A presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado deve ser definida durante votação na sessão desta terça-feira, 4. Enquanto a oposição define o apoio aos senadores Magno Malta (PL-ES) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a ala esquerdista tenta emplacar nomes ligados ao governo: Fabiano Contarato (PT-ES) e Jaques Wagner (PT-BA).
A decisão do nome da oposição para presidir a CPI do Crime Organizado ainda depende de articulações internas, em decorrência apenas da condição de saúde de Magno Malta.
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O parlamentar recentemente passou por procedimentos médicos e tem se ausentado de algumas agendas parlamentares por conta da sua recuperação. Flávio Bolsonaro aparece como a segunda opção — o parlamentar já preside a Comissão de Segurança Pública do Senado.

O senador Márcio Bittar (União-AC) confirmou em vídeo que a preferência recai sobre os dois nomes, mas que a opção “natural” para presidir o colegiado é Magno Malta.
“Malta tem experiência, autoridade moral e é símbolo da luta contra o crime organizado”, destacou. “Mas se por algum motivo de saúde ele não puder assumir, o senador Flávio Bolsonaro está pronto para essa missão.”
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), também confirmou o favoritismo ao nome de Magno Malta na presidência. Assim como Bittar, a parlamentar destacou que a oposição está organizada para indicar um único nome para garantir a vitória.

Em relação ao relator da CPI, Bittar destacou que há conversas com integrantes do colegiado do chamado centrão para apoiar Alessandro Vieira (MDB-SE) — o propositor da criação da comissão.
“Nós conversamos com o centro, e há um entendimento para que a relatoria fique com alguém desse grupo, em uma composição que garanta equilíbrio, sem prejudicar o trabalho da CPI”, explicou. “O importante é que ela comece logo, com foco em resultados e sem partidarização.”
Papel da CPI do Crime Organizado
Na análise do senador Bittar, a comissão deve ter papel central nas próximas semanas, com foco em investigar o avanço das facções criminosas e as relações suspeitas entre o crime e setores do Estado, especialmente nos casos do Rio de Janeiro, Bahia e Ceará — estados que concentram os maiores índices de violência e disputas de território.
“Essa CPI nasce num momento em que o Brasil clama por respostas”, alertou o senador acreano. “O crime está organizado, e o Estado não. Precisamos inverter essa lógica.”

A senadora Damares Alves também se manifestou sobre o tema, destacando a importância da comissão como resposta institucional ao colapso da segurança pública do país.
“Essa CPI é uma necessidade urgente”, afirmou. “O que está acontecendo nas comunidades é uma tragédia humanitária. O Estado precisa retomar o controle e mostrar que bandido não tem poder de mando.”
Damares reforçou o papel da oposição na condução da investigação: “Não pode haver blindagem para criminosos”. “Essa CPI tem que ser dura, técnica e transparente, e o Senado precisa estar à altura da dor das famílias que vivem sob o domínio das facções”, afirmou.
Base governista
Enquanto isso, no bloco governista, o movimento é outro. Senadores como Fabiano Contarato (PT-ES) e Jaques Wagner (PT-BA) surgem como opções da base aliada para tentar “sequestrar” a comissão. A estratégia do Planalto é evitar o desgaste político próximo ao período eleitoral.
A composição do colegiado, contudo, indica uma maior presença de senadores da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os nomes confirmados estão, além de Flávio Bolsonaro e Magno Malta:
- Sergio Moro (União-PR);
- Marcos do Val (Podemos-ES); e
- Eduardo Girão (Novo-CE).
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