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Política

Polícia Federal volta a rejeitar delação de Daniel Vorcaro

Agentes responsáveis pelo caso comunicaram a decisão aos advogados do ex-dono do Banco Master

O empresário Daniel Vorcaro, que está preso desde março na PF em Brasília | Foto: Reprodução/X
O empresário Daniel Vorcaro, que está preso desde março na PF em Brasília | Foto: Reprodução/X

A Polícia Federal (PF) confirmou, na noite desta quinta-feira, 11, a rejeição da nova proposta de delação premiada do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A decisão foi comunicada ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à defesa do executivo.

A corporação entendeu que o ex-banqueiro não apresentou novidades em relação ao que investigações em relação ao caso Master já desvendaram. Outro ponto foi a ausência de provas do que era delatado em depoimentos a agentes.

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Essa foi a segunda vez que a PF rejeitou a proposta de delação de Vorcaro. A organização já havia adotado a mesma medida — de negar a solicitação de colaboração premiada — em 20 de maio. A alegação na ocasião foi a mesma: falta de informações além do que investigadores já tinham conhecimento.

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A rejeição por parte da Polícia Federal já era especulada nos bastidores do poder desde o começo da semana. Agora, a decisão se confirmou.

Vorcaro ainda tem a chance de firmar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A colaboração, contudo, precisará ser homologada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

Daniel Vorcaro segue preso em Brasília

Com pedido de delação premiada rejeitado pela PF, mas ainda em negociações com a PGR, Daniel Vorcaro está preso desde 4 de março. Na ocasião, o executivo foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

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Essa é a segunda prisão de Vorcaro. Anteriormente, ele foi detido em 18 de novembro, quando tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos. Horas depois, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial do Master. Onze dias depois, a prisão foi convertida em domiciliar, mas com uso de tornozeleira eletrônica.

Relação com o poder

Desde então, Vorcaro e Master passaram a fazer parte do noticiário. Isso por causa da relação com agentes públicos.

O banco, por exemplo, tinha contrato de R$ 129 milhões com a advogada Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O acerto entre as partes foi rompido com a liquidação da instituição financeira.

Leia também: “E os R$ 129 milhões?”, artigo de Eugênio Esber publicado na Edição 301 da Revista Oeste

Também ministro do Supremo, Dias Toffoli vendeu ações do Tayayá Resort, em Ribeirão Claro (PR), para um fundo de investimentos ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Dias depois da revelação, o magistrado deixou a relatoria do caso Master — função que passou a ser de responsabilidade de Mendonça.

Vorcaro também manteve relação com políticos do Executivo e do Legislativo. O executivo teria bancado, por exemplo, férias do senador Ciro Nogueira (PP-PI) nos Alpes Franceses em 2025. O custo teria sido de R$ 2 milhões.

Segundo informações, a nova proposta de delação, que acaba de ser rejeitada pela PF, mencionava, entre outras figuras públicas, integrante do PT da Bahia, o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

O Master também travou negociações com o Banco Regional de Brasília (BRB), que chegou a fazer proposta para comprar a instituição de Vorcaro. O Banco Central, contudo, barrou a operação.

Empresa pública sob gestão do governo do Distrito Federal, o BRB admitiu perdas de R$ 8,8 bilhões em operações do Master. Para tentar escapar da insolvência, a instituição recorreu a empréstimo de R$ 6,5 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito, que foi homologado pelo ministro Luiz Fux, do STF.

Ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa está preso. Assim como Vorcaro, ele negocia acordo de delação premiada com a PGR. A expectativa é que o órgão rejeite a colaboração.

Investigações dão conta de que o Master tenha provocado prejuízo de cerca de R$ 50 bilhões ao sistema financeiro do país.

Leia também: “Os tentáculos do Master”, reportagem de Uiliam Grizafis publicada na Edição 325 da Revista Oeste

E mais: “O Master no colo de Lula”, por Adalberto Piotto

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