publicidade
Saúde

Hospital das Clínicas é condenado a indenizar família de bebê morta por erro médico

A criança estava internada com diagnóstico de síndrome hemofagocítica, doença que provoca um descontrole do sistema imunológico

Hospital das Clínicas, em São Paulo: procedimento inédito na América Latina | Foto: Marcos Santos/USP Imagens
O Hospital das Clínicas ainda tem a possibilidade de recorrer da decisão | Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Uma decisão judicial determinou que o Hospital das Clínicas da USP indenize em R$ 100 mil os pais de uma bebê de 3 meses que morreu depois de receber uma dose dez vezes maior do que a recomendada de cloreto de potássio durante tratamento no Instituto de Tratamento do Câncer Infantil, em 27 de setembro de 2020.

A criança estava internada com diagnóstico de síndrome hemofagocítica, doença que provoca um descontrole do sistema imunológico, levando o organismo a atacar células sanguíneas saudáveis.

Receba nossas atualizações

O erro na dosagem do medicamento resultou em duas paradas cardiorrespiratórias, culminando na morte da paciente às 15h17 do mesmo dia.

+ Leia mais notícias de Saúde em Oeste

De acordo com o advogado César Lima, representante da família, a falha foi grave.

“Mataram a menina por um erro de vírgula”, afirmou. Segundo ele, houve negligência no atendimento.

Um laudo do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc) confirmou que a administração do medicamento não seguiu os protocolos médicos, classificando a dosagem como muito acima do permitido e responsável pelo óbito.

Leia mais:

Sentença

Na sentença, a juíza Tamara Priscila Tocci destacou a existência de “erro grosseiro, imperícia e negligência grave, incompatível com os padrões mínimos de segurança do paciente exigidos em ambiente hospitalar”.

Ela citou ainda uma “falha gritante”, ocasionada pela desatenção a regras técnicas elementares da profissão.

Leia também: “Um retrato de cabeça para baixo”, artigo de Eugênio Esber publicado na Edição 308 da Revista Oeste

Além da indenização, o hospital foi condenado a pagar pensão mensal de dois terços do salário mínimo a partir do momento em que a menina completaria 14 anos até os 25 anos.

Depois disso, o valor será reduzido para um terço do salário mínimo, até que ela completasse 65 anos ou até o falecimento dos autores da ação.

Defesa do hospital e possibilidade de recurso

O Hospital das Clínicas ainda tem a possibilidade de recorrer da decisão. Em sua defesa, a Procuradoria-Geral do Estado alegou que não houve falha dos profissionais e que todas as condutas seguiram os protocolos.

“Os agentes de saúde conduziram todo o atendimento prestado no âmbito do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP com a maior diligência possível”, afirmou o procurador Cláudio Cabral de Melo.

“Não havendo qualquer conduta equivocada, inexiste culpa”, disse o procurador, ao sustentar que a paciente recebeu o tratamento mais avançado disponível para uma doença considerada complexa e grave.

1 comentário
  1. Maria Helena Primon
    Maria Helena Primon

    Bebê não é masculino? Por que ” bebê morta” ?

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.