoia o Hamas, que segue o mesmo objetivo dos nazistas, para a “solução final do problema judeu”. Nesta República, o presidente costuma dizer que aprendeu com sua mãe que “A verdade engatinha e a mentira voa”. Se assim é, a verdade deixa pegadas no chão; a mentira, que voa como nuvem escura, apenas tapa o sol temporariamente. Carregada pelo vento da verdade, do tempo, das liberdades, da democracia, da lei, a mentira desaparece, vexada, e o sol da verdade volta a projetar a luz. Quem prefere a verdade, tem que denunciar a fantasia da mentira e tirar a bela verdade do fundo do poço.

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Interessante, caro Alexandre Garcia. Ao chegar ao final da leitura do seu artigo lembrei-me, repentinamente, do filme “Matrix”.
Marylu
Alexandre sou filha do Gen Mario Fernandes. Editamos o livro escrito por ele – Xavantes na Itália- crônicas escritas durante a II Guerra e só publicadas em 2011. Se quiseres que nos te mandemos um exemplar, manda o teu endereço . Msrylu no X e meu nome inteiro no Face. Abraço
Julgamento vergonhoso, ou melhor farsa que não pode ser chamada de julgamento que o povo brasileiro assistiu perplexo na semana q passou. Não que não soubéssemos qual seria o resultado, mas pelos participes- que não ouso chamar de juízes porque s maioria não é não é, mas pela falta de vergonha de ignorarem as provas de fraudes revelados na semana anterior pelo ex assessor do relator. Caras de pau! Muito nojento tudo! A população entendeu o que aconteceu na farsa. E está revoltada, comentando! Que Deus nos proteja de tanto mal, tanto ódio dessa gente de mau caráter .
Mestre Alexandre Garcia, que prazer ler seu artigo. O melhor da semana para mim.Disse com maestria como nossa mais alta da justiça se comporta e como nosso atual presidente baseia -se sempre em narrativas enganosas que lhe interessam para manter-se no poder.Mas a verdade como disse deixa pegadas profundas,não serão apagadas de nossa história Assisti as manifestações do dia sete de setembro, verdade está nas ruas do Brasil, vi o rei nu’ em um carro oficial desfilando apenas para seus órgãos comandados.A verdade sempre aparece.
Errata:”como nossa mais alta corte de justiça se comporta “.
Manoel Francisco Benvenuti.
Maravilhoso artigo, brilhante Alexandre Garcia.
Parabéns
Não há mais meritocracia. O Brasil virou um país comandado por medíocres invejosos, que não satisfeitos “apenas” com o poder, necessitam destruir os alvos de suas invejas
Revista OESTE- o melhor presente que recebi em 2025! Artigos impecáveis que reproduzem o que penso!
O Brasil hoje sofre da falta de vergonha na cara de grande parte da mídia, em acobertar a verdade, e torcer pela desgraça do pais, e também da falta de vergonha na cara de grande parte do judiciário. O final desse filme todos já sabem. E ficam ainda esperando que o anjo justiceiro que virá dos EUA para salvar a nação. Essa salvação depende só e unicamente de nós brasileiros.
Jamais imaginei ver, um pais todo sendo governado por um psicopata, o qual quer nos induzir a viver a sua própria psicopatia, nossa grande nação vive dias de ditadura da toga e a maioria das mídias, sendo bancada com dinheiro público para não se levantar, com esse cidadão que pensa que é um juiz com atitudes medíocres!
CBrilhante artigo Alexandre Garcia.
O Brasil está mostrando ao mundo os horrores do que essa elite é capaz de fazer com o discurso de “defender a democracia”.
Todas as ditaduras espalhadas ao redor do mundo adotam o termo democracia ou democrática. República Popular da China, República Democrática do Congo, República Democrática Alemã (RDA), também conhecida como Alemanha Oriental até a queda do muro de Berlin, República Popular Democrática da Coreia Norte, todos os países do Oriente Médio a exceção de Israel, etc.
Em quase 136 anos de República fomos continuamente enganados por um sistema de rotação no poder sem qualquer preocupação com o povo que é a origem do poder nas democracias. Sete Constituições não foram suficientes para entregar ao país um legado capaz de colocá-lo no patamar que merece e que reúna todas as condições necessárias para conhecermos o crescimento e o desenvolvimento econômico e social.
A Internet e as redes sociais retiraram a verdade mesmo nua do fundo do poço, que hoje essa mesma elite luta para silenciá-la e manter o povo na escuridão. Mas como dizia minha mãe “a mentira tem pernas curtas”.
Como sempre, artigo impecável e incontestável. Parabéns Alexandre Garcia.
Brilhante Alexandre Garcia , elegante , cirúrgico , demolidor . Nunca decepciona.
Mais um texto brilhante do Alexandre Garcia!
Tomara que a verdade saia do poço e encontre logo suas maltratadas roupas e que ao vesti-las elas possam novamente brilhar e iluminar nosso caminho!
Simplesmente brilhante. Elegante texto!
Já estamos no mês farroupilha.
Certa vez, comentei por aqui que a nossa conterrânea Rosa Weber deveria ser processada em não proteger o patrimônio público. No caso, o prédio do STF. Ela e outros com cargos importantes no Planalto sabiam da movimentação de pessoas chegando em Brasília. Em vez de reforçar a segurança, fez o contrário, autorizou grande parte dos seguranças para casa, já que estava ainda em recesso. Se ela fosse competente, sabendo do movimento, aumentaria a segurança, pois sempre entendeu que o pessoal do Bolsonaro era de extrema-direita, perigosa e cheia de táticas revolucionárias…
Enfim, o Trump fez a parte dele, mas ninguém consegue tirar o Moraes de seu trono enlameado e um dos criminosos mais vistos em todo o planeta.
Lamentavelmente quem teria condição de fazê-lo, o senhor Tarcísio Iscariotes por governar o maior estado da nação e contar com apoio da maior potência do mundo prefere unir-se aos togados.
Quanto ao “extremismo” da direita e suas “táticas revolucionárias”, cabe lembrar da barrigada na faca. Nada mais revolucionário que uma coisa dessas. A esquerda boazinha, que me parece ser a sua praia, nunca teria bolado uma coisa tão revolucionária.
Com um pouquinho de bom senso o brasileiro, quando diversifica suas fontes de informações, entende que o atual julgamento é um teatro de marionetes. É algo que não pode ser levado a sério. Tem togados que perderam a credibilidade e não tem mais moral para estarem ali. Nossa resposta é, povo nas ruas dia 7 de setembro. Democracia é a voz do povo e não a força das togas. Está escrito lá no 1º artigo da Constituição, parágrafo único: “Todo o poder emana do povo…”.