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Governo paulista explica uso de ‘tatuzões’ em nova linha do metrô

Projeto prevê três máquinas para atravessar solos arenosos e rochosos de Guarulhos ao centro de São Paulo

Produzido a um custo superior a R$ 100 milhões, cada 'tatuzão' tem potência equivalente à turbina de um jato Boeing 737 | Foto: Divulgação/Agência SP
Produzido a um custo superior a R$ 100 milhões, cada 'tatuzão' tem potência equivalente à turbina de um jato Boeing 737 | Foto: Divulgação/Agência SP

A construção da Linha 19-Celeste pelo governo paulista vai marcar principalmente um dos maiores desafios da engenharia subterrânea no Brasil. Para abrir os 17,6 quilômetros de túneis que vão ligar, por meio de metrô, a cidade de Guarulhos ao centro da capital, três tuneladoras, conhecidas como tatuzões, farão o trabalho de escavação.

Essas máquinas gigantes, com diâmetro externo de 10,66 metros e interno de 9,5 metros, vão desse modo abrir caminho para anéis de concreto pré-moldado. Cada peça terá 40 centímetros de espessura e reforço com aço e fibras, garantindo assim resistência e segurança ao trajeto.

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Tipos de tatuzões e funções específicas, segundo o governo

O projeto contará com dois modelos distintos. O tipo Slurry, para solos arenosos, com presença de água em abundância. Já o modelo Dual Mode combina tecnologias para enfrentar trechos rochosos e formações mistas.

Imagem ilustrativa de um tatuzão em funcionamento; tecnologia e força correspondente a duas locomotivas de carga | Reprodução/IA
Imagem ilustrativa de um tatuzão em funcionamento; força correspondente à potência de duas locomotivas de carga | Reprodução/IA

Cada tatuzão entrará em pontos estratégicos. O primeiro vai atuar na Estação Jardim Julieta e avançará 5,7 quilômetros até o Bosque Maia. O segundo partirá do mesmo local, mas seguirá 5,2 quilômetros em direção a Vila Maria. O terceiro iniciará o percurso em Vila Maria e chegará ao Bixiga, cobrindo dessa forma 5,5 quilômetros.

Engenharia de precisão no subsolo

Para viabilizar o deslocamento das máquinas, os engenheiros vão embutir perfis metálicos nas lajes de fundo, lubrificados com graxa. Essa técnica permite arrastar as tuneladoras e exige que a estrutura esteja pronta antes da chegada do equipamento.

Nas estações Cerealista, São Bento e Anhangabaú, onde o solo é frágil e o lençol freático, elevado, o uso dos tatuzões garante precisão e reduz riscos. Poços intermediários receberão material especial para permitir a passagem contínua das máquinas.

Embora usados em diversas obras do metrô paulista, os tatuzões não pertencem ao governo. As empreiteiras contratadas compram ou alugam os equipamentos de fabricantes estrangeiros, como a alemã Herrenknecht e a japonesa Hitachi Zosen. Em alguns casos, as máquinas são reaproveitadas em obras internacionais.

Essa combinação de tecnologia e estratégia reforça a complexidade da Linha 19, considerada uma das mais importantes para a mobilidade da Grande São Paulo.

A potência das máquinas; veja comparativos

Uma tuneladora grande, como as usadas em São Paulo, pode ter motores que somam mais de 6 mil kW de potência — algo equivalente a 8 mil cavalos de força. Veja alguns comparativos:

  • Carros: um tatuzão tem a força de aproximadamente 200 carros populares de 80 cv funcionando juntos.
  • Trens: equivale a duas locomotivas de carga puxando dezenas de vagões.
  • Aviões: sua potência se aproxima à de um motor de avião comercial (turbina de Boeing 737, por exemplo, que tem cerca de 9 mil cv).

A combinação de tecnologia e estratégia reforça a complexidade da Linha 19, considerada uma das mais importantes para a mobilidade da Grande São Paulo.

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