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Economia

Petróleo vai a US$ 105 com mercado atento a negociações entre EUA e Irã

O movimento reflete a apreensão dos investidores diante do impasse entre Washington e Teerã

Navio-tanque, responsável pelo transporte de petróleo | Foto: Reprodução/ Gov.Br
Navio-tanque, responsável pelo transporte de petróleo | Foto: Reprodução/ Gov.Br

A instabilidade nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que envolvem o conflito com Israel, provocou forte alta nos preços do petróleo nesta terça-feira, 28. O barril Brent para julho saltou 4,05% e atingiu US$ 105,81, enquanto o WTI negociado nos EUA subiu 5,64%, alcançando US$ 101,81 para contratos de junho.

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O preço do Brent registrou seu maior valor desde quinta-feira 23, quando chegou a US$ 107,37. O dia começou com o barril a US$ 101, subiu para US$ 104,24 por volta das 2h30 e atingiu o patamar máximo de US$ 105,81 às 8h45, segundo dados de mercado. O WTI não alcançava patamar semelhante desde 9 de abril, quando foi negociado a US$ 102,70.

Impasse no Golfo Pérsico e impacto no fornecimento

O movimento reflete a apreensão dos investidores diante do impasse entre Washington e Teerã. De acordo com o banco Goldman Sachs, o valor do petróleo pode chegar a US$ 120 caso o conflito persista. Na segunda-feira 27, a Casa Branca informou estar avaliando uma proposta iraniana para reabrir o Estreito de Ormuz, rota por onde circulam 20% da produção mundial de petróleo e gás.

As tensões no estreito levaram ambos os países a restringirem o tráfego na região, impactando o fornecimento global. Diante desse cenário, a Aramco comunicou que não enviará mais o GLP previsto para maio, segundo informações da Bloomberg. Os embarques já estavam suspensos desde 28 de fevereiro, quando instalações da empresa em Juaymah foram atingidas por mísseis iranianos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, reuniu sua equipe de segurança para analisar a proposta do Irã, que prevê flexibilização do controle iraniano sobre Ormuz e o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos, mantendo, porém, conversas sobre o programa nuclear do país.

Reações políticas e novas medidas iranianas

Em nota, o porta-voz do Ministério da Defesa iraniano, Reza Talaei Nik, declarou: “Os Estados Unidos já não estão em condições de ditar sua política às nações independentes”, ao acrescentar que Washington precisará “aceitar que deve abandonar suas exigências ilegais e irracionais”.

Leia também: “Irã não é Venezuela: por que é mais difícil derrubar o regime dos aiatolás”

O Parlamento do Irã trabalha em um projeto de lei para transferir a autoridade sobre o Estreito de Ormuz às Forças Armadas, ao proibir a passagem de navios israelenses e exigir que pedágios sejam pagos em moeda local.

Apesar das restrições, em abril, um navio que transportava 132,89 mil metros cúbicos de gás natural liquefeito atravessou o estreito, feito inédito desde o início do conflito, segundo a Kpler. O analista Charles Costerousse explicou que o metaneiro Mubaraz, da Adnoc, pode ter realizado a travessia entre os dias 18 e 19 de abril, com outros sete metaneiros que tentavam a mesma rota, embora a data exata ainda não tenha sido confirmada.

Reflexos nos mercados globais

No mercado financeiro, as principais bolsas asiáticas fecharam em queda nesta terça-feira, com recuo do índice CSI300 em 0,27% e queda do SSEC em 0,19%. Tóquio perdeu 1%, Hong Kong caiu 0,95% e Taiwan recuou 0,24%. Apenas Seul registrou alta de 0,39%. Já na Europa, o Euro STOXX 600 baixava 0,45% às 9h, acompanhando Frankfurt (-0,59%), Londres (-0,04%) e Paris (-0,36%), enquanto Milão e Madri operavam em alta de 0,55% e 0,32%, respectivamente.

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