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Edição 43

O que está em jogo no Senado

Silenciosamente, o Congresso vai eleger seu novo presidente. Mas o que isso significa?

No próximo dia 1º de fevereiro, quando todos os holofotes do noticiário político estiverem posicionados à espera do resultado da eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, o Senado da República já terá um novo comandante. Assim mesmo, horas antes, sem grande alarde, sem o alvoroço nem o encanto que a disputa na Casa ao lado provoca — e, sobretudo, sem que o brasileiro compreenda, de fato, o que significa essa escolha.

Três nomes estão na corrida pela chefia do Congresso Nacional: Rodrigo Pacheco (DEM-MG), Simone Tebet (MDB-MS) e Major Olímpio (PSL-SP) — esse último, aparentemente, para marcar posição do chamado grupo Muda Senado, que detém pouco mais de 20 votos, não automáticos, e que, na prática, não mudou nada até agora.

O Senado tem 81 cadeiras e vence a disputa quem alcançar a tal maioria simples. Leia-se: quem atingir 41 votos primeiro; caso nenhum dos parlamentares consiga, há um segundo turno entre os dois mais votados. Como no Senado, ao contrário da Câmara, os votos são rastreados com mais facilidade — seja porque o tamanho das bancadas é significativamente menor, seja porque os senadores falam demais —, é possível afirmar que o duelo real ocorre entre Pacheco e Tebet. Mas tudo vai sendo decidido sem muito barulho.

A pedido de Oeste, o site Ranking dos Políticos, que mira com lupa a atuação dos parlamentares, mapeou como os postulantes ao cargo votaram recentemente.

Fonte: Ranking dos Políticos

Desde 15 de março de 1985, o Senado Federal foi quase sempre chefiado pelo MDB. A Casa teve 17 presidentes após a redemocratização, sendo 14 deles eleitos pela sigla — dois foram interinos: Tião Viana (PT) e Edison Lobão (então no PFL), além da lacuna de fevereiro de 1997 a 2001, quando esteve sob o comando de Antonio Carlos Magalhães, do antigo PFL, que deixou a cicatriz do escândalo da fraude no painel de votação — pontuada pela mais aguda crise já vista no tapete azul entre ACM e Jader Barbalho. Há uma breve intercorrência em 2007, marcada pela renúncia de Renan Calheiros para salvar o mandato, que também ficou para a História. Mas durou só dois meses.

No Senado, a regra era clara até 2019: o partido com a maior bancada elegia o presidente. E a maior bancada sempre foi a do MDB. Mas o que aconteceu em 2019? O MDB era grande o suficiente para catapultar seu nome ao gabinete. Contudo, a maioria escolheu Renan Calheiros, que já havia conduzido o Congresso duas vezes porém estava chamuscado por denúncias e com o carimbo da Lava Jato na testa. Renan insistiu, tentou impor sua candidatura na marra, mas foi derrotado pela força das redes sociais, num rebote do que ocorrera em 2018. O adversário, Davi Alcolumbre (DEM-AP), ganhou a caneta e o público. Depois, derrapou.

Eleito num jogo confuso, Alcolumbre já chegou enrolado ao trono. Citado em investigações da Polícia Federal, pressionado pelo Executivo e, sobretudo, emparedado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sucumbiu. Não é exagero suspeitar que algo deu errado quando os leitores reclamam, por exemplo, que sua gestão foi marcada por engavetar a CPI (comissão parlamentar de inquérito) contra ministros do Supremo, endossar nomeações esquisitas para autarquias e tribunais e querer ajudar a todo mundo.

Um senador custa caro: salário mensal de R$ 33 mil, verba de moradia, passagens aéreas, plano de saúde vitalício para a família e assessores, muitos assessores — Izalci Lucas (PSDB-DF), por exemplo, virou manchete ao nomear 85 auxiliares.

A eleição

Na semana passada, o MDB filiou dois senadores para que não restem dúvidas de sua musculatura: com a chegada de Rose de Freitas (ES) e Veneziano Vital do Rêgo (PB), são 15 integrantes. Para refrescar a imagem do sectarismo e de que não representa os corredores de ontem, o MDB indicou a senadora Simone Tebet ao posto, ela preterida em 2019 quando Renan Calheiros (AL) tentou voltar a dar as cartas.

Simone é filha de Ramez Tebet, um dos raros nomes que não se sentaram na cadeira para ser um José Sarney. Fragilizado por um câncer no esôfago, ele deixava o hospital para discursar no plenário à tarde. Pai e filha presidiram a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) com esmero. Ela larga com uma margem de 23 votos — o PSDB de Tasso Jereissati, Mara Gabrilli e José Serra votará majoritariamente nela.

“Ou nós entendemos que independência significa harmonia, ou nós vamos desconstruir este país. Nós temos agora que pensar em conjunto com o Executivo uma pauta econômica prioritária, urgente, que precisa de uma aprovação mais do que relâmpago dentro daquilo do que for consenso, para que a gente possa retomar o desenvolvimento”, diz Tebet.

“É preciso coragem para romper essa maléfica estrutura que só prejudica a população. Não estou dizendo que os outros não vão fazer, estou dizendo que eu tenho condição moral e coragem para enfrentar uma demanda dessa natureza”, afirma Major Olímpio.

Do outro lado da guia está Rodrigo Pacheco. Advogado, ex-deputado e (acredite) ex-MDB. Segundo auxiliares, detém 33 votos na saída. Não há ciência política capaz de explicar como ele pode ser o candidato do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), do Palácio do Planalto, do ex-MDB e do PT na mesma ciranda — além de PSD, Republicanos, Pros, PDT e PSC. Procurado pela Revista Oeste, Pacheco disse que não falará até que seu nome seja oficializado.

É muito difícil de entender. Mas a resposta à pergunta que baliza este texto talvez esteja no artigo 52 da Constituição. Porque é só para isso que o Senado, aparentemente, serve.

Compete privativamente ao Senado Federal:

        I –  processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles;

        II –  processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade;

        III –  aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pública, a escolha de:

        a)  magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição;
        b)  Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da República;
        c)  Governador de Território;
        d)  presidente e diretores do Banco Central;
        e)  Procurador-Geral da República;
        f)  titulares de outros cargos que a lei determinar.

 

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12 comentários
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    Será que um dia veremos algum político defender o voto facultativo?

    1. Helga Dias Pinto De Campos Vasconcelos
      Helga Dias Pinto De Campos Vasconcelos

      Só se partir do povo infelizmente…
      Estamos perdidos…

  6. normando costantini
    normando costantini

    O povo quer é tirar alguns do STF que não trabalham para o bem do pais,quer que votem reformas para melhorar a vida das pessoas,mas os politicos são alheios a tudo ,pensam somente nas vantagens que podem ter.Enquanto esses mau elementos forem votados,o povo que votar,terá as consequencias em cima de si,até aprenderem

  7. Estevao Peric
    Estevao Peric

    A realidade é uma só, não vão deixar o executivo governar, mas acredito no nosso Presidente.

  8. Maria Elcira Di Napoli
    Maria Elcira Di Napoli

    Mais do mesmo. Sem esperança.Estamos ferrados.

  9. Antoniel Souza Ribeiro da Silva Junior
    Antoniel Souza Ribeiro da Silva Junior

    Pelo ranking nenhum dos três é muito a favor da liberdade de expressão, já que são a favor da tal lei das fake News que na prática quer nos censurar. Serão outros Alcolumbres. Triste Brasil que elege este povo.

    1. Ana P O Almeida
      Ana P O Almeida

      Mais uma vez candidatos com a mesma velha política, Pacheco se reúne com a ministra Carmem Lúcia, o que será que conversaram??? Tebet não é confiável, é aliada de Aécio Neves, Major Olimpio não merece comentários. Revoltante….

  10. Renato Rego
    Renato Rego

    Se nao me engano, em 1993 a 1995, o senado era presidido por Humberto Lucena do PFL

  11. Paulo Antonio Neder
    Paulo Antonio Neder

    Nenhum a favor do voto facultativo. Que coincidência! Por quê será?

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