Em Brasília, neste 1º de junho, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Herman Benjamin, abriu um fórum destinado a discutir ética na magistratura. Estavam na plateia o presidente do STF, Edson Fachin, que recentemente colocou em pauta a discussão de um código de conduta para seus pares, e a ministra Cármen Lúcia, relatora da proposta. Pouco interessado nesse assunto, Alexandre de Moraes preferiu atravessar o Atlântico para participar da 14ª edição do Gilmarpalooza. Organizado pelo decano da Corte, Gilmar Mendes, o evento reuniu ministros do governo Lula, políticos e empresários interessados em causas que tramitam no STF.
Oficialmente, o encontro em Portugal dedicou-se a discutir “soberania digital” e “enfrentamento do tecnofeudalismo” — seja lá o que isso signifique. Na prática, os debates se concentraram na “regulação das redes sociais” — pode chamar de censura que essa expressão atende —, no “combate à desinformação” e em mecanismos oficiais de controle da inteligência artificial.
O que realmente interessa aos participantes do Gilmarpalooza acontece longe dos microfones, numa programação paralela que movimenta a capital portuguesa durante três dias. Na reportagem de capa desta edição, Cristyan Costa, enviado especial de Oeste, mostra como funcionam encontros, jantares e happy hours em que empresários, lobistas, dirigentes partidários, banqueiros, advogados e magistrados tratam dos próprios interesses em conversas ao pé do ouvido.
Embora alguns envolvidos no escândalo do Master estivessem presentes no Gilmarpalooza — entre eles Moraes e sua mulher, Viviane Barci —, não houve uma única menção pública à maior fraude bancária da história do país. Na reportagem de Uiliam Grizafis, os leitores entenderão claramente o que Daniel Vorcaro fez para turbinar — e depois quebrar — a instituição financeira e como esse caso afeta a vida de todos os brasileiros.
Para tentar estancar a sangria do eleitorado, Lula continua fingindo que nada tem a ver com mais um caso de corrupção e tráfico de influência. Entre comparações com Tiradentes — detalhadas na coluna de Augusto Nunes —, falatórios e declarações mentirosas, o presidente e seu partido fingem abraçar causas que nunca lhes despertaram qualquer interesse. “Nos últimos anos, Lula e o PT deram passos claudicantes na tentativa de se associar não somente ao verde e amarelo, mas ao conceito mais abrangente de patriotismo”, observa Eliziário Goulart Rocha.
O roteiro inclui o surradíssimo apelo à “defesa da soberania” e ataques ao grande satã ianque, no momento representado por Donald Trump. Como relata Rodrigo Constantino, “em um só dia, Lula disse que não tem medo dos Estados Unidos, afirmou que o Brasil não pode aceitar o tratamento dado pelo governo americano, declarou que Trump não é ‘o imperador do mundo’” e qualificou o secretário de Estado Marco Rubio de “latino-americano frustrado”, fora o resto.
Adalberto Piotto afirma que, se pensasse no Brasil, Lula trataria de negociar e resolver os problemas nacionais, em vez de perder tempo com desafios a Trump. “Lula só se interessa por ele e trata o país como um palco para sua reeleição”, resume. Eugênio Esber emenda: além de um acordo comercial, Trump “deseja ter a maior potência latino-americana como um aliado geopolítico”. Mas Lula só pensa em Lula.
Prova disso é que, a poucos quilômetros do palácio onde mora o autodeclarado “pai dos pobres”, uma quantidade imensa de brasileiros mal consegue alimentar-se. No entorno da capital federal, 200 mil pessoas sobrevivem sem esgoto e água tratada, aterrorizadas pela violência, pelo tráfico de drogas e pela expansão das facções criminosas. Ao repórter Artur Piva, moradores contaram que o poder público só aparece por ali a cada quatro anos, em campanha eleitoral.
Por falar nisso, preste atenção ao recado de Alexandre Garcia em sua coluna: o voto ainda é a forma mais eficaz de combater o crime, a falta de infraestrutura básica e, claro, a corrupção.
Boa leitura.
Branca Nunes
Diretora de Redação

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Esse Brasil está com a maior facção criminosa do mundo, Lula
Mendes é doente.
O “velho lambão” do STF continua fazendo as viagens em Portugal para que os presentes derramem aquele papo de controlar as mídias sociais. Trocando em miúdos: para eles, tudo; para nós, calar a boca. Somos pacíficos, mas não podemos mais ser passivos.