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Zoológico em João Pessoa (PB) onde rapaz foi morto por leoa reabre

O parque estava fechado desde 30 de novembro, quando Gerson de Melo Machado entrou no recinto do animal

Zoológico em João Pessoa (PB) onde rapaz foi morto por leoa reabre
A leoa Leona; o zoológico informou que a felina "está saudável, não apresenta comportamento agressivo fora do contexto do ocorrido e não será sacrificada" | Foto: Reprodução/Instagram

O zoológico Parque Arruda Câmara, em João Pessoa (PB), reabre nesta quinta-feira, 18, depois de mais de duas semanas fechado devido à morte de Gerson de Melo Machado, de 19 anos, conhecido como “Vaqueirinho”. No último dia 30, o rapaz entrou no recinto dos leões e foi atacado por uma leoa.

Nesse período, o zoológico promoveu uma revisão completa das instalações, incluindo grades, barreiras e rotinas de manejo. O parque implementou monitoramento por câmeras com inteligência artificial, limitações no horário de funcionamento e proibição de alimentação dos animais pelos visitantes.

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“Foram revisadas estruturas, grades, barreiras, vigilância, fluxos internos, rotinas de manejo e normas operacionais, com relatórios técnicos e checklist de conformidade”, diz uma nota do zoológico. O horário de funcionamento agora é de quarta-feira a domingo, das 9h às 16h, e há distanciamento obrigatório dos recintos.

De acordo com Welison Silveira, secretário municipal de Meio Ambiente, o parque agora conta com mais agentes da Guarda Municipal e câmeras inteligentes integradas ao programa Smart City.

“As câmeras são com inteligência artificial, monitoram comportamentos suspeitos, faces com mandados de busca e apreensão”, disse ao portal Metrópoles. “Com isso, pessoas em situação suspeita serão identificadas pela inteligência artificial para evitar, inclusive, casos de furtos.”

A administração também adotou protocolos específicos para a leoa Leona, que passou a ser monitorada continuamente por veterinários. O local dos leões recebeu melhorias ambientais, e a equipe poderá suspender as visitas se houver qualquer risco à saúde do animal ou dos visitantes. A medida busca evitar novos incidentes, já que a felina deve atrair grande interesse do público.

Como parte das mudanças, funcionários participaram de treinamentos para reconhecer e amparar pessoas em situação de vulnerabilidade psíquica, a fim de evitar tragédias semelhantes à morte do jovem. De acordo com informações da Polícia Civil da Paraíba, Machado, que tinha histórico de transtornos mentais, conseguiu escalar uma parede de mais de 6 metros, ultrapassou as grades e acessou o recinto por uma árvore.

O episódio foi registrado em vídeo por visitantes presentes no dia do ocorrido. O laudo do Instituto Médico-Legal apontou choque hemorrágico causado por mordidas da leoa no pescoço do jovem, sem indícios de que o animal tenha consumido o corpo.

A Polícia Civil classificou o ocorrido como um “fato atípico” e não encontrou falhas na segurança do zoológico. O Ministério Público da Paraíba acompanha o caso com dois procedimentos abertos, ainda sem conclusão. O episódio evidenciou fragilidades sociais: Machado enfrentava pobreza extrema, abandono familiar e transtornos mentais não tratados.

Rapaz morto no zoológico tinha histórico de problemas mentais

Segundo Verônica Oliveira, conselheira tutelar que acompanhou Gerson de Melo Machado por oito anos, o jovem vivia sem apoio, em situação de vulnerabilidade. “Foi uma criança que sofreu todo tipo de violação de direito”, disse ao Metrópoles. “Filho de uma mãe com esquizofrenia, com avós também comprometidos na saúde mental, vivia numa pobreza extrema.”

Verônica relatou que conheceu o jovem quando ele tinha 10 anos, ao ser encontrado sozinho em uma rodovia pela Polícia Rodoviária Federal. Apesar de destituído do poder familiar, ele mantinha laços afetivos com a mãe, que não tinha condições de cuidar dele. “Ela, muitas vezes, foi levá-lo ao conselho e dizia que não era mais mãe dele”, relatou a conselheira. “Ela também é vítima da mente doente.”

Dos quatro irmãos, apenas Machado não foi adotado, devido à suspeita de transtorno mental. “A sociedade quer adotar crianças perfeitas, coisa impossível dentro do acolhimento institucional, onde só chegam por negligência extrema”, afirmou Verônica.

Desde a infância, Gerson expressava o desejo de ir à África para “domar leões” e falava sobre esse sonho nas conversas com o Conselho Tutelar. Em uma ocasião, tentou entrar clandestinamente em um avião para realizar o desejo.

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