A Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) aprovou, nesta terça-feira, 14, a concessão da Comenda Dois de Julho, a mais alta honraria do Parlamento baiano, ao empresário Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão. A homenagem, proposta pelo deputado estadual Diego Castro (PL), será concedida de forma póstuma e entregue à família do homenageado.
Clezão nasceu em 17 de julho de 1977, no distrito de Ramalho, em Feira da Mata (BA). Casado havia mais de 25 anos e pai de duas filhas, construiu sua vida no Distrito Federal, onde mantinha um comércio na Colônia Agrícola 26 de Setembro. De acordo com o texto do projeto aprovado pela Alba, Clezão era “um homem de princípios, patriota e defensor da liberdade”.
Receba nossas atualizações
+ Leia mais notícias de Política em Oeste
Em 8 de janeiro de 2023, ele foi a Brasília para participar de manifestações diante dos prédios dos Três Poderes. Preso naquele dia, foi encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda, onde permaneceu “injustamente, sem ter cometido qualquer crime” por cerca de dez meses, conforme destaca o projeto.
O empresário era portador de comorbidades decorrentes da covid-19, fazia uso de nove medicamentos diários e recebia acompanhamento médico regular. “Dentro da prisão, foi privado do tratamento adequado: os remédios levados pela família chegavam com atrasos de até 40 dias, e ele ficou sem atendimento médico especializado”, afirma a justificativa do projeto.
A Procuradoria-Geral da República chegou a solicitar sua soltura em setembro de 2023, mas o pedido não foi despachado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. Clezão morreu em 20 de novembro daquele ano, depois de sofrer uma série de paradas cardíacas durante o banho de sol. O socorro teria demorado cerca de 40 minutos.
Responsável pela homenagem, Castro afirma que “a morte de Clezão nas dependências do sistema penitenciário é um episódio que não pode ser encarado como um fato isolado, mas sim como consequência direta da desídia judicial”. O texto prossegue e destaca que o caso “revela uma negligência das autoridades judiciais em sua forma mais cruel no que tange aos presos em razão do 8 de janeiro”.
Leia mais:
“Clezão é herói da nossa pátria”
Em vídeo divulgado depois da aprovação, Castro afirmou que “Clezão, oficialmente, é herói da nossa pátria e do nosso Estado”. Segundo o deputado baiano, a homenagem “não se trata apenas de um título”, mas sim de “reescrever a nossa história da maneira correta que ela deve ser escrita”.
O parlamentar também declarou que “nossos heróis não morreram de overdose, morreram lutando pela nossa liberdade”. Ele anunciou que a cerimônia de entrega deverá contar com a presença da mulher e das filhas de Clezão, além de figuras de destaque da direita brasileira, com o objetivo de “fortalecer a luta pela anistia”. A data da solenidade ainda não foi definida.
Criada em 1999, a Comenda Dois de Julho é concedida a pessoas que contribuíram para o desenvolvimento político e administrativo da Bahia e do Brasil. Entre os já agraciados estão a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil).
Leia também: “A anistia inevitável”, artigo de Augusto Nunes e Branca Nunes publicado na Edição 255 da Revista Oeste
Em evento com Lula, Motta é vaiado e ouve gritos de ‘sem anistia’
Anistia: projeto de redução de penas continua parado na Câmara
Alcione homenageia Moraes em show com gritos de ‘sem anistia’
Deus derrame sobre a família desse patriota, benção sem medida. Que os seus tort***dores estejam em tuas poderosas mãos , pois acreditamos que tua é a vingança.
Não sei como
Ele conseguiu num Estado dominado pela esquerda. Isto aumenta a importância do feito. Uma homenagem justa, apesar desta comenda já ter dada a
Figuras insignificantes