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Nas últimas décadas, o Supremo Tribunal Federal (STF) passou de uma instituição pouco conhecida para um órgão com grande visibilidade na mídia, onde ministros, como Gilmar Mendes, se tornaram figuras proeminentes e frequentemente comentam a política. O advogado Sidney Stahl, em seu livro "Supremo em Transformação", analisa essa mudança e destaca que as indicações para a Corte, antes técnicas, agora têm forte viés político.
Há algumas décadas, o Supremo Tribunal Federal (STF) não tinha tanto protagonismo. Grande parte da população não sabia os nomes dos 11 ministros. As entrevistas eram raras e os juízes não se preocupavam muito em dar opiniões sobre a política, apesar de alguns terem exercido mandatos no Legislativo antes de serem nomeados à Corte. Paulo Brossard, por exemplo, foi deputado estadual no Rio Grande do Sul (1955-1967), deputado federal (1967-1971) e senador da República (1975-1983) antes de ser ministro do STF, em 1989. Estava clara para Brossard a separação entre os Três Poderes. “Desde estudante, até o dia em que me vi coberto pela toga, exerci a atividade política”, declarou, em junho de 1992.
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Mas os tempos mudaram. A Suprema Corte agora é estampada em capas de jornais. Ministros aparecem em telejornais. Outros estão ligados a escândalos financeiros, como no caso do Banco Master. O advogado Sidney Stahl escreveu um livro no qual mostra as transformações da mais alta Corte do país. O jurista cita o exemplo das indicações, que antes eram puramente técnicas, e que hoje, em muitos casos, são políticas.
O protagonismo de Gilmar Mendes no Supremo
Para Stahl, o ponto de virada está na nomeação do ministro Gilmar Mendes. Aprovado pelo Senado para o cargo em 2002, o hoje decano do STF coleciona aparições em televisão e palpites políticos, além de coordenar um evento em Portugal, apelidado de “Gilmarpalooza”, no qual reúne autoridades, empresários, acadêmicos, lobistas e advogados.
Oeste entrevistou Stahl, que comentou o livro Supremo em Transformação: do recato institucional ao protagonismo político, publicado pela editora Almedina.
Assista à entrevista na íntegra.
Leia mais: “As aparições de Gilmar Mendes”, artigo de Eugênio Esber publicado na Edição 312 da Revista Oeste
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