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Mulher relata como foi enganada por falsa adolescente: 'Ela acabou com a minha saúde mental'

Caso em SC revelou uma série de episódios que envolve acusada de falsidade ideológica e estelionato em outros Estados

Amanda Oliveira: mulher deixou investigadores surpresos pelo poder de convencimento | Foto: Divulgação/Polícia Civil (SC)
Amanda Oliveira: mulher deixou investigadores surpresos pelo poder de convencimento | Foto: Divulgação/Polícia Civil (SC)

Muito antes de a prisão da mulher que se passava por uma adolescente de 12 anos ganhar repercussão nacional, uma moradora do Rio de Janeiro já havia sido enganada pela mesma golpista. A vítima acolheu Amanda Maria Souza de Oliveira em 2023, quando a criminosa se apresentava como “Duda”. Na época, Amanda afirmava ter sido vítima de abuso sexual, dizia sofrer perseguições relacionadas à “bruxaria” e alegava ter diagnóstico de autismo.

Segundo a BBC News Brasil, Amanda se apresentou às antigas vítimas como uma adolescente de 12 anos em situação de vulnerabilidade e que precisava de ajuda. Sensibilizadas pela história, Renata Magalhães e Viviane Henriques ofereceram abrigo, alimentação e apoio emocional à jovem que acreditavam estar acolhendo.

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“Dei carinho, afeto, comida”, afirmou Renata, que viu a história se repetir mais recentemente, em Santa Catarina. “Não tinha como desconfiar.”

As duas amigas, Renata e Viviane, costumam acolher crianças vítimas de abuso e com autismo.

Mulher finge ser adolescente em diferentes cidades

A revelação do caso em Santa Catarina levou a vítima do Rio de Janeiro perceber que havia sido enganada pela mesma pessoa. De acordo com as investigações, Amanda usava nomes diferentes e apresentava versões variadas de sua história para convencer pessoas de que era uma criança ou adolescente em situação de risco.

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Os processos e inquéritos por falsidade ideológica tramitaram ou ainda tramitam nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e em outras duas cidades de Santa Catarina. Em diferentes ocasiões, a golpista teria se identificado como Gabriele, Ana Clara, Maria Eduarda, Beatriz e Maria Clara. Os registros de ocorrências semelhantes datam a partir de 2018.

O caso no Rio de Janeiro

De acordo com Viviane, Amanda entrou em contato pela primeira vez por meio da página do projeto social Mãos que Abençoam com Amor, apresentando-se como “Duda”.

A golpista dizia ser uma adolescente que escapou de uma rotina de abusos no Ceará, vítima de um pai “bruxo” que a obrigava a se prostituir. Por isso, teria recebido hormônios para amadurecimento do corpo. Viviane relatou que “Duda” afirmava ter pegado caronas com caminhoneiros até chegar a Magé, na Baixada Fluminense.

Viviane e Renata acolheram Amanda e cuidaram dela durante cerca de um mês. Segundo as duas amigas, a golpista adotava comportamentos infantis: usava mamadeira e chupeta, além de demonstrar preferência por alimentos normalmente associados à infância. Apesar disso, afirmam que ela nunca pediu dinheiro.

Amanda também tinha agulhas espalhadas pelo corpo. Viviane e Renata disseram que chegaram a levá-la para realizar um exame de raio X, que identificou mais de 200 agulhas. A descoberta reforçou a crença das duas na história contada por “Duda”, que atribuía a situação a supostos rituais de “bruxaria” praticados pelo pai.

O comportamento carente de Amanda acendeu a desconfiança das duas. “Ela acabou com minha saúde mental, minha vida financeira”, contou Renata. “Ela me tirou de perto dos meus filhos, fazendo pressão psicológica.”

A delegada Mônica Areal descobriu a farsa e prendeu Amanda em flagrante por estelionato, falsa identidade e falsidade ideológica. Segundo Mônica, Amanda confessou os crimes, mas foi solta depois de uma audiência de custódia.

Leia mais: “Justiça aceita nova denúncia contra juiz que usou nome falso por 45 anos”

No histórico de pesquisa do celular de Amanda, a polícia encontrou buscas sobre “como um autista se comporta” e “como fazer desenhos como se fosse uma vítima de abuso”.

Mônica acrescentou que encontrou um exame de idade óssea dela em outra investigação, em São Paulo, que provou que Amanda não era criança. Não foram feitos testes psicológicos. A Justiça do Rio de Janeiro acatou a denúncia do Ministério Público, e a mulher hoje é ré em um processo no Estado.

“Acredito que ela tenha algum tipo de transtorno, que pode ser perigoso”, disse Renata. “Não é só prender, ela precisa de tratamento.”

Amanda não queria que Renata e Viviane acionassem o conselho tutelar por medo de retornar ao Ceará.

O caso recente em Santa Catarina

Já o episódio mais recente ocorreu em Joinville (SC). Nesta última tentativa, Amanda, que virou “Gabriele”, foi presa por falsidade ideológica e uso de identidade falsa. De acordo com a Polícia Civil, Amanda viveu cerca de 14 meses com uma família que acreditava acolher uma adolescente.

Depois da prisão, a Justiça de Santa Catarina converteu a detenção em preventiva e autorizou a realização de exames de sanidade mental, um pedido da defesa. O advogado da investigada informou que aguarda o resultado da perícia.

Segundo o delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pelo caso, a Polícia Civil foi procurada pela família na semana passada. De acordo com o investigador, uma tia dos envolvidos nunca acreditou na história contada por Amanda. Ao tomar conhecimento de relatos semelhantes ocorridos em outros locais, essa tia passou a suspeitar da golpista e procurou a polícia.

Amanda confessou o crime à polícia e disse que costumava mentir de forma habitual. A prisão temporária foi convertida para preventiva, e Amanda foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville.

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