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Brasil

Covid-19: remédio apresenta 92% de eficácia na redução de mortes em pacientes graves, aponta estudo brasileiro

Originalmente, medicação foi testada para combater câncer de próstata

Remédio - cientista harvard
As indústrias farmacêuticas não podem aumentar os preços acima do limite | Foto: HeungSoon/ ixabay

Um estudo brasileiro testou o medicamento proxalutamida, usado no tratamento de câncer, em pacientes hospitalizados com a covid-19. Liderado pelo médico, mestre e doutor em Endocrinologia Clínica pela Unifesp/EPM Flavio Cadegiani, o estudo atendeu ao “padrão ouro” da ciência — foi randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. Isso significa, entre outros critérios científicos, que o medicamento foi prescrito de forma aleatória: nem os pacientes nem os médicos sabiam quem estava tomando a medicação e quem recebia o placebo (pílula de farinha).

O ensaio clínico envolveu no total 590 pacientes, entre os quais 294 foram tratados com medicamento e o restante recebeu placebo, além de suporte clínico das instituições em que estavam internados. O grupo de tratamento do estudo recebeu a proxalutamida, um medicamento ainda em desenvolvimento, produzido pela Suzhou Kintor Pharmaceuticals, uma empresa da China. Originalmente, o remédio foi testado para combater o câncer de próstata e ainda não é comercialmente vendido. Segundo Cadegiani, com base nos resultados do estudo, a empresa fabricante está na corrida para achar parceiros interessados em desenvolver o produto em larga escala.

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O médico endocrinologista Flavio Cadegiani | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Realizado em 12 hospitais de nove municípios do Amazonas, o estudo envolveu pacientes hospitalizados com idade média de 53 anos, com saturação de oxigênio abaixo de 90% em ar ambiente, ou seja, doentes que necessitariam obrigatoriamente de oxigênio suplementar. No início da medicação, 97% dos pacientes precisavam de oxigênio continuamente, estando 67% em ventilação não invasiva ou em alto fluxo. Os pacientes encontravam-se em fase bem adiantada da doença, quase candidatos à intubação.

Resultado dos testes clínicos

Além de Cadegiani, participaram do estudo os médicos e cientistas J. McCoy, C. Wambier, S. Vaño-Galván, J. Shapiro, A. Tosti, R. Zimerman e A. Goren. Os resultados foram apresentados na última quarta-feira, 10, em uma coletiva de imprensa.

Veja os resultados divulgados pelos pesquisadores após 14 dias de tratamento com proxalutamida:

• 3,7% de mortes entre os pacientes que receberam a medicação versus 47,6% no grupo placebo.
• Tempo de internação: 5 versus 14.
• Necessidade de intubação: 4,4% versus 52,7%.
• Livres do oxigênio: 92,5% versus 33,3%.
• Pacientes internados após 14 dias: 32,8% versus 89,1%.
• Tempo para melhora clínica: 3 dias versus 19 dias.
• Efeitos colaterais graves: nenhum.

“Por mais cético que eu seja, ainda é difícil acreditar em nossos próprios resultados. A redução da mortalidade acima de 90% parece boa demais para ser verdade. Mas esses são os números”, afirmou Cadegiani sobre seu estudo. ”Até onde sabemos, a proxalutamida é o primeiro medicamento a demonstrar eficácia contra a nova variante P.1 Sars-CoV-2, altamente transmissível e patogênica”, acrescentou.

Leia também: “5 perguntas para o médico Flavio Cadegiani, pesquisador do tratamento precoce”

Os resultados do estudo ainda não foram publicados em revistas científicas. “Anunciamos os resultados da mesma forma que a Universidade de Oxford fez com 6 mg de dexametasona e a maioria das vacinas o fez. Se você quiser esperar a versão publicada para acreditar, acho que é uma boa maneira de fazê-lo. Não culpo ninguém que duvide dos resultados — eu mesmo fiz.” Entretanto, o médico reforça a importância de estudos adicionais, que venham a comprovar os resultados obtidos no Brasil.

8 comentários
  1. Marisa
    Marisa

    Talvez seja uma boa ideia o Presidente da República começar a criticar esse estudo e o remédio. Certamente, muitos veículos de imprensa começarão a divulgar o estudo e defender o uso da medicação.

  2. Vicente Pinheiro
    Vicente Pinheiro

    Agora vamos torcer para o Bolsonaro não se manifestar a favor desse medicamento…

    1. Claudemir Assis Almeida
      Claudemir Assis Almeida

      Meu amigo Bolsonaro tem que passar longe dessa medicamento, senão não haverá estudo promissor que faça ele evoluir.

  3. Jose Mauro Da Silva Rodrigues
    Jose Mauro Da Silva Rodrigues

    Vamos com calma…
    Mesmo sem maiores informações a respeito do desenho do estudo, saturação de 90% em ar ambiente está longe da necessidade de intubação
    Quais os critérios para testar um medicamento inicialmente desenvolvido para o tratamento de câncer?
    Seria mais um medicamento à procura de uma doença?

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