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Saúde

MPF aponta risco de colapso na saúde de Belém durante a COP30

Segundo relatório do Ministério Público, faltam insumos básicos nos postos de atendimento, como gaze, algodão, luvas e antibióticos

COP30
Segundo o MPF, hospitais e prontos-socorros da capital não estariam preparados para a alta demanda durante o evento | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Com a proximidade da COP30, a conferência climática da ONU prevista para novembro em Belém (PA), o Ministério Público Federal (MPF) alertou para sérios riscos de sobrecarga no sistema de saúde local.

Segundo o MPF, hospitais e prontos-socorros da capital não estariam preparados para a alta demanda durante o evento, que deve reunir mais de 50 mil pessoas.

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Na quinta-feira 2, o órgão enviou recomendações a autoridades municipais, estaduais e federais, pedindo a criação de um hospital de campanha durante a COP30.

A Secretaria Estadual de Saúde do Pará, que inicialmente havia solicitado essa medida, recuou.

“O Estado possui uma ampla rede assistencial preparada para o atendimento no período do evento”, afirmou a secretaria ao MPF.

Investimentos e repasses para reforço do sistema de saúde

O Ministério da Saúde informou que já foram destinados R$ 53 milhões para fortalecer a rede de saúde de Belém com vistas à COP30 e anunciou, nesta sexta-feira, 3, um novo repasse federal de R$ 240 milhões para o Pará.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou investimentos superiores a R$ 100 milhões para a reforma de unidades básicas e emergenciais.

O Ministério Público também contestou a possibilidade de criar uma fila de atendimento separada para participantes da conferência no SUS.

Segundo documento do MPF, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) teria cogitado uma regulação distinta para participantes da COP30.

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“Isso implica que o gringo participante da COP entrará em uma fila de espera de leito, enquanto a empregada doméstica residente no Tapanã [bairro da periferia da capital] se submeterá a outra fila”, afirmou o MPF.

A Secretaria de Saúde do Pará negou que haveria diferenças no tratamento, alegando que a distinção seria apenas “em nível de sistema”, mas não detalhou como funcionaria.

Preparativos para o evento

O ministro da Saúde relatou que nesta sexta-feira, 3, foi realizado um simulado de situações críticas com 300 profissionais da Força Nacional do SUS, do Samu e do Corpo de Bombeiros em Belém.

Outra ação preparatória está prevista para o período do Círio de Nazaré, segundo a pasta.

Belém ainda recebeu cinco ambulâncias novas do Samu e unidades móveis adicionais especificamente para a COP30.

O MPF recomenda ainda aumentar o número de leitos, contratar médicos e enfermeiros temporários, reforçar equipes de socorro — inclusive em barcos — e mobilizar a Força Nacional do SUS em Belém.

O órgão também destaca problemas graves em UPAs e hospitais, conforme relatou o Conselho Regional de Medicina (CRM) ao Ministério da Saúde neste ano.

Faltam insumos básicos na rede de saúde da capital

De acordo com o MPF, faltam insumos básicos, como gaze, algodão, luvas e medicamentos essenciais no Pronto-Socorro Mário Pinotti, principal unidade de emergência da região Norte.

Na UPA Dasac Sacramenta, pacientes com tuberculose e doenças pulmonares não ficam isolados, a recepção está lotada e há escassez de analgésicos e corticoides.

A UPA Icoaraci enfrenta precariedade em equipamentos, falta de medicamentos e dificuldades para transferências com ambulância, segundo o CRM.

O MPF pontua que não há informações sobre cobranças ou penalidades à empresa que administra essas UPAs por parte da prefeitura.

Leia também: “Por que não fazemos uma COP da comida?”, artigo de Antonio Cabrera, publicado na Edição 288 da Revista Oeste

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1 comentário
  1. Luiz fernando Chalet ferreira
    Luiz fernando Chalet ferreira

    É bem irresponsável fazer esse tipo de evento em um local que nunca recebeu assistência pública. E continua a não receber , porque parece que os Trapalhões voltaram . Muito dinheiro correndo solto e logística que seria bom , nenhuma

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