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Política

Medida provisória que autoriza governo a importar 1 milhão de toneladas de arroz perde validade

Processo de compra do cereal seria conduzido pela Companhia Nacional de Abastecimento

O arroz a R$ 4 o kg na gôndola significa R$ 75 pela saca de 50 kg com casca, o preço de venda ao produtor | Foto: Shutterstock
Arroz: leilão para importação gerou polêmicas e derrubou secretário do governo Lula | Foto: Reprodução/Shutterstock

A Medida Provisória (MP) 1.227/2024, que autoriza a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a importar até 1 milhão de toneladas de arroz beneficiado ou em casca, perdeu a validade nesta quinta-feira, 5. A compra pública do cereal partiu do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como estratégia para conter o aumento de preços do cereal com as dificuldades de escoamento do produto no Rio Grande do Sul, Estado que sofreu com enchentes em abril e maio.

A previsão de importação do cereal recebeu críticas de entidades do setor produtivo. A decisão abriu uma nova disputa entre agronegócio e Executivo.

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Pela medida, a Conab deveria importar o cereal por meio de leilões públicos a preço de mercado dentro do programa de compras do governo federal para recomposição de estoques públicos. A intenção era ofertar o cereal em áreas metropolitanas com situação de insegurança alimentar a R$ 20 o pacote de 5 kg, com logotipo do governo federal e com subsídio.

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Os dois editais de leilão da estatal, contudo, não agradaram ao setor produtivo, que alegou intervenção estatal. O único leilão realizado para importação de 263,37 mil toneladas não prosperou. Houve anulação, por irregularidades no certame público e suspeita de fragilidade financeira das empresas arrematantes.

Diante da deflagração da crise, o governo Lula recuou. Na sequência, a equipe do petista selou acordo com o setor arrozeiro para monitoramento dos preços e do abastecimento do produto país afora.

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A polêmica do leilão para importar arroz culminou em baixa para o Poder Executivo federal. O então secretário de Políticas Agrícolas do Ministério da Agricultura e Pecuária, Neri Geller, deixou o cargo. Fora do governo, ele criticou o ministro Carlos Fávaro e definiu como “erro político” a realização do leilão.

O prazo da MP para importação de arroz

Imagem meramente ilustrativa de uma colher de pau com arroz; grão que é tema de artigo sobre intervencionismo estatal
Integrantes do governo afirmou que não haverá tentativa de realizar novos leilões para importar arroz | Foto: Sebastião José de Araújo/Embrapa Arroz e Feijão

Editada em 9 de maio deste ano, a MP precisaria ter sido apreciada pelo Congresso Nacional até quinta, no prazo regimental de 120 dias. Mas o próprio governo reconhecia que não faria esforço de articulação para aprovar a medida em tempo hábil.

“Queremos utilizá-la na sua plenitude”, disse o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, sobre a medida há duas semanas. “Até dia 5, todos os seus instrumentais serão utilizados.”

O diretor-presidente da Conab, Edegar Pretto, descartou nova proposta de compra internacional de arroz. O órgão está atrelado ao ministério de Teixeira.

“A partir de todo o diálogo que estamos construindo até aqui com o setor produtivo, com as empresas, se houver necessidade, temos condições de fazer o arranjo com a produção nacional”, afirmou Pretto. “Essa é a nossa expectativa. Não há no horizonte do governo nova proposta de compra.”

A Frente Parlamentar da Agropecuária também adotou a estratégia de deixar a MP caducar. A bancada, voltada a defender o agronegócio no Congresso, tem o deputado federal Pedro Lupion (PP-PR) como presidente.

Leia também: “O arrozão do PT”, reportagem de Silvio Navarro publicada na Edição 221 da Revista Oeste


Revista Oeste, com informações da Agência Estado

1 comentário
  1. Christian
    Christian

    Esta foi a maior canalhice nas costas do povo Riograndense.

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