O palmeirense viveu na última noite uma catarse de fazer inveja a qualquer torcedor do mundo (até mesmo ao do Real Madrid). Parecia um daqueles manjados roteiros de filme esportivo da Sessão da Tarde: o time começa a batalha perdendo feio, é ridicularizado pelos rivais, ouve da opinião pública que a fatura já está fechada… E, na base do coração quente e da cabeça fria, lema do verdadeiro herói dessa história, consegue uma virada que entra para o livro das páginas mais bonitas já escritas no futebol.
Mas, convenhamos, esse feito seria até inacreditável se o papel principal coubesse a qualquer outro clube do planeta. Só que, tratando-se do Palmeiras de Abel Ferreira, o enredo soa quase previsível. Afinal, que outro time tem conseguido, nos últimos anos, resultados tão improváveis quanto o de ontem?
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O Palmeiras atual pode não ser o mais talentoso ou o mais técnico da história do clube. Não dá para esquecer das Academias de Futebol dos anos 1960 e 1970, e nem do poderoso Palmeiras da Parmalat. Mas, em termos de competitividade, mentalidade vencedora e soberania diante dos rivais, especialmente os paulistas, o Verdão talvez nunca tenha sido tão grande, tão poderoso e tão vitorioso.
O vitorioso Palmeiras
Só que é bobagem tentar cravar agora o real tamanho deste time de Abel. Teremos a noção exata quando, infelizmente, essa era mágica terminar. E vai terminar, claro, como tudo na vida e no futebol. Por isso, digo aos meus amigos palmeirenses: curtam demais este momento, curtam demais este time de Abel. Porque é muito provável que algo assim não se repita por muito, muito tempo.
E, aos rivais, desejo paciência. Afinal, não há tarefa mais ingrata no futebol atual do que tentar secar o Palestra. O Verdão, com requintes de crueldade, faz os adversários se morderem de raiva a cada dia mais.
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“90 MINUTOS DO ALLIANZ É MUITO TEMPO”
POETA LUSITANO ABEL FERREIRA.
SCOPPIA CHE LA VITÓRIA É MOSTRA.