Como boa parte da população mundial, em muito do meu tempo livre acabo girando vídeos e mais vídeos nas redes sociais por horas. E como amo futebol e jogador “véio”, é claro que o algoritmo me serve, quase sempre, conteúdos dos nossos craques do passado. Fico maravilhado relembrando os gols “impossíveis” de Ronaldo na Holanda, na Itália e na Espanha; com os dribles desconcertantes de Ronaldinho; com as faltas precisas de Zico no Maracanã; com as bombas inigualáveis da canhota de Rivellino pelo Corinthians e pela seleção. Mas, de verdade, feliz mesmo eu fico quando aparece um vídeo do nosso Mané Garrincha.
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Pessoal, sejamos francos: hoje em dia a gente não valoriza nem 10% do que o Anjo das Pernas Tortas fazia. Ele não era apenas um jogador espetacular que decidia jogos, como na Copa do Mundo de 1962. Garrincha era o espetáculo. Todo mundo parava para ver quando a bola caía em seus pés, porque dali jamais viria uma jogada protocolar. Sempre surgia algo inventivo, divertido e delicioso de se assistir.
Garrincha sempre foi a alegria do povo (principalmente do brasileiro). E, olhando para trás, penso que esse mesmo povo acabou o abandonando quando as cortinas de sua brilhante carreira se fecharam. É claro que houve o “Jogo da Gratidão”, em 1973, que reuniu craques do mundo inteiro e teve sua renda revertida para o mais famoso filho de Pau Grande.
Deveria ser “tombado” pelo Brasil
Mas a sensação que tenho é que Garrincha morreu, em 1983, aos poucos, diante dos nossos olhos: dominado pela bebida e, acima de tudo, pelo abandono coletivo. Às vezes me pergunto se o governo não poderia ter feito algo. Alguma intervenção, algum gesto oficial.
Garrincha deveria ter sido “tombado” pelo Brasil, declarado Patrimônio Cultural Imaterial, para que tivesse recebido a assistência necessária e vivido mais tempo ao nosso lado. “Ah, Milton Neves, mas o governo iria gastar dinheiro com isso? E o aposentado, que por tantos anos contribuiu, não mereceria o mesmo tratamento?” Claro que entendo esse argumento. Mas acontece que não dá para mensurar o tamanho do que Garrincha fez pelo sofrido povo brasileiro.
Garrincha, a alegria do povo brasileiro
Ele foi, por anos, a alegria da nossa gente, que via em seus lances geniais uma válvula de escape para a dureza do cotidiano. E creiam: tivesse nascido em outro país, podem ter certeza de que Garrincha teria recebido honrarias ainda mais significativas. Fosse argentino, haveria milhares de “Igrejas Garrinchianas” espalhadas por Buenos Aires. Se tivesse nascido nos Estados Unidos, talvez até mudassem o nome de Washington para Mané. Se italiano fosse, rivalizaria em popularidade até mesmo com o próprio papa.
Enquanto isso, aqui no Brasil, Garrincha ficou reduzido a uma lembrança doce, mas muitas vezes restrita a quem o viu jogar, já que, para as novas gerações, parece que o futebol nasceu nos anos 90. Por isso, enquanto estiver por aqui, sinto-me na obrigação de lembrar e homenagear um dos mais talentosos brasileiros de todos os tempos.
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Espero que você, amigo leitor, me ajude nesta missão. Lembremos, oremos e gritemos por Mané. As maravilhas que ele nos deu não podem jamais ser esquecidas. E abaixo, ouça a única vez que entrevistei Garrincha.
Foi em 1º de agosto de 1982, no programa Plantão de Domingo, da rádio Jovem Pan, na manhã em que a cidade de São Paulo vivia a expectativa de mais um clássico entre Corinthians e Palmeiras, que acabou com goleada alvinegra por 5 a 1, no Morumbi.
Leia também: “O Brasil sem Pelé”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 197 da Revista Oeste








































Garrincha e Botafogo, juntamente com Pelé e Santos são a definição do melhor futebol brasileiro.
caraca, colocaram um foto da seleção depois do tri como da final de 62, que feio!
Milton, lembro de sua passagem pela Rádio Colombo de Curitiba, cidade onde cresci e constitui minha família.
Tive o privilégio de ver o Mané jogar no Estádio Belfort Duarte, hoje Couto Pereira em Curitiba.
A última vez que entrei em um estádio foi em dezembro de 1983 levar meu filho no Belfort Duarte ver o Papai Noel descer de helicóptero.
Deixei de acompanhar futebol e aquele 7x 1 fiquei sabendo somente no dia seguinte.
olha o mimimi socialista: “o Papai ESTADO devia ter cuidado e ajudado o Garrincha quando ele virou alcoolatra, Papai ESTADo devia ter cuidado do maior de idade!” Ja pensaram que o garrincha tava feliz bebendo e que retirar a bebida de alguém ele não vai gostar e que vc estaria invadindo as decisões e escolhas dessa pessoa? se vc roubar a bebida e encher o saco dele pra fazer tratamento é algo que vai contra a vontade dele e que se vc fizer isso e aceitar pessoas anulando escolhas dos outros nós estamos permitindo que outros possam tambem invadir nossas vontades de escolhas como ir na religiao x ou y, ter ou nao um gato ou cachorro, jogar ou nao jogar video game, comer ou nao comer açucar, ter ou nao ter SAL na mesa de bar?! vai la, pede ou aceite que o PAPAI ESTADO gerencie sua vida, é isso que ta ocorrendo onde os filhos nao sao mais dos pais, e nem mais o PET é dos donos mas sim o ESTADO deixa os pais e tutores cuidarem sob vigilancia e ameaças de prisão e multas
ahh, esses perfis fake. O autor somente fez uma sugestão, no sentido de preservar a dignidade de quem gerou tanta coisa boa. Imagina quantos lojistas venderam mais camisas do Botafogo por conta do Mané, Quantas crianças jogaram futebol inspiradas no Mané. Algumas pessoas são patrimônio e você nem merece resposta por que é tão covarde que nem coloca o seu nome. Volte para a escuridão da sua vida e deixe de polemizar em um texto tão bonito e honesto.