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Política

PGR dá parecer contrário a mandato parlamentar integralmente remoto

Procurador-geral Paulo Gonet defende presença física obrigatória de deputados em sessões, em alerta a Eduardo Bolsonaro

PGR; Paulo Gonet
O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, no julgamento da denúncia sobre o núcleo 2 da suposta tentativa de golpe | Foto: Divulgação/STF

O posicionamento do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, divulgado nesta quinta-feira, 2, rejeita a possibilidade de deputados atuarem integralmente de forma remota. O parecer, entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), aborda o caso do ex-deputado Chiquinho Brazão, mas também serve de alerta ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

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Gonet destacou que, “como regra, o exercício do mandato parlamentar não prescinde da presença física do deputado ou senador nas sessões da respectiva Casa Legislativa”, de modo a reforçar a necessidade de comparecimento presencial ao Congresso Nacional.

Chiquinho Brazão e os entendimentos da PGR e do STF

União Brasil expulsou da legenda o deputado carioca Chiquinho Brazão depois da prisão dele, em 24 de março | Foto: Reprodução/@paodeacucarnet
União Brasil expulsou da legenda o carioca Chiquinho Brazão depois da prisão dele, em 24 de março | Foto: Reprodução/@paodeacucarnet

Brazão, acusado de envolvimento no assassinato da ex-vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, perdeu o mandato depois de ultrapassar o limite de ausências não justificadas em sessões deliberativas. Desde março de 2024, ele está em prisão preventiva e solicitou ao STF a manutenção do mandato até que pudesse retornar ao cargo, pedido negado em caráter liminar pelo ministro Flávio Dino.

O PGR esclareceu que somente situações previstas na Constituição Federal permitem licenças justificadas e que prisão preventiva não faz parte dessas hipóteses. Dino afirmou que a atuação remota do mandato deve ser excepcional, motivada e regulamentada, sob risco de enfraquecer o papel do Congresso Nacional.

Leia mais: “O sistema não quer a anistia”, artigo de Silvio Navarro publicado na Edição 289 da Revista Oeste

O ministro acrescentou que “exceções ao trabalho presencial devem ser episódicas, motivadas e devidamente regradas”. O entendimento também pode valer para a situação de Eduardo Bolsonaro.

Caso Eduardo Bolsonaro: ausência e risco de perda de mandato

Eduardo Bolsonaro em vídeo | Foto: YouTube/Divulgação
O deputado Eduardo Bolsonaro em vídeo | Foto: YouTube/Divulgação

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde fevereiro, inicialmente em licença. Quando o prazo acabou, ele reassumiu o mandato, mas permaneceu no exterior e, no fim de agosto, pediu autorização para atuar remotamente, sob alegação de perseguição política. No documento, mencionou a permissão de sessões virtuais durante a pandemia.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que entende ser impossível o exercício de parlamentares de fora do Brasil. “Não há nenhum precedente na Casa”, disse o político. Até agora, Eduardo Bolsonaro acumula 26 ausências não justificadas, e mais 12 podem resultar na perda do mandato por decisão da Mesa Diretora.

Leia também: “Um tribunal sem freios”, reportagem de Cristyan Costa publicada na Edição 289 da Revista Oeste

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