A Polícia Federal confirmou o que os corredores do mercado financeiro já sussurravam havia meses: Daniel Vorcaro contratou um publicitário para produzir dossiês sobre André Esteves, do BTG Pactual — vasculhando dados pessoais, financeiros e sigilosos do rival, ao longo de todo o ano passado. Do outro lado do ringue, suspeita-se que o próprio Esteves tenha municiado a imprensa com os podres do adversário. Ninguém, nessa novela, tem as mãos limpas.
O que interessa aqui não é decidir quem começou — é reconhecer o gênero da disputa. Não estamos diante de uma rivalidade empresarial, com seus ritos protocolares de concorrência leal. Estamos diante de dois cafetões brigando pelo controle de um ponto de prostituição, cada um convencido de que a esquina é sua por direito de nascença. O ponto, aqui, não fica numa avenida qualquer: fica em Brasília, e as prostitutas do arranjo usam terno, atendem por “excelência” e circulam com escolta do Estado.
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As mensagens vazadas de Vorcaro mostram a mecânica exata desse proxenetismo institucional: reguladores que “pedem” reuniões, autoridades que precisam ser “agradecidas” por proposta de compra, bancos centrais que funcionam menos como árbitros e mais como cafetinas de segunda categoria, cobrando pedágio de visibilidade e favor. Não é à toa que o próprio Vorcaro, em seu vocabulário privado, tratava suas relações de bastidor com o léxico do meretrício — e é doloroso constatar quão adequada a metáfora se revela quando aplicada à política brasileira em bloco.
Porque, ao fim, o que essa guerra revela não é a corrupção de dois banqueiros isolados. É a estrutura inteira de um sistema em que o poder público se aluga por hora, e cada facção empresarial mantém seu próprio estábulo de servidores dispostos. Esteves e Vorcaro brigam pelo território. Os políticos, mansamente, seguem atendendo os fregueses de plantão.
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