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No Ponto

Silveira quer ajustes em tornozeleira depois de autorização para trabalhar no Rio

Advogado do ex-deputado federal afirma que regras atuais podem gerar registros indevidos de descumprimento da pena

Daniel Silveira é homenageado por parlamentares que destacam sua trajetória na segurança pública e no Congresso Nacional | Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados
O ex-deputado federal Daniel Silveira foi condenado a mais de 8 anos de prisão por supostas ameaças a ministros do STF | Foto: | Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

Nesta terça-feira, 16, a defesa de Daniel Silveira apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um novo pedido relacionado ao cumprimento da pena do ex-deputado.

Conforme a petição obtida em primeira mão pela coluna, o advogado Michael Robert quer ajustar o monitoramento eletrônico, depois da decisão que autorizou a circulação de Silveira entre Petrópolis e a capital fluminente para exercer atividade profissional.

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Robert protocolou a ação poucos dias após o ministro Alexandre de Moraes autorizar a flexibilização do regime imposto ao ex-parlamentar.

A decisão permitiu que Silveira trabalhe durante os dias úteis no Rio e retorne à residência da família, na região serrana, aos fins de semana, medida que contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

+ Moraes autoriza Daniel Silveira a trabalhar no Rio

No novo documento, a defesa explicou que a tornozeleira eletrônica pode registrar, equivocadamente, supostos descumprimentos das condições impostas pelo STF em situações envolvendo feriados nacionais, estaduais ou municipais.

A defesa destacou que a decisão de Moraes foi proferida “com extrema sensibilidade e equilíbrio” ao compatibilizar a fiscalização estatal com o direito ao trabalho e à reinserção social do ex-deputado.

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Segundo a petição, a autorização permitiu que Silveira exerça regularmente suas atividades profissionais “preservando sua reinserção social, sua dignidade e seu sustento, sem qualquer prejuízo ao cumprimento das medidas cautelares impostas”.

Possível conflito no sistema de monitoramento

O principal argumento apresentado ao STF é que algumas datas do calendário podem gerar conflito entre os perímetros geográficos autorizados para circulação e os parâmetros utilizados pela central responsável pela tornozeleira eletrônica.

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A defesa citou como exemplo a hipótese de um feriado nacional ocorrer em uma sexta-feira. Nessa situação, Silveira teria de observar simultaneamente o recolhimento previsto para o feriado e a obrigação de retornar a Petrópolis até as 22 horas, conforme estabelecido na decisão judicial.

“Nesse cenário, poderá surgir controvérsia acerca do local em que o monitorado deveria permanecer”, afirma a petição. 

Segundo a defesa, o sistema poderia interpretar como obrigatória a permanência em Petrópolis, enquanto as regras do feriado poderiam exigir recolhimento no Rio de Janeiro, onde o ex-deputado estaria regularmente durante a semana.

Outro exemplo dado pela defesa seria no caso de um feriado coincidir com uma segunda-feira. Nessa situação, Silveira permaneceria regularmente em Petrópolis durante o fim de semana prolongado, mas o sistema poderia apontar ausência indevida do perímetro correspondente à capital fluminense.

Pedido tem caráter preventivo

A defesa enfatizou que não houve qualquer descumprimento das determinações impostas pelo STF e afirma que o pedido foi apresentado justamente para evitar problemas futuros.

“Busca-se apenas evitar que o fiel cumprimento da determinação judicial venha a ser interpretado como descumprimento em razão de circunstâncias não contempladas expressamente na parametrização do monitoramento eletrônico”, ressaltou o advogado.

Em outro trecho, a petição afirma que “tais ocorrências poderão sugerir, de forma injusta, eventual descumprimento cautelar por parte de quem, na verdade, estará rigorosamente observando a decisão judicial”.

“A boa-fé do requerente se evidencia justamente pela presente manifestação, apresentada antes mesmo da ocorrência de qualquer intercorrência”, destacou Robert no documento.

O que a defesa pede ao STF

Diante da situação, o advogado solicitou que Moraes analisasse um pedido subsidiário já apresentado anteriormente nos autos ou, alternativamente, determine à Central de Monitoramento a adequação dos parâmetros utilizados pela fiscalização eletrônica.

O objetivo é que feriados coincidentes com segundas ou sextas-feiras não gerem alertas automáticos incompatíveis com as autorizações concedidas pelo Supremo.

Segundo a petição, a medida busca evitar “apontamentos indevidos de descumprimento cautelar decorrentes do conflito entre os perímetros autorizados”.

A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].

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