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O dia em que Rodolfo Rodríguez fez o tempo parar!

Goleiro virou um dos ídolos do Santos

'Rodolfo Rodríguez, senhores, não era só goleiro', escreve Milton Neves | Foto: Divulgação/Santos FC
'Rodolfo Rodríguez, senhores, não era só goleiro', escreve Milton Neves | Foto: Divulgação/Santos FC

Ah, meus amigos, segurem-se nas cadeiras porque essa é uma das minhas histórias favoritas do mundo da bola.

Voltemos para o longínquo ano de 1984, uma quinta-feira à noite, em que até o vento da Vila Belmiro soprava nervoso.

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Santos e São Bento duelavam em uma partida extremamente disputada.

O Peixe precisava vencer para chegar ao domingão decisivo podendo empatar com o Corinthians e levar o caneco do Paulistão daquele ano.

Só que o São Bento — que estava mais fechado que cofre de banco suíço e motivado por um bicho gordo oferecido pelo Corinthians — não queria saber de brincadeira.

César abriu o placar para os visitantes e, depois que Humberto empatou o confronto, a equipe sorocabana passou a praticar o famoso antijogo: era jogador caindo por “falta do vento”, “câimbra no olho” e atendimento até para espirro.

Foi aí que surgiu o herói improvável da noite: Rodolfo Sergio Rodríguez y Rodríguez!

Já no limite da paciência — e com o cronômetro virando piada —, nosso gigante uruguaio não aguentou mais.

Como um touro bravo, saiu do gol, cruzou o campo e marchou até a rodinha de uma das encenações dramáticas com o árbitro Emídio Marques de Mesquita no centro do picadeiro.

Sem pedir licença, ele agarrou os pulsos do apitador com aquelas mãos que pareciam duas poltronas e mandou no espanhol mais uruguaio possível:

“¡Que passa? Que pasa, Emídio? ¡Mira, mira, no pasa nada… Esto és simulación!”

Meus amigos, foi ali que o tempo parou!

Literalmente!

Rodolfo apertou tão forte os punhos do árbitro que o relógio que marcava o tempo de jogo parou, o mundo girou mais devagar e até o Emídio ficou hipnotizado com a bronca do uruguaio!

Os acréscimos daquele jogo foram maiores que a fila do INSS: quase 10 minutos de “desconto” (algo extremamente incomum para a época) até o Peixe marcar com Humberto Suzigan o gol da virada, da vitória e do passaporte carimbado para o título, conquistado dias depois com gol do Serginho contra o Corinthians.

E tudo isso por causa de um aperto de mão!

Ou melhor, um aperto de pulso!

Rodolfo Rodríguez, senhores, não era só goleiro.

Era uma força da natureza!

E isso não é lenda, não: o próprio revelou a história, pela primeira vez, no glorioso Terceiro Tempo Marítimo, em alto-mar, no Navio Centenário do Peixe, ancorado em Búzios, no dia 5 de março de 2012.

E o pobre do Emídio Marques de Mesquita, coitado, acabou pagando o pato: foi suspenso ao vivo pelo então presidente da Federação Paulista, José Maria Marin, durante o programa Terceiro Tempo da Jovem Pan.

Sim, ao vivo, para todo o Brasil!

Enfim, meus amigos, o futebol era outro, os tempos eram outros, e os goleiros, bem… os goleiros eram gigantes como o Rodolfo Rodríguez!

Naquele dia, em um só lance, ele foi goleiro, juiz, cronometrista e justiceiro!

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