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Saúde

Suspensão da vacina da dengue reforça necessidade de testes mais longos, diz Osmar Terra

Deputado critica estratégia de aguardar imunizante do Butantan em vez de ampliar uso da Qdenga

Lula
O deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) é formado em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro | Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados

O deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) afirmou nesta terça-feira, 9, que a suspensão da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan reforça a necessidade de testes mais prolongados antes da liberação de novos imunizantes. A decisão do Ministério da Saúde envolve a interrupção temporária da aplicação até o desfecho das investigações sobre duas mortes e uma internação ocorridas depois da imunização.

Em entrevista ao Jornal da Oeste Primeira Edição desta terça-feira, 9, o médico e ex-ministro da Cidadania classificou a medida adotada pelo Ministério da Saúde como uma decisão “segura” e defendeu o uso de vacinas já disponíveis enquanto novos produtos passam por avaliações adicionais.

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A suspensão foi anunciada pela pasta como medida de precaução, enquanto são investigados eventos adversos graves registrados em pessoas que receberam o imunizante do Butantan. Segundo a pasta, ainda não há comprovação de relação causal entre a vacina e os casos sob análise.

Segundo Terra, vacinas precisam de um período extenso de testes, porque são aplicadas em pessoas saudáveis. “A vacina tem que ser melhor testada”, afirmou. “Não pode, com pressa de dizer que está fazendo alguma coisa, aplicar uma vacina com pouco tempo de testagem.”

O parlamentar citou a vacina japonesa Qdenga, já utilizada no Brasil, como alternativa que deveria ter sido priorizada pelo governo federal. “O governo devia ter aplicado a Qdenga, comprado a Qdenga até ficar suficientemente testada a vacina do Butantan, que pode ser até superior à Qdenga, mas tem que ter suficientes testes”, declarou.

Ministério deveria ter tido cautela com vacina desde o início, diz Terra

Durante a entrevista, Terra avaliou que a suspensão determinada pelo Ministério da Saúde representa uma cautela que, segundo ele, deveria ter sido adotada desde o início do processo. “Essa é a precaução que faltou”, disse. “O que tinha que ter é aplicado a Qdenga, que é uma vacina testada há seis anos.”

Ao comentar a investigação dos eventos adversos, o deputado afirmou que a análise da relação entre vacinação e aparecimento dos sintomas pode ser feita em prazo relativamente curto. “Nesses 42 casos é coisa rápida, é só ver a causa e o efeito”, declarou.

Vacina Qdenga, da fabricante japonesa Takeda | Fotos: Tony Oliveira/Agência Brasília

Terra também questionou a estratégia do governo Lula de não ampliar a aquisição da vacina japonesa enquanto aguardava o avanço do imunizante nacional. “O Ministério tinha a vacina na mão. Muita gente poderia ter sido salva se tivesse vacinado mais da população.”

Apesar das críticas, o deputado reconheceu o potencial da vacina desenvolvida pelo Butantan. “A possibilidade de ela ser melhor que a Qdenga existe, mas tem que testar, tem que testar mais”, pondera.

Ao longo da entrevista, Terra voltou a fazer comparações com a pandemia de covid-19 e reiterou críticas à rapidez com que vacinas foram desenvolvidas naquele período. Segundo ele, a experiência reforça a importância de avaliações prolongadas, para garantir segurança e eficácia antes da aplicação em larga escala.

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