publicidade
Tecnologia

Brasil lança seu primeiro foguete comercial

Inicialmente prevista para novembro, a operação passou por cinco adiamentos

HANBIT-Nano a partir do Centro de Lançamento de Alcântara
Foguete HANBIT-Nano foi produzido por empresa sul-coreana | Foto: Reprodução/YouTube

O Brasil realizou nesta segunda-feira, 22, seu primeiro lançamento comercial, com a decolagem do foguete HANBIT-Nano a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. O veículo foi desenvolvido pela empresa privada sul-coreana Innospace. A iniciativa insere o país em um mercado até hoje concentrado em Estados Unidos, Europa e China.

+ Leia mais notícias de Tecnologia em Oeste

Receba nossas atualizações

A operação, denominada Spaceward, mobilizou 400 profissionais, entre eles 300 militares. Depois do lançamento, a empresa responsável interrompeu a transmissão oficial. Até agora, não há informações divulgadas sobre o resultado da missão.

Inicialmente prevista para novembro, a operação passou por cinco adiamentos, quatro deles a partir da terça-feira da semana passada. Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), a janela de lançamento se encerrava nesta segunda-feira, período em que o foguete poderia subir com segurança, sem interferência de lixo espacial ou de outros objetos em órbita.

A carga transportada reúne oito experimentos: sete brasileiros e um indiano. Entre eles estão dois nanossatélites desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Catarina, destinados ao estudo de sistemas de comunicação de baixo consumo energético voltados à Internet das Coisas.

O foguete leva ainda um satélite educacional equipado com versões experimentais de tecnologias como painéis solares e instrumentos de navegação. O projeto inclui também mensagens elaboradas por estudantes da rede pública da região, incluindo alunos de comunidades quilombolas.

Ao jornal O Globo, Marco Antônio Chamon, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), que representa a parcela civil do Programa Espacial Brasileiro, afirmou que os experimentos que serão lançados na órbita brasileira ainda não pertencem à elite da tecnologia do ramo.

Segundo ele, porém, já representam um avanço da exploração nacional e proporcionam novos métodos de pesquisa, mesmo sendo considerados dispositivos de pequeno porte.

“Não estamos falando de satélites capazes de transmitir programas de televisão em cadeia nacional, mas sim da possibilidade de se transmitir um sinal para o espaço que será repetido e captado por uma estação em terra, geralmente na própria universidade”, observa o especialista. “Estamos falando de cubos de até 10cm de altura, largura e profundidade e que pesam de um a três quilos.”

Fiscalização do foguete

A missão foi viabilizada por meio da cooperação entre o poder público e a iniciativa privada. Embora a base de Alcântara seja militar, com todos os seus sistemas operados por oficiais da FAB, a empresa estrangeira foi responsável por transportar o foguete desmontado ao Brasil e enviar engenheiros encarregados da montagem e dos testes técnicos.

Leia mais: “FAB testa míssil de R$ 12,4 milhões no Gripen e acelera preparo do caça”

A Agência Espacial Brasileira atuou como órgão regulador do processo, responsável pelo licenciamento e pela fiscalização do foguete e da estrutura montada nos dias que antecederam a operação.

O lançamento ocorre vinte anos depois do acidente registrado em 2003 em Alcântara, quando uma ignição prematura no foguete VLS-1 provocou um incêndio e a explosão da estrutura. O acidente provocou a morte de 21 técnicos e engenheiros civis.

Nos últimos dois anos, o governo federal atualizou os documentos que orientam a política espacial brasileira, como o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) e o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE). As versões mais recentes preveem aumento de recursos para o desenvolvimento de tecnologias próprias em relação às edições anteriores.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.