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No Ponto

Disputa por contrato milionário em São Paulo é o pano de fundo de denúncia do Intercept contra a família Bolsonaro

Briga por edital do WiFi Livre SP envolve empresas ligadas ao executivo Mauro Motoryn, parente de um dos editores do site de esquerda

Flávio, Jair, Eduardo e Carlos viraram alvo do Intercept Brasil | Foto: Reprodução/Flickr/Jair Bolsonaro
Flávio, Jair, Eduardo e Carlos viraram alvo do Intercept Brasil | Foto: Reprodução/Flickr/Jair Bolsonaro

A disputa por contratos do programa WiFi Livre SP está na origem da crise que envolve a organização não governamental (ONG) Instituto Conhecer Brasil, a produtora GoUp Entertainment e o filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com informações obtidas por Oeste, a ofensiva que pôs a empresária Karina Ferreira da Gama no radar do Ministério Público (MP) e do Supremo Tribunal Federal (STF) começou antes mesmo da publicação das reportagens do site Intercept Brasil sobre Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o financiamento do longa-metragem.

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O Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina, passou a integrar o programa WiFi Livre SP em 2024, depois de ser selecionado em edital da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia da Prefeitura de São Paulo. Criado pela administração municipal para ampliar o acesso gratuito à internet em regiões de maior vulnerabilidade social, o WiFi Livre SP prevê a instalação de pontos de conectividade em favelas da capital paulista.

O atual ciclo de expansão do programa previa a instalação de 5 mil pontos de internet gratuita. Contudo, em razão de problemas orçamentários, a prefeitura reduziu a meta para 3,2 mil pontos. O valor do contrato, inicialmente estimado em R$ 108 milhões, também caiu para R$ 69,2 milhões.

A articulação da Surf Telecom

Antes da entrada da ONG, o WiFi Livre SP orbitava principalmente empresas privadas do setor de telecomunicações. Uma delas era a Surf Telecom, operadora já ligada a fases anteriores do programa municipal de conectividade. No edital de 2024, a Surf acabou rejeitada pela prefeitura, em razão de inconsistências apontadas pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), órgão responsável pela fiscalização de contratos e serviços ligados à administração municipal.

Com o objetivo de aumentar a competitividade do edital, a prefeitura abriu espaço para entidades do terceiro setor participarem da expansão do programa. O Instituto Conhecer Brasil venceu o certame e contratou empresas especializadas para executar a parte técnica da operação. A Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda. foi uma das companhias responsáveis pela instalação, manutenção e suporte dos links de internet utilizados em favelas atendidas pelo programa.

Empresários ligados ao setor afirmam que a Surf, conhecida em Brasília pelo lobby no segmento de telecomunicações, pressionou pela descontinuidade do contrato do instituto com a prefeitura. Esse movimento envolveu tentativas de retirar a ONG de áreas estratégicas da expansão da rede comunitária por meio da cooptação da Ultra IP.

Documentos obtidos por Oeste mostram que a articulação com a Ultra IP virou caso de polícia. Em inquérito instaurado pelo 78º Distrito Policial dos Jardins, em São Paulo, a Polícia Civil relata que o Instituto Conhecer Brasil acusou a Ultra IP de interromper cerca de 800 links de internet instalados em comunidades vulneráveis atendidas pelo WiFi Livre SP. Segundo a ONG, a Ultra IP apresentou “reiterados descumprimentos”, “inconsistências técnicas e administrativas” e resistência para corrigir problemas apontados durante a execução do contrato.

Karina Ferreira da Gama relatou à Polícia Civil uma tentativa de extorsão por parte da Ultra IP, com cobrança de aproximadamente R$ 2,5 milhões. Segundo o inquérito, a empresária afirmou ter sofrido “pressões indiretas”, ameaça de exposição midiática e divulgação de informações internas do instituto se o montante não fosse pago.

As ligações do Intercept com a Surf

O conflito empresarial ganhou novos capítulos depois que o Intercept Brasil passou a publicar a série de reportagens sobre Flávio, Vorcaro e o financiamento de Dark Horse.

Um dos autores das publicações é o jornalista Paulo Motoryn, editor do site de esquerda. Ele é parente de Mauro Motoryn, atual diretor de desenvolvimento da Surf Telecom — empresa que orbitava o ecossistema do WiFi Livre SP antes da entrada do Instituto Conhecer Brasil no programa municipal de conectividade.

Mauro atua há décadas nos bastidores dos mercados de publicidade institucional, telecomunicações e comunicação política da capital federal. Durante o primeiro governo Lula, ganhou projeção nacional no setor publicitário pela proximidade com nomes centrais do escândalo do Mensalão, como o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, o ex-presidente do Banco Popular Ivan Guimarães e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Em 2008, ganhou influência em Brasília durante a disputa pelos contratos de publicidade do governo federal enquanto presidia a agência 141 Brasil Comunicação, ligada ao grupo internacional WPP. No governo Dilma Rousseff, atuou como gerente de projeto da Secretaria Nacional de Juventude.

Em entrevistas recentes, Mauro assumiu posições políticas alinhadas ao campo da esquerda. Ao site Brasil 247, por exemplo, classificou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “grande estrela” das Diretas Já. Em artigo publicado no site Congresso em Foco, disse ser militante desde a juventude, criticou o governo Bolsonaro e defendeu políticas públicas inspiradas nos governos petistas.

Nos últimos anos, Mauro passou a atuar no setor de telecomunicações e hoje ocupa posição estratégica na Surf Telecom, operadora ligada a projetos de conectividade social, operadoras virtuais e expansão de internet em regiões periféricas.

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A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].

7 comentários
  1. Marcelo DANTON Silva
    Marcelo DANTON Silva

    Sempre as pessoas de esquerda…SEMPRE!! Camelôs e os lojistas árabes, Perueiros TransCooper, ONGs de assistencia a cracudos, FEBEM e os consultores de rebelião no Belenzinho, iiixxxiii.. alista é longa e a esquerdalha mapeou TUDO e ocupa espaço…
    QUANDO confrontados…apelam para notorios parceiros bandidos.
    MAS o sistema policial bostileiro não consegue prender…será que fazem parte também??!!
    MÁFIAS do ORÇAMENTO público!
    Antiga, Cruel, Incivilizada e assassina..seja de corpos ou de reputações de quem ousa contraria-los .
    SÓ SE RESOLVE COM PRISÃO….opsss Não temos judiciário honesto e muito menos apartado policial digno.

  2. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Sãp bandidos, puros mafiosos, a senhora Karina tem que se proteger. Esses bandidos estão atrelados no PT/lula/dilma há tempos, já aprenderam tudo de ruim.

  3. Fabio R
    Fabio R

    A Revista Oeste quer de qualquer forma tirar o Flavio da disputa… Vergonhoso!

  4. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    RESPONDAM SE PUDEREM… A OESTE AINDA FAZ JORNALISMO SÉRIO ?
    SE SIM , MUDEM A ROTA !

  5. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    SIGA O DINHEIRO E VAI ENCONTRAR OS BANDIDOS… SEMPRE GRANA !
    SE PROCURAR MAIS , VÃO CHEGAR NO PÂNTANO !

  6. Adriana Porto
    Adriana Porto

    Ou seja, a Revista Oeste, já estava de posse dessa informação antes de iniciar os ataques contra o Flávio (ja que nitidamente apoia o Tarcísio e quero enfatizar que não tenho nada contra DESDE que não ataquem os Bolsonaro injustamente , precipitadamente e maquiavelicamente ). Acho que a Revista poderia fazer uma reportagem inocentando o Flávio se não quiser se igualar ao lixo ideológico pseudojornalista chamado Intercept.

  7. Moisés Fróes
    Moisés Fróes

    Surf , surfando com a esquerdalha, Flávio não vai deixar a Surf surfar igualmente na roubalheira do Luladrão. Surf, Mauro, Luladrão Todos bandidos.

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