publicidade
Brasil

Oceano Pacífico está no limite da La Niña; entenda como isso afeta o Brasil

Há 75% de chande do fenômeno ocorrer entre novembro de 2024 e janeiro de 2025

Mapa mostra La Niña
Anomalia global de temperatura da superfície do mar em 24 de outubro de 2024, mostra sinal de La Niña fraca no Pacífico Equatorial | Foto: Divulgação/Climate Change Institute University of Maine

O começo de novembro de 2024 não traz ainda a confirmação de um episódio da La Niña pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos. Desde o término do El Niño, no começo do outono, o Oceano Pacífico permanece em um estado de neutralidade climática.

Segundo o site Metsul, é possível observar uma faixa de águas mais frias no Pacífico, típica da La Niña, mas os critérios para sua confirmação ainda não foram atendidos. O mapa de anomalia de temperatura da superfície do mar revela essa tendência.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Brasil em Oeste

Nos últimos quatro meses, a anomalia média de temperatura na região, usada para identificar o fenômeno, registrou -0,4ºC. A situação permanece neutra, muito próxima à La Niña, segundo os dados mais recentes.

Além disso, outros fatores, como o padrão dos ventos alísios e o comportamento das chuvas na Indonésia e no Pacífico Oeste, não corroboram, até o momento, a declaração oficial do fenômeno.

Previsões da NOAA

La Niña é um fenômeno climático natural caracterizado pelo resfriamento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico
La Niña é um fenômeno climático natural caracterizado pelo resfriamento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O boletim mensal da NOAA, emitido em meados de outubro, sustenta a impossibilidade de garantir o fenômeno nos próximos meses. Segundo a MetSul, se o fenômeno ocorrer, será fraco e de curta duração, no limite da faixa de neutralidade.

Para o trimestre outubro a dezembro de 2024, as probabilidades indicadas são 71% para La Niña, 39% para neutralidade e 0% para El Niño. Já para o período de novembro de 2024 a janeiro de 2025, as previsões mostram uma chance de 75% de probabilidade de o fenômeno ocorrer.

No verão, entre dezembro e fevereiro, a NOAA estima 71% de chance de La Niña, 28% de neutralidade e 1% de El Niño. Essas probabilidades refletem a expectativa de um evento fraco e breve, caso se concretize.

No trimestre de janeiro a março de 2025, as chances de La Niña diminuem para 60%, com 38% de neutralidade e 2% de El Niño. De fevereiro a abril, as projeções são 46% para La Niña, 51% para neutralidade e 3% para El Niño.

Expectativas para 2025

Uma nova configuração se desenha no Oceano Pacífico | Foto: Reprodução/PXHere
Uma nova configuração se desenha no Oceano Pacífico | Foto: Reprodução/PXHere

O outono de 2025, de março a maio, é esperado com 32% de La Niña, 63% de neutralidade e 5% de El Niño, com tendência de neutralidade prevalente nos meses seguintes. O último boletim da NOAA, divulgado no começo desta semana, mostra que a anomalia de temperatura do Pacífico Equatorial Central-Leste está em -0,5ºC.

“Se a La Niña vier a ser declarada, o que consideramos possível porém duvidoso, a oficialização do começo do fenômeno se daria muito mais tardiamente do que o habitual”, informou a Metsul. “Normalmente, no inverno ou mais tarde, no começo da primavera.”

A Metsul Meteorologia, por sua vez, acredita que o estado neutro do Pacífico deve continuar no curto prazo, apesar das previsões da NOAA de 75% de probabilidade de La Niña.

Leia também: “Frente fria e La Niña: como será o clima em novembro”

“O que enxergamos para os próximos mostra dois possíveis cenários e são dois justamente porque as condições que esperamos são muito limítrofes”, afirmou a Metsul

No primeiro cenário, um evento do fenômeno se estabelece no fim da primavera e começo do verão, mas seria de intensidade fraca e de curta duração. O aquecimento do Pacífico Leste poderia contrabalançar os efeitos do resfriamento no Pacífico Central.

No segundo cenário, o Pacífico permaneceria em neutralidade, com anomalias de temperatura próximas aos valores de La Niña, sem, contudo, caracterizar o fenômeno. Mesmo que a NOAA venha a declarar um evento do fenômeno, é improvável que a agência de Meteorologia da Austrália (BoM) faça o mesmo.

A diferença entre os critérios das agências reside no patamar mínimo de anomalia: a NOAA considera -0,5ºC, enquanto a BoM exige -0,8ºC. Essa discrepância pode resultar em diferentes interpretações dos fenômenos climáticos.

Impacto global de La Niña

La Niña diminui a temperatura da superfície do oceano
La Niña é um fenômeno natural que, oposto ao El Niño, consiste na diminuição da temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico | Foto: Reprodução/Pixabay

O fenômeno La Niña impacta significativamente o clima global, com águas do Oceano Pacífico equatorial central e oriental mais frias do que o normal. Esse contraste com o El Niño, que aquece essas águas, faz parte do El Niño-Oscilação Sul (Enos), que influencia os padrões climáticos em todo o mundo.

Durante um evento de La Niña, as condições climáticas no Brasil são bastante variadas. No Sul do Brasil, por exemplo, o fenômeno tende a reduzir as chuvas, enquanto no Norte e no Nordeste, as precipitações aumentam. Isso eleva o risco de estiagens no Sul e em Mato Grosso do Sul, embora eventos de chuva intensa e inundações possam ocorrer.

O fenômeno também influencia as temperaturas. No Sul, o fenômeno favorece a entrada de massas de ar frio, que podem ocorrer de forma tardia no primeiro ano do evento e precocemente no outono do segundo ano. Em contrapartida, as estiagens aumentam a probabilidade de ondas de calor e temperaturas extremas durante o verão.

Leia também:

Em termos globais, a presença de La Niña tende a reduzir a temperatura média do planeta.

Leia também:

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade