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Novo vereador do Psol em São Gonçalo (RJ) é autor de funk machista e tem apoio do Comando Vermelho

Com salário de quase R$ 15 mil, seu principal projeto na câmara foi pedir 61 "moções de aplauso" a pessoas ligadas ao funk.

vereador funk
Novo vereador de são Gonçalo, Jhonny Oliver fez carreira como MC. | Foto: Jhonny Oliver/Divulgação

O funk carioca, o chamado “proibidão”, é uma união entre apologia a facções criminosas e descrições de cenas de sexo explícito. É o que consta na obra do MC Jhonny Oliver, que, desde março de 2024, mantém um segundo emprego: vereador em São Gonçalo (RJ) pelo Psol.

Em uma música do vereador funkeiro, por exemplo, ele relata como vai manter relações sexuais com mulheres enquanto empunha um fuzil a fim de atirar nos “caras” (policiais) que porventura tentem subir o morro carioca.

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“Vou socar sua b… segurando o meu AK”.

MC Jhonny Oliver.

A parte censurada na letra da canção refere-se à genitália feminina; e as letras “AK” referem-se ao fuzil AK-47.

Quem é MC Jhonny Oliver, vereador pelo Psol?

O MC cujo nome de batismo é Jonny de Oliveira tem 35 anos de idade e é natural do Complexo do Alemão, na cidade do Rio de Janeiro. Quando tinha 14 anos, Oliver mudou-se para o morro do Anaia Pequeno, em São Gonçalo. Seu perfil no site oficial da Câmara de Vereadores descreve-o como “organizador de eventos”.

De acordo com o jornal Gazeta do Povo, na eleição de 2022, o MC obteve somente 413 votos, sendo o 219º vereador mais votado do município. Oliver assumiu seu assento na câmara no lugar de Janilce Magalhães (Psol), que está com problemas de saúde.

Com aproximadamente 900 mil habitantes, a cidade de São Gonçalo é o segundo município mais populoso do Rio de Janeiro.

Quando o MC foi eleito, o perfil “Baile da Bélgica” (principal baile funk do Anaia Pequeno) convocou seus seguidores para uma grande celebração em homenagem ao “nosso mais novo vereador”. No perfil há uma bandeira vermelha em exibição — referência ao Comando Vermelho, facção criminosa que controla o morro.

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Convite para a festa em homenagem à posse de Johnny Oliver como vereador | Imagem: X/Reprodução

Apologia à facção criminosa

Oliver tem quase uma década de carreira como funkeiro, ele já produziu inúmeras obras que impressionam pela combinação de apologias ao crime organizado com referências desrespeitosas às mulheres.

A lista de homenagem a criminosos inclui o traficante Jorginho da Grota, morto em confronto com a polícia em 2012: “Maior saudade, maior saudade. Do meu parceiro Jorginho (…). O que fizeram com o Jorginho. Um dia vai pagar”.

O funkeiro não pode alegar ignorância relativamente à ligação de Jorginho com o crime, porque a letra explicita tal ligação: “Ainda lembro desse cara dando várias rajadas. Em cima lá da laje”.

Em outro trecho, o MC fala em atacar a polícia: “O Jhonny tá cantando. E aqui não tem carícia. Aponta lá pra pista e acaba com os polícia”.

O vereador filiado ao Psol ainda fez homenagens ao traficante conhecido como Falcão do Anaia, e sua “gestão” no comando do morro.

Machismo praticado pelo vereador funkeiro do Psol

Referências desrespeitosas a mulheres são bastante comuns nas músicas do vereador. Isso porque em uma das músicas o MC repete 20 vezes o refrão: “Rouba, trafica e bota as p… pra mamar”.

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Em uma composição lançada em 2023, o vereador do Psol canta que “quem vive de aparência é v… (gíria pejorativa para homossexual), atriz e p… (termo chulo para prostitutas)”.

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O vereador recebe um salário de cerca de R$ 15 mil. E até o momento, seu principal trabalho na câmara foi pedir 61 “moções de aplauso” — quase todas para pessoas ligadas ao funk carioca.

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2 comentários
  1. MARCO ANTONIO CARDOSO VILARINHO
    MARCO ANTONIO CARDOSO VILARINHO

    Esta reportagem fez-me lembrar algumas notícias da guerra em Israel, quando falam do Hamas. Alguns dos reféns disseram que foram muito hostilizados pela população local. Os cidadãos os agrediam, colaboravam com o Hamas, escondendo os reféns em suas casas e não eram membros do Hamas, apenas cidadãos Palestinos. Ao ver que um sujeito obteve votos suficientes para alcançar a Câmara de Vereadores (mesmo suplente), sendo apoiador escancarado do tráfico e de toda a violência que o acompanha, mostra que a população do Rio compactua com tudo isto. No caso da Palestina existe uma questão cultural milenar, no Rio não, apenas o descaso dos governos (Federal, Estadual e Municipal) que faz com que a população busque socorro, onde acha que existe socorro. Não existe.

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