E só se fala no Corinthians pelas ruas, escritórios, escolas, bares e, claro, nas intermináveis mesas-redondas espalhadas pelo país. E não é à toa.
Mesmo vivendo a mais grave crise institucional de sua história, com uma dívida que já flerta perigosamente com a casa dos R$3 bilhões, o Timão conseguiu um feito que pouquíssimos clubes brasileiros alcançaram: levantou três taças em menos de um ano.
Receba nossas atualizações
E antes que alguém tente diminuir a conquista, já deixo claro: ninguém me convence de que a Supercopa do Brasil é um título “menor”. Não é.
+ Leia mais notícias do Brasil em Oeste
O troféu, por si só, já tem peso. Mas o contexto transformou esse título em algo ainda maior. Afinal, vimos o time de Dorival Júnior controlar o milionário Flamengo dentro de campo, enquanto, fora dele, a Fiel simplesmente deu um banho na torcida rubro-negra no Estádio Mané Garrincha. Uma tarde para ficar na memória.
O novo ídolo do Corinthians
Mas quero ir direto ao ponto. O grande personagem deste Corinthians campeão paulista, da Copa do Brasil e da Supercopa atende por um nome que, até pouco tempo atrás, parecia distante demais da realidade do Parque São Jorge: Memphis Depay.
Depois da vitória sobre o Flamengo, vi muita gente debatendo se o maior artilheiro da história da Seleção Holandesa já poderia ser tratado como ídolo corintiano.
Mais artigos de Milton Neves:
E, com todo respeito, acho a pergunta quase desnecessária. Para mim, é óbvio: Memphis já é ídolo. E não apenas pelo que entregou em campo (que, convenhamos, não foi pouco nesses três títulos recentes).
O que mais impressiona é o impacto silencioso que ele provocou dentro do vestiário. Vocês se lembram como estava o ambiente no Parque São Jorge antes da chegada do holandês? Era um elenco abatido.
Um grupo que já começava a aceitar bovinamente a possibilidade real de queda no Brasileirão de 2024. Foi aí que a estrela de Memphis apareceu e brilhou com enorme força. E mudou tudo em Itaquera. O Corinthians se transformou mentalmente.
Leia também: “Escândalo do Master causa impacto em grandes clubes do futebol”
Fortalecido, confiante, mais leve e, ao mesmo tempo, mais competitivo, o time engatou uma impressionante sequência de dez vitórias, escapou do fantasma do Z-4, carimbou vaga na Libertadores e abriu o caminho para as conquistas que vieram depois.
A liderança de Memphis no Timão
Digo sem medo de errar: essa virada emocional simplesmente não aconteceria sem a liderança, a vivência internacional e a personalidade de Memphis Depay.
Ele não trouxe apenas gols, assistências e jogadas decisivas. Trouxe autoridade natural de quem já viveu grandes palcos e grandes pressões.
Soube, além disso, transformar tudo isso em combustível para um elenco que precisava, mais do que nunca, voltar a acreditar em seu potencial. No fim das contas, o impacto de Memphis vai muito além das quatro linhas.
Ele foi determinante para que o corintiano, que andava cada dia mais cabisbaixo, voltasse a sorrir. Isso, para mim, é exatamente o que define um ídolo.
Leia também: “O império de Neymar”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 279 da Revista Oeste









































Quanto mais desvio de foco, melhor pra os Da Silva.