“Estou cansado do ódio dele.” Essas foram as palavras proferidas por Tyler Robinson, assassino confesso de Charlie Kirk, ativista que cometeu o “crime” de debater ideias em universidades e recebeu uma pena de morte, deixando duas crianças sem pai. Essa brutalidade tem muito a nos ensinar sobre os rumos que nossa sociedade está tomando. Revela como uma mentalidade que confunde discordância com agressão vem se espalhando, impondo sua visão de mundo a todo custo e sem medir as consequências de seus atos.
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Não é um caso isolado, mas sim de uma cadeia sistêmica de eventos que tornaram a sociedade elástica à violência como um veículo político eficaz para a imposição de ideais que miram a eliminação da liberdade. A novidade não é o modus operandi, mas a tolerância a essas ações. Em 2020, os protestos denominados Black Lives Matter, cujo estopim foi o trágico assassinato de George Floyd, resultaram em uma onda de vandalismo, agressões e desrespeito às liberdades individuais, em que 67% dos americanos apoiavam o movimento em seu auge. O mundo se tornou woke com o respaldo da mídia tradicional enquanto atletas se ajoelharam durante a execução do Hino Nacional. A lição estava dada: quando a causa parece suficientemente justa, a violência se torna uma ferramenta aceitável. Cinco anos depois, Tyler Robinson aplicaria essa mesma lógica ao apertar o gatilho.
Em dezembro de 2024, um jovem de 26 anos membro de uma proeminente família de Baltimore assassinou com três tiros pelas costas o CEO da United Healthcare, Brian Thompson, casado e pai de duas crianças. Os motivos, descritos em um manifesto, revelavam sua insatisfação com a indústria dos planos de saúde. Esperava-se que esse ato de covardia fosse rechaçado pela população, mas não foi o que ocorreu: manifestações em favor de Luigi Mangione, o assassino, foram vistas ao redor do mundo; pichações em Marselha o chamavam de “herói do povo”; cerca de 28 mil doações foram realizadas para custear sua defesa, somando aproximadamente US$ 1 milhão.
Uma pesquisa realizada pela Emerson College Polling revelou que 41% dos entrevistados entre 18 e 29 anos acreditam que o assassinato de Brian Thompson foi, de alguma forma, aceitável. Os holofotes se voltaram para Luigi Mangione, enquanto a família de Brian Thompson permaneceu esquecida. Novamente, uma causa percebida como justa serviu de álibi para o uso da violência.

Donald Trump se tornou uma vítima do mesmo falso senso de justiça apresentado nos casos anteriores — e quase perdeu a vida. Em julho de 2024, uma falha constrangedora do Serviço Secreto permitiu que um homem de 20 anos chegasse a centímetros de assassinar o então candidato à presidência. O atirador foi abatido no local, mas as circunstâncias do incidente permanecem nebulosas. A tolerância à violência se manifestaria em números concretos: uma pesquisa do Network Contagion Research Institute revelou que cerca de 55% das pessoas de centro-esquerda acreditam existir justificativa para o assassinato de Trump. Meses depois, uma segunda tentativa ocorreria em um campo de golfe na Flórida.
Houve um tempo em que a distinção entre palavras e violência era evidente até para crianças. Hoje, essa linha foi deliberadamente apagada por instituições que deveriam preservá-la. A ressignificação do conceito de violência começa na academia, onde termos como “violência simbólica” e “microagressões” passaram a ser equiparados à violência física real, criando uma distorção semântica que foi sendo progressivamente institucionalizada em universidades e corporações.
A violência simbólica, conceito de Pierre Bourdieu, já nasce falha: propõe que a transmissão cultural de valores dominantes constitui uma forma de violência. Essa equiparação entre herança cultural e agressão física é o erro original, não uma distorção posterior, mas a própria semente da confusão. As microagressões transformaram interações cotidianas em ofensas graves: perguntar de onde alguém vem pode ser rotulado como agressão. A lógica perversa está estabelecida: se palavras são violência, a violência física torna-se autodefesa legítima. Da academia, essas ideias migraram para o mercado de trabalho através de jovens profissionais que exigem sua implementação corporativa. Empresas, temendo represálias ou buscando aprovação social, criaram departamentos de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) que institucionalizaram essa confusão conceitual. Criou-se uma geração que vê violência onde há apenas palavras e vê justiça onde há apenas assassinato.
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Depois de instituído e aceito esse comportamento, a dinâmica das redes sociais o impulsiona e o perpetua. Esse fenômeno é evidente principalmente no caso de Charlie Kirk, cujo assassinato gerou uma onda de comemorações nas redes sociais. Com poucos cliques, é possível encontrar vídeos de estudantes celebrando a sua morte, além de comentários desprovidos de empatia. A mecânica é relativamente simples: opiniões que chocam são impulsionadas pelos algoritmos, chegando em mais pessoas alinhadas ou propensas a serem alinhadas com essa perspectiva, que reproduzem e escalam ainda mais tais posicionamentos em busca de mais likes. Se o que é extremo choca e dá visibilidade, então cada vez mais pessoas em busca de validação social irão ao extremo para obter engajamento, criando uma desumanização digital: assassinatos se tornam apenas conteúdo para consumo, e a morte de um pai de família vira oportunidade para engajamento.
A espiral pode ser revertida, mas exige que enfrentemos ideias incômodas sem recorrer à força. É doloroso ouvir discursos que contradizem nossos valores mais profundos, mas esse é precisamente o preço da liberdade em uma sociedade plural. A resposta não está em silenciar pela violência, mas em exercer nosso direito de discordar, de nos afastar, de escolher. Empresários podem demitir funcionários que celebram assassinatos; cidadãos podem praticar o ostracismo social contra quem glorifica a violência; universidades podem voltar a ensinar que debate robusto não é agressão.
Cada um de nós tem o poder de rejeitar essa confusão entre palavras e ações, de recusar instituições que a promovem, de educar a próxima geração sobre a diferença fundamental entre um argumento e um soco. A distinção entre discurso e violência não é apenas um princípio filosófico: é a linha que separa a civilização da barbárie. Charlie Kirk debatia ideias; Tyler Robinson respondeu com balas. Cabe a nós decidirmos qual desses caminhos nossa sociedade seguirá. A escolha ainda é nossa, e há esperança enquanto houver quem se recuse a cruzar essa linha.
* Thales Batiston Marques é associado do Instituto de Formação de Líderes de São Paulo (IFL-SP).






































Sempre houve violência mas à medida que os Estados ,a educação (vídeo professores agredidos) e o judiciário ( soltam bandidos todos os dias) ,estimulam o crime, a civilização quer recomeçar da pedra lascada. Há ex juiz que queria recivilizar o que ele ajudou a incivilizar .
Comecemos pelos brinquedinhos infantis de abate . Desde o soldadinho de guerra até programinhas inocentes de extermínio