O instrutor de mergulho Roberto Obvioslo explora e documenta ruínas de cidades submersas no Lago de Furnas, no sul de Minas Gerais. O trabalho de busca por vestígios de antigas comunidades ocorre há cerca de dez anos, com foco na região de São José da Barra. As estruturas estão preservadas a dezenas de metros de profundidade desde a formação da represa.
A curiosidade de Obvioslo surgiu na infância, quando ele acompanhou a construção da usina com o pai. “Aquele lance de o lago encher e inundar algumas áreas sempre me deixou curioso para saber o que realmente aconteceu”, afirmou ao g1. Atualmente, o mergulhador utiliza relatos de antigos moradores para localizar os pontos de interesse.
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As expedições identificaram currais, casas e até uma rua completa. O instrutor explica a metodologia inicial: “A gente encontrou uma rua completa”, disse. “A partir daí, começamos a mapear tudo. Marcávamos os pontos, mas sem explorar de imediato.”
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A exploração revelou fogões a lenha, pisos e residências quase intactas no fundo do lago. “Tem casa que está inteira, só parte do telhado desceu, mas dá para identificar tudo certinho”, afirma o mergulhador.
Além das edificações, a equipe localizou uma escuna, uma Kombi, um ônibus e uma ponte totalmente preservada, encontrada durante as buscas por um carro acidentalmente submerso.
Registro fotográfico da Represa de Furnas
O projeto prioriza o registro fotográfico em vez da retirada de materiais. “O que está lá fica lá. A gente só registra com fotografia”, explica Obvioslo. No entanto, existe um plano para a criação de um museu sobre a “antiga Barra”.

As incursões exigem preparo técnico devido às condições extremas. Os mergulhos variam entre 40 e 90 metros de profundidade. A partir dos 15 metros, a luminosidade se reduz e exige o uso de lanternas.
A variação do nível da água também revela estruturas fora do ambiente submerso. Em períodos de seca severa, um antigo cemitério emergiu na região. “Dava para ver os túmulos, tudo. Depois, a área foi desmanchada pela prefeitura”, relata o mergulhador.

A Represa de Furnas, conhecida como o “Mar de Minas”, teve sua construção iniciada no final da década de 1950 para viabilizar o funcionamento da Usina Hidrelétrica de Furnas. O enchimento do reservatório, concluído em 1963, inundou uma área de aproximadamente 1.440 km², abrangendo 34 municípios.





































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