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Livraria Cultura fecha (de verdade) a unidade do Conjunto Nacional

O Superior Tribunal de Justiça negou um recurso da empresa e autorizou uma ordem de despejo

A Livraria Cultura declarou ter quase R$ 300 milhões em dívidas | Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste
A Livraria Cultura declarou ter quase R$ 300 milhões em dívidas | Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste

A Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em São Paulo, fechou definitivamente as portas nesta segunda-feira, 1º. Um aviso colado na porta da unidade informa os clientes de que a livraria segue em funcionamento exclusivamente pelo site.

A Cultura teve a falência decretada em 2023. Em agosto, enfrentou uma ordem de despejo, mais tarde revertida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Contudo, em fevereiro de 2024, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um recurso da livraria e autorizou a continuidade da ordem de despejo.

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Em nota enviada a Oeste, Sérgio Herz, CEO e herdeiro da empresa, afirmou que a administração trabalha para que a livraria encontre um novo local e retome as atividades.

“Durante os últimos três anos, estivemos em discussões construtivas com o proprietário sobre o valor do aluguel, buscando um acordo que nos permitisse continuar operando nesse local icônico”, informou Herz. “Infelizmente, apesar de nossos esforços mútuos, não conseguimos chegar a uma solução viável para ambas as partes.”

O fechamento da loja acontece menos de duas semanas depois da morte de Pedro Herz, em 19 de março, aos 83 anos. O livreiro, empresário e então dono da Livraria Cultura foi o responsável por transformar a empresa, fundada pela mãe, Eva Herz, em uma das maiores potências do mercado literário brasileiro.

PEDRO HERZ
Pedro Herz foi o responsável por a transformar a empresa, fundada pela mãe, Eva Herz, em uma das maiores potências do mercado literário brasileiro | Foto: Sérgio Castro/Estadão Conteúdo

O escritor português José Saramago, vencedor do Nobel de Literatura e do Prêmio Camões, elogiou a livraria em uma de suas visitas ao Brasil. “A última imagem que levamos do Brasil é a de uma bonita livraria, uma catedral de livros, moderna, eficaz, bela”, observou. “É a Livraria Cultura, que está no Conjunto Nacional.”

Recuperação judicial da Livraria Cultura

A Cultura, que já chegou a ter 17 lojas e 1,5 mil funcionários, pediu recuperação judicial em 2018. Na época, a dívida da empresa chegou a R$ 285,4 milhões com fornecedores e bancos.

A Saraiva seguiu o mesmo rumo. As duas empresas sofreram os reflexos da recessão do mercado editorial. A Saraiva, por exemplo, decretou falência em outubro de 2023, e a Cultura ainda tenta permanecer ativa.

A Cultura já enfrentava dificuldades quando comprou as operações da rede francesa Fnac, que deixava o Brasil, e a Estante Virtual. A soma dos atrasos dos pagamentos a editoras, além de outras dívidas, resultou no fechamento da maioria das lojas. Além da unidade de Porto Alegre, ainda em funcionamento, restava a do Conjunto Nacional.

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Em 2023, a Justiça decretou a falência da livraria duas vezes. No entanto, a empresa reverteu as duas decisões. Primeiro, em fevereiro, sendo suspensa alguns dias depois. Em seguida, em maio.

A unidade do Conjunto Nacional fechou as portas em 26 de junho de 2023, o que gerou grande comoção e repercussão no mercado livreiro, mas foi reaberta em 6 de julho.

Já em agosto, a livraria enfrentou uma ordem de despejo, revertida pelo TJ-SP. Em fevereiro de 2024, no entanto, o STJ negou um recurso da livraria e autorizou a continuidade da ordem de despejo. A loja seguia funcionando até amanhecer fechada nesta segunda-feira.

Leia na íntegra a nota da empresa

“Durante os últimos três anos, estivemos em discussões construtivas com o proprietário sobre o valor do aluguel, buscando um acordo que nos permitisse continuar operando nesse local icônico.

Infelizmente, apesar de nossos esforços mútuos, não conseguimos chegar a uma solução viável para ambas as partes. O cenário atual do mercado, especialmente acentuado pelas mudanças no comportamento do consumidor, consolidadas durante a pandemia, tornou a manutenção de uma livraria de grande porte como a nossa neste local desafiadora.

Como resultado, e com vistas à sustentabilidade de nossas operações, foi inevitável tomar a difícil decisão de procurar um novo espaço que se adapte melhor às demandas e realidades atuais do mercado editorial e varejista.

É importante ressaltar que a Livraria Cultura está comprometida em continuar servindo à comunidade de leitores de São Paulo e do Brasil como um todo. Estamos trabalhando em novas estratégias e oportunidades que em breve anunciaremos, visando continuar nossa missão de promover a cultura e o acesso ao conhecimento.”

Leia também: “O passado não passa”, artigo de Carlo Cauti publicado na Edição 208 da Revista Oeste

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3 comentários
  1. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Que ironia! A realidade sempre superando a ficção. Justo no governo do cara que disse que ia transformar os clubes de tiro em clubes de leitura, fecha-se mais uma livraria ícone da venda de livros para alimentar os clubes a serem fundados pelo lula, que, aliás já disse que detesta ler.

  2. arnaldo botelho barbosa
    arnaldo botelho barbosa

    Sinto um misto de tristeza e de indignação a cada fechamento de uma livraria, de qualquer delas, principalmente das duas últimas mais tradicionais, a SARAIVA e agora a Cultura. QUO VADIS? Onde está o Ministério da Cultura com os seus pródigos recursos que por vezes são empregados de forma indevida para amparar, apoiar e custear programas ditos culturais mas que de cultura não têm nada?
    UM PAÍS SEM LIVROS É PAÍS SEM LEITORES, É PAÍS INCULTO, SEM CULTURA!

  3. Mario Hugo Ladeira Filho
    Mario Hugo Ladeira Filho

    Deveria ser tombada.
    Atração de Sampa.
    Arquitetura impar.

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