O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a 15 trocas de ministros desde o início do atual mandato, em janeiro 2023. A mais recente saída é a de Ricardo Lewandowski, que deixou o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública na semana passada. Em média, o petista troca um integrante de seu primeiro escalão a cada dois meses.
No caso de Lewandowski, que estava na equipe do Executivo federal desde fevereiro de 2024, a saída se deu diante da dificuldade para emplacar projetos como a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança e o chamado Projeto de Lei Antifacção. Oficialmente, alegando questões familiares, ele entregou uma carta de demissão a Lula na última quinta-feira, 8.
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Ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o agora ex-ministro da Justiça do governo Lula estava contrariado com a “irracionalidade” das discussões sobre segurança pública, que, na sua avaliação, tendem a piorar neste ano eleitoral. Lewandowski também teve problemas com a Casa Civil, sob comando do petista Rui Costa, que segurou por meses projetos enviados pelo ministério.
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Enquanto Lula não decide o seu novo ministro, o secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Manoel Carlos de Almeida Neto, ficará como interino no cargo. Auxiliares do presidente dizem que ele procura um perfil parecido ao de Flávio Dino, antecessor de Lewandowski e hoje ministro do STF. O PT defende o nome do coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, para a pasta.
As trocas de ministros do atual governo Lula
Lembre de todas as mudanças de comando nos ministérios de Lula:
- Celso Sabino — Gustavo Feliciano (Turismo)
Lula demitiu em dezembro de 2025 o então ministro do Turismo, Celso Sabino, depois de ele ter sido expulso do União Brasil, justamente por desobedecer à ordem para entregar o cargo. O presidente fez o movimento para afagar a ala governista do partido, de olho no apoio à sua candidatura a um novo mandato. A legenda continua no comando do ministério, já que Gustavo Feliciano assumiu a vaga.
- Márcio Macêdo — Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência)
Ex-tesoureiro da campanha petista, em 2022, Márcio Macêdo (PT) foi “fritado” durante meses pelos próprios correligionários. O deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP) assumiu a Secretaria-Geral da Presidência e passou a cuidar da interlocução do Palácio do Planalto com os movimentos sociais. A mudança foi uma guinada do governo à esquerda, depois do rompimento com uma parte do Centrão. A ideia era reaproximar o Executivo de setores da sociedade que têm se afastado das administrações petistas.
- Cida Gonçalves — Márcia Lopes (Mulheres)
Lula demitiu a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves em maio de 2025. Ela foi alvo de denúncias formais feitas por ex-servidoras da pasta por suposta prática de assédio moral e xenofobia. Para seu lugar entrou a ex-ministra do Desenvolvimento Social Márcia Lopes.
- Carlos Lupi — Wolney Queiroz (Previdência Social)
O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT) deixou o cargo em maio do ano passado, depois de ser pressionado por uma série de denúncias de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social. A crise foi deflagrada com a revelação do esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, investigado pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União. Wolney Queiroz, que era o número 2 da pasta, assumiu o posto.
- Juscelino Filho — Frederico Siqueira Filho (Comunicações)
O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, entregou sua carta de demissão em abril de 2025, assim que foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao STF, sob acusação de desvio de emendas parlamentares. Frederico de Siqueira Filho assumiu a pasta depois de o deputado Pedro Lucas Fernandes (União-MA) ter rejeitado o convite.
- Alexandre Padilha — Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais)
A deputada federal licenciada Gleisi Hoffmann (PT-PR) assumiu em fevereiro do ano passado como ministra da Secretaria de Relações Institucionais. A mudança se deu em virtude de o então titular, Alexandre Padilha, assumir o Ministério da Saúde.
- Nísia Trindade — Alexandre Padilha (Saúde)
Lula demitiu em fevereiro de 2025 a ministra da Saúde, Nísia Trindade. Ela passou semanas sendo “fritada” no cargo antes de ser demitida. O presidente queria um perfil mais político no ministério. Pressionado pela queda de popularidade, escolheu Padilha. Nísia foi a terceira mulher a deixar a Esplanada, o que, naquele momento, deixou a equipe com apenas nove mulheres em 38 ministérios.
- Paulo Pimenta — Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social)
O publicitário Sidônio Palmeira, que comandou a campanha de Lula em 2022, assumiu a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em janeiro de 2025, no lugar de Paulo Pimenta (PT). Sidônio chegou ao órgão para reformular a comunicação do governo e tentar deixar a gestão do petista mais popular visando à eleição de 2026.
- Silvio Almeida — Macaé Evaristo (Direitos Humanos e Cidadania)
Silvio Almeida foi demitido do cargo de ministro dos Direitos Humanos e Cidadania em setembro de 2024, em decorrência de denúncias de assédio sexual feitas à organização não governamental Me Too Brasil. A deputada estadual licenciada do PT de Minas Gerais Macaé Evaristo tomou posse no lugar dele.
- Flávio Dino — Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública)
Lewandowski foi nomeado ministro da Justiça e Segurança Pública em janeiro de 2024. A entrada dele para o time de ministros do governo Lula ocorreu depois de Flávio Dino ser indicado para uma vaga no STF, em novembro de 2023.
- Ana Moser — André Fufuca (Esportes)
A ex-jogadora de vôlei Ana Moser, medalhista olímpica em Atlanta-1996, deixou o Ministério dos Esportes em setembro de 2023. A demissão dela se deu em razão de acordo entre Lula e o centrão, que entregaram a pasta para o deputado federal André Fufuca (PP-MA).
- Márcio França — Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos)
O deputado federal Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) assumiu o Ministério de Portos e Aeroportos em setembro de 2023 no lugar de Márcio França. O vice-governador de São Paulo na última gestão de Geraldo Alckmin (2015-2018) foi remanejado para o Ministério do Empreendedorismo, Cooperativismo e Economia Criativa, criado na gestão do petista.
- Daniela Carneiro — Celso Sabino (Turismo)
Lula trocou Daniela Carneiro por Celso Sabino no Ministério do Turismo em meio à pressão do União Brasil. Indicada pelo partido, ela rompeu com a sigla.
- G. Dias — general Amaro (Gabinete de Segurança Institucional)
O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Gonçalves Dias, popularmente chamado de G. Dias, foi o primeiro ministro a deixar o cargo na gestão Lula, em abril de 2023. Ele pediu demissão depois de aparecer em imagens do circuito interno de TV do Palácio do Planalto sem confrontar invasores que depredaram o prédio nas manifestações do 8 de janeiro. O general Marcos Antônio Amaro dos Santos assumiu o cargo em maio.
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Revista Oeste, com informações da Agência Estado





































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