No quarto dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, pela morte do menino Henry Borel, o júri ouviu o depoimento de Déborah Mello Saraiva, ex-namorada do ex-vereador e mãe de Enzo, criança que também teria sido vítima de agressões atribuídas ao acusado quando tinha entre 2 e 3 anos.
Durante o depoimento à juíza Elizabeth Machado Louro, Déborah afirmou que ainda sente medo do ex-companheiro e declarou carregar “raiva pelo que ele fez” com seu filho.
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Ela contou que conheceu Jairinho em 2014, quando trabalhava como assessora parlamentar na Câmara Municipal do Rio, e que o relacionamento durou cerca de seis anos. Segundo a testemunha, a relação terminou quando descobriu que o então vereador mantinha envolvimento com Monique Medeiros.

Menino só revelou agressões de Jairinho anos depois, diz ex-namorada
Ao júri, Déborah relatou que os episódios de violência só foram revelados pelo filho anos depois, quando o caso Henry ganhou repercussão nacional. “Enzo contou primeiro para minha mãe o que aconteceu. Depois ele chegou para mim e perguntou: “Mamãe, você sabe o que ele fez comigo?”, afirmou.
Segundo ela, o menino relatou que Jairinho teria colocado papel e pano em sua boca para impedir os gritos enquanto pisaria em sua barriga. “Ele contou que botou papel e pano na boca dele para que ele não gritasse e começou a pisar na barriguinha dele. E falou que ele ficava rindo.”
Déborah também afirmou que estava desacordada em outro quarto, porque teria sido dopada pelo ex-vereador. “Eu estava dopada, porque ele me dopou nesse dia. Foi o mesmo dia que ele me estuprou”, declarou.

A ex-namorada contou ainda que o filho tentou acordá-la durante as agressões. “Ele falou: ‘Mamãe, eu tentei te acordar, te sacudir, só que você não respondia’.” Segundo o depoimento, Enzo também teria contado que Jairinho colocou um saco em sua cabeça e rodou com ele no estacionamento do prédio.
Déborah relembrou ainda um episódio em que o filho sofreu uma lesão grave na perna. Conforme relatou, Jairinho pediu para levar a criança a uma confraternização e, pouco depois, telefonou informando que o menino havia “torcido o pé”. No hospital, exames apontaram fratura no fêmur.
“Quando fizemos o raio-X, ele estava com a perna quebrada”, disse ao júri. Ela disse que, desde então, o filho passou a evitar contato com Jairinho e não queria mais sair com ele.
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