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No Ponto

Diretórios estaduais do PL querem barrar candidaturas de bolsonaristas ao Senado

Movimento já atinge 5 Estados e expõe disputa entre cúpula do partido e aliados do ex-presidente

Jair Messias Bolsonaro em visita ao Rio Grande do Sul | Foto: Rafael Dalbosco/Thenews2/Zumapress
Aliados de Bolsonaro devem insistir nas indicações à Casa Alta | Foto: Rafael Dalbosco/Thenews2/Zumapress

Diretórios estaduais do Partido Liberal (PL) passaram a boicotar candidaturas ao Senado que tiveram apoio explícito do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão das lideranças estaduais abriu uma disputa interna entre aliados do ex-chefe do Executivo e setores da legenda que priorizam acordos locais, alianças com outros partidos e nomes mais alinhados à cúpula partidária. O conflito já aparece em Roraima, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.

O caso mais recente ocorreu em Roraima. O deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), um dos principais aliados de Bolsonaro, transferiu o domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Boa Vista com a intenção de disputar uma vaga ao Senado em 2026. A reação do diretório estadual do PL foi imediata. Em nota pública divulgada na última terça-feira, 24, a sigla afirmou ter recebido “com surpresa” a decisão de Hélio e disse que o movimento se deu de forma “unilateral”, sem comunicação prévia à direção local nem à cúpula nacional do partido. No texto, as lideranças estaduais afirmam que anúncios desse tipo “geram insegurança, desorganizam o ambiente de diálogo e podem comprometer os esforços que vêm sendo conduzidos”.

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Nos bastidores, a reação foi lida como um recado político contra candidaturas patrocinadas por Bolsonaro. A direção local já trabalhava com outro desenho para 2026: lançar ao Senado o prefeito de Boa Vista, Arthur Henrique (MDB), e deixar a segunda vaga em aberto para composição. A entrada de Hélio, portanto, expôs a resistência do diretório a aceitar um nome do núcleo bolsonarista vindo de fora do Estado.

Crise no PL se estende a outros Estados

Em Santa Catarina, o impasse envolve a formação da chapa com a Federação União Brasil–PP. O desenho inicial previa a candidatura da deputada federal Carol De Toni ao Senado, enquanto o senador Esperidião Amin disputaria a reeleição com apoio da aliança. O cenário mudou com a entrada de Carlos Bolsonaro na disputa, o que embaralhou o acordo e abriu uma crise com os aliados. Depois de a cisão se tornar pública, o PL decidiu encaminhar duas candidaturas do próprio partido: Carlos e Carol.

Em Mato Grosso do Sul, a direção local do PL avançou em negociações com o ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado estadual Capitão Contar, ignorando a preferência de Bolsonaro pelo deputado federal Marcos Pollon. Este último chegou a receber apoio público da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e dos demais integrantes da família.

No Ceará, o conflito ganhou contornos públicos quando o deputado federal André Fernandes passou a articular apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual. A movimentação desagradou Michelle Bolsonaro e esfriou as negociações internas. Mesmo assim, interlocutores mantêm aberta a possibilidade de um acordo que inclua o apoio dos tucanos ao ex-deputado Alcides Fernandes (PL) ao Senado.

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Em São Paulo, a indefinição também reflete a disputa entre as diferentes alas. Com a provável ausência de Eduardo Bolsonaro na corrida, aliados do ex-presidente defendem o nome do deputado estadual Gil Diniz. Já outro grupo do PL trabalha pela candidatura da deputada federal Rosana Valle, que conta com apoio do governador Tarcísio de Freitas. Também circulam nomes como Guilherme Derrite (PP), Mário Frias (PL) e Marco Feliciano (PL).

No Rio de Janeiro, a decisão do PL de apoiar o governador Cláudio Castro e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, deixou fora da disputa o deputado federal Carlos Jordy, outro aliado próximo de Bolsonaro. Outros partidos sondaram Jordy, a fim de lançá-lo ao Senado.

Diante do aumento das tensões, a direção nacional do PL passou a atuar para conter a crise. Dirigentes têm procurado os pré-candidatos preteridos para oferecer estrutura robusta de campanha à reeleição na Câmara, em troca da desistência da disputa ao Senado. No entanto, aliados de Bolsonaro devem insistir nas indicações à Casa Alta.

A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].

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3 comentários
  1. Lauro Patzer
    Lauro Patzer

    Bolsonaro tem capital político. Tem ascendência popular. E suas indicações encontrar respaldo, menos entre os velhos interesseiros. E Flávio Bolsonaro já mostra fôlego para concorrer e para vencer.

  2. RENATO
    RENATO

    O PL age com total imbecilidade política. A esquerda é muito mais organizada pois não admite conflitos internos.
    A liderança de BOLSONARO É INDISCUTÍVEL e a população votará em quem ele apoiar.
    Simples assim!

  3. Mariza
    Mariza

    Que absurdo! Momento de união, não de divisão.
    Tudo o que os inimigos da democracia querem! 😢😢😢

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