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Saúde

Ministério da Saúde anuncia vacinação em massa contra dengue no interior de SP

Botucatu já foi cenário de teste semelhante contra a covid-19

Índice de vacinação abaixo do previsto preocupa autoridades | Foto: Renato Rodrigues/Comunicação Butantan
A vacinação contra a dengue é a nova aposta do governo federal | Foto: Renato Rodrigues/Comunicação Butantan

O Ministério da Saúde escolheu Botucatu, no interior de São Paulo, como primeira cidade do país a receber uma ação especial de vacinação em massa contra a dengue com a nova vacina Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan. A iniciativa integra a estratégia nacional de uso do primeiro imunizante de dose única contra a doença, produzido integralmente no Brasil, e servirá para medir, em condições reais, o impacto da imunização na dinâmica da dengue entre pessoas de 15 a 59 anos.

O anúncio foi feito na última terça-feira, 9, pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante visita ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu. A decisão ocorre depois de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicar o registro da Butantan-DV, descrita como a “primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo” e que protege contra os quatro sorotipos do vírus.

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Em Botucatu, a nova vacina será aplicada em dose única na população de 15 a 59 anos. Segundo a prefeitura, essa é a faixa etária com maior mobilidade social, escolar e laboral, e que concentra grande parte das transmissões observadas nas epidemias recentes. Estudos clínicos citados pelo município mostram que o imunizante é seguro e eficaz para todas as pessoas dentro desse grupo, independentemente de terem tido dengue anteriormente.

O Ministério da Saúde pretende utilizar a cidade como área de estudo para avaliar, de forma intensificada, o impacto da vacinação em massa. A estratégia é vacinar até 50% da população de 15 a 59 anos e acompanhar, em tempo real, a redução de casos. A ideia é realizar a ação no primeiro trimestre de 2026, antes do período de maior transmissão da doença.

A dengue, transmitida por mosquitos, é a arbovirose mais disseminada globalmente | Foto: Jcomp/Freepik
A dengue, transmitida por mosquitos, é a arbovirose mais disseminada globalmente | Foto: Jcomp/Freepik

De acordo com o ministério, projeções mostram que, em cenários epidêmicos semelhantes ao de 2024, a imunização poderia evitar de 5 mil a 6 mil casos por ano, reduzir em até 80% as internações e prevenir metade das mortes associadas à dengue. Em 2024, Botucatu confirmou mais de 16 mil casos e registrou 12 mortes, a maior epidemia de dengue de sua história, segundo a prefeitura.

Botucatu foi selecionada, segundo o ministério, pela estrutura já demonstrada em operações semelhantes e pela predominância do sorotipo DENV-3 no município, identificado como determinante para o aumento de casos no país em 2024. Padilha declarou que o governo está “reconhecendo o que Botucatu fez, de forma muito exitosa, na defesa da vacina da Covid-19”, ao destacar mobilização, organização de dados e adesão da população.

Experiência anterior servirá de base para vacinação contra dengue

A escolha de Botucatu para a nova campanha se apoia em uma experiência prévia. Em 2021, o município sediou um estudo de efetividade da vacina Oxford-AstraZeneca contra a covid-19, produzida no Brasil pela Fiocruz. O projeto foi liderado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e pela prefeitura da cidade, com participação da Universidade de Oxford, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), de um braço da Fundação Bill & Melinda Gates e apoio do Programa Nacional de Imunizações.

Naquele momento, Botucatu, com cerca de 150 mil habitantes, foi descrita pelo epidemiologista Carlos Magno Fortaleza como a única cidade do país que reunia todas as condições necessárias para a pesquisa, como estrutura de vacinação, capacidade laboratorial e porte populacional.

O estudo de efetividade da vacina contra a covid-19 tinha como objetivo medir, em condições de rotina, o impacto do imunizante na redução de casos, internações e mortes. Os desfechos seriam identificados nos sistemas de notificação do Sistema Único de Saúde (SUS), com acompanhamento previsto de seis meses depois da vacinação. A meta era atingir 100% da população adulta elegível, estimada em cerca de 80 mil pessoas. A nova ação contra a dengue retoma esse papel de cidade-laboratório, agora com foco em uma doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Leia também: “Os selvagens da seringa”, artigo de Guilherme Fiuza publicado na Edição 71 da Revista Oeste

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2 comentários
  1. Refletindo internamente
    Refletindo internamente

    O povo de botucatu sabia e deu autorização por escrito para ser uma cidade de testes de vacina de Bill Gates? Engraçado lançar vacina da dengue logo após as prefeituras soltarem mosquitos da dangue geneticamente modificados nas cidades, depois falam que é teoria da conspiração perceber essas “coincidencias”

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