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Saúde

Especialistas alertam para riscos do uso de Cannabis durante a gravidez

Nos EUA, mulheres têm utilizado a substância para aliviar náuseas, mas tratamento aumenta risco de parto prematuro

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Pesquisas apontam que o uso de cannabis medicinal na gravidez pode trazer riscos ao feto | Foto: Reprodução/Pixabay

O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas orienta que mulheres grávidas, lactantes ou que planejam engravidar recebam forte aconselhamento para evitar o uso de Cannabis. Nos Estados Unidos, o consumo da substância por gestantes tem apresentado crescimento nos últimos anos, sendo frequentemente utilizado para tentar aliviar sintomas como náuseas.

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No entanto, a instituição médica reforçou que estudos recentes conectam o uso da droga ao parto prematuro. Responsável pela elaboração da orientação, a dra. Melissa Russo explicou ao jornal The New York Times: “Os pacientes geralmente usam Cannabis para ajudar com algum tipo de doença médica, não para fins recreativos”.

Falta de comprovação de benefícios da cannabis

Segundo Melissa, não existem pesquisas que comprovem benefícios do uso de Cannabis para grávidas ou lactantes, “e pesquisas agora mostram que há potenciais efeitos adversos”.

De acordo com o The New York Times, uma análise baseada em 51 estudos que englobam milhões de gestações mostrou que o uso pré-natal de Cannabis quase duplica casos de baixo peso ao nascer.

O uso também aumenta em 50% a incidência de partos prematuros e eleva em 57% o número de bebês pequenos para a idade gestacional. Além disso, surgiram indícios de maior risco de morte neonatal durante ou logo depois do parto.

Especialista em medicina de dependência química, Cara Poland relatou que a exposição à Cannabis antes do nascimento se relaciona a maior risco de déficit de atenção. Outros problemas incluem dificuldade de coordenação motora e aumento nos casos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade em crianças. Ela ainda destacou que “há também algumas evidências de que crianças expostas pré-natalmente podem ter maior probabilidade de desenvolver ansiedade e depressão”.

Segundo Cara, o uso socialmente mais aceito da Cannabis tem levado à falsa percepção de que ela é menos arriscada. Contudo, ressalta que o teor de THC (o principal composto da substância) aumentou de três a quatro vezes nas últimas décadas.

“Sabemos que o THC atravessa a placenta e se concentra no tecido fetal, especialmente no cérebro”, diz Cara. “Isso significa que mesmo pequenas quantidades podem representar um risco hoje maior do que antes.”

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