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Quadrilha usava oficina de fachada para desviar combustível de oleoduto no DF

Suspeitos cavaram túnel para acessar tubulação da Transpetro e furtar gasolina e diesel transportados entre SP e Brasília

A investigação mostra que o grupo ocupava o imóvel havia cerca de três meses | Foto: Divulgação/Polícia Civil do Distrito Federal
A investigação mostra que o grupo ocupava o imóvel havia cerca de três meses | Foto: Divulgação/Polícia Civil do Distrito Federal

Três homens foram presos pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) sob suspeita de furtar combustível de um oleoduto da Transpetro em Samambaia Norte. De acordo com a corporação, o grupo utilizava uma oficina mecânica de fachada e acessava a tubulação por meio de um túnel escavado sob o imóvel. Os agentes estimam que os criminosos tenham desviado entre 90 mil e 100 mil litros de combustível apenas na última semana de funcionamento do esquema.

As prisões ocorreram durante a Operação Estige, deflagrada na madrugada deste sábado, 6. De acordo com os investigadores, os bandidos utilizavam um imóvel comercial alugado às margens da DF-180 para acessar clandestinamente a tubulação que transporta combustíveis de Paulínia, no interior de São Paulo, até o DF.

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A investigação mostra que o grupo ocupava o imóvel havia cerca de três meses. Aos proprietários, os criminosos informaram que instalariam uma oficina mecânica no local. Conforme a Polícia Civil, o espaço servia para encobrir a escavação de um túnel com aproximadamente 2,5 metros de profundidade, 1 metro de largura e 5 metros de comprimento.

Os policiais encontraram a passagem subterrânea durante a operação. Segundo a PCDF, os suspeitos perfuraram a tubulação da Transpetro, instalaram uma válvula de controle e conectaram uma mangueira de alta pressão para transferir combustível diretamente para o interior do imóvel.

A Polícia Civil autuou os três homens em flagrante por furto qualificado, associação criminosa, crime ambiental e crime contra a incolumidade pública. Um dos presos já possuía antecedente criminal por tentativa de furto de combustível em circunstâncias semelhantes há dois anos.

O prejuízo do roubo do combustível

O delegado Fernando Fernandes, responsável pela investigação, explicou que a escolha do nome da operação faz referência ao caráter subterrâneo da ação criminosa. Na mitologia grega, Estige é o rio que separa o mundo dos vivos do submundo.

Além do prejuízo financeiro, a polícia avalia que a intervenção clandestina no oleoduto criou riscos à população da região. A Defesa Civil do Distrito Federal isolou áreas próximas ao imóvel e realizou vistorias para verificar possíveis impactos da escavação sobre construções vizinhas.

Segundo informações repassadas à investigação por técnicos da Transpetro, uma eventual explosão poderia atingir uma área de até 3 quilômetros de extensão. A polícia também apura possíveis danos ambientais decorrentes da perfuração da tubulação.

A operação levou inicialmente à detenção de quatro pessoas. Depois da análise dos elementos reunidos no local, os investigadores mantiveram a prisão de três suspeitos apontados como integrantes do esquema.

Clientes na mira da polícia

A apuração agora concentra esforços na identificação dos compradores do combustível desviado. Os investigadores trabalham para descobrir quem recebia a carga furtada e se havia participação de outras pessoas na distribuição do produto. A polícia também verifica denúncias sobre possível envolvimento de empresas de transporte e postos de combustíveis, mas até o momento não há acusações formais contra estabelecimentos ou empresários.

Em nota, a Transpetro informou que acompanha as investigações e se considera vítima da ação criminosa. A subsidiária da Petrobras afirmou ainda que o caso não provocou interrupções no abastecimento de combustíveis do Distrito Federal.

Os investigadores também buscam esclarecer se o grupo mantinha ligação com organizações criminosas. A suspeita surgiu em razão da estrutura montada para acessar o oleoduto, da quantidade de combustível desviada e da necessidade de uma rede de receptação para absorver volumes que, segundo a estimativa da polícia, chegaram a quase 100 mil litros em apenas uma semana.

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