O sofrimento da brasileira Karin Aranha deve se arrastar até 30 de julho, data marcada para uma audiência no Egito que pode decidir o destino do filho Adam, de 6 anos. O menino foi levado do Brasil em setembro de 2022 pelo pai, o egípcio Ahmed Tarek Mohamed Fayz, sem autorização legal. De lá para cá, o garoto permanece sob os cuidados da avó paterna no Egito, distante da mãe e incluído na lista amarela da Interpol como criança desaparecida.
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O drama começou quando Karin voltou ao Brasil depois de passar dez meses trabalhando como faxineira em Londres. Ao desembarcar em Guarulhos, não encontrou o marido nem o filho, como havia combinado. Horas depois, descobriu que Ahmed fugira com Adam para o Egito. Apesar de o passaporte do menino não autorizar a viagem sem a mãe, a Polícia Federal não impediu a saída da criança.

Sequestrador está livre no Egito
Depois de vender todos os bens e arrecadar doações, Karin se mudou em 2024 para o Cairo, onde vive em um quarto alugado. Converteu-se ao islamismo e aprendeu árabe para se aproximar do filho, mas segue impedida pela Justiça egípcia de vê-lo.
Enquanto isso, Ahmed permanece livre no Egito — mesmo que conste na lista vermelha da Interpol e com mandado de prisão expedido no Brasil. Ele chegou a participar de audiências sem sofrer nenhuma abordagem policial. “Ahmed está ao alcance da Justiça e ninguém faz nada”, protesta Karin, ao acusar o governo brasileiro de omissão. “Peço ao presidente Lula que faça um acordo com o Egito. Adam não tem contato comigo há mais de dois anos. Precisa voltar ao Brasil.”
Esse caso expõe a fragilidade da diplomacia brasileira e os limites dos acordos internacionais. O Egito não é signatário da Convenção de Haia, por exemplo, que obriga a devolução imediata de crianças levadas ilegalmente do país de origem — o que trava a repatriação. Até hoje, tentativas de mediação com autoridades egípcias não surtiram efeito. A audiência do próximo dia 30 é a única esperança de Karin para retomar o convívio com Adam e encerrar uma angústia que já dura quase três anos.
Quer entender os detalhes dessa história? Leia a reportagem “O filho roubado”, publicada na Edição 273 da Revista Oeste






































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