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Edição 324

Carta ao Leitor — Edição 324

O fim da escala 6×1 e a política externa fracassada do governo federal estão entre os destaques desta edição

Nos últimos cinco anos, Oeste foi uma voz quase sempre solitária na denúncia de arbitrariedades cometidas por Alexandre de Moraes, que ocorrem de forma acelerada desde a instauração do Inquérito 4.781, também conhecido como Inquérito do Fim do Mundo. Numa reportagem de capa publicada em março de 2022, por exemplo, J.R. Guzzo afirmou que o ministro, então também presidente do TSE, usava ostensivamente o “combate às fake news” para interferir nos rumos da campanha eleitoral. Em outubro daquele ano, o título ao lado da foto de Moraes anunciava A nova cara da censura”. Títulos semelhantes foram estampados em muitas outras capas sobre o avanço do arbítrio: “A negação da Justiça”, “Vergonha”, “Abuso”, “Fora da lei”, “Lama na toga”, “Mancha eterna”, entre outros.

Neste longo período, uma imensidão de veículos de comunicação se recusou a enxergar os fatos. Primeiro, justificou-se a tirania com a necessidade da “derrota do bolsonarismo”. Depois, essa subespécie de imprensa alegou que a democracia precisava defender-se de um golpe que nunca existiu. Em seguida, normalizaram-se as acusações de fake news, a prisão de deputados “extremistas” — leia-se: de direita —, o bloqueio de redes sociais, a aprovação pelo Supremo de projetos derrotados no Congresso, fora o resto.

A paisagem mudou no dia seguinte à condenação de Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão. Missão cumprida, a imprensa velha decretou que chegara a hora de “acabar com as excepcionalidades do STF e voltar à normalidade institucional”. Já era tarde. Agora, como mostra Adalberto Piotto na reportagem de capa desta edição, uma série de decisões tomadas por várias cortes internacionais escancara os abusos cometidos pelo Judiciário brasileiro com a cumplicidade do Executivo e a omissão do Congresso. Na mais recente, a Corte di Cassazione, o STF italiano, anulou a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, exigida pelo governo brasileiro, e determinou sua imediata soltura. 

Ansioso por melhorar a própria imagem (pelo menos em terras nacionais), Lula tem se empenhado notavelmente em piorar o Brasil. O fim da escala 6×1 é mais uma prova. Votada a toque de caixa, quase na metade do ano eleitoral, a medida promete mais descanso, mas ignora os riscos dessa aventura: inflação, desemprego, informalidade e fechamento de pequenos negócios, por exemplo. A reportagem de Sarah Peres explica por que produtos e serviços ficarão mais caros, as contratações vão diminuir, a informalidade aumentará, a automação será ampliada e os trabalhadores com baixa renda serão novamente os mais prejudicados.

Marina Helena mostra que tal iniciativa não passa de “um tipo especial de ilusionismo político que consiste em chamar de direito aquilo que é, na prática, um custo”. Na visão de Rodrigo Constantino, “a esquerda preparou uma armadilha em ano eleitoral, e boa parte da oposição se viu numa sinuca de bico e acabou votando junto com o PT, para não ser acusada de ‘inimiga do trabalhador’”.

A liberdade de expressão também está sob ameaça. A reportagem de Cristyan Costa aponta os sinais de avanço da censura em frentes distintas. Além de iniciativas do STF e do TSE, “o governo Lula também passou a criar mecanismos administrativos voltados diretamente ao controle do que se publica online”.

Com o monitoramento do que aparece nas redes, o governo espera, em vão, impedir que seja escancarada a incompetência que marcou os últimos quatro anos em todas as áreas — inclusive na política externa. A inépcia do Itamaraty de Celso Amorim conseguiu transformar os irmãos Batista em diplomatas temporários. “Desde o início do terceiro governo Lula, Joesley Batista passou a atuar como interlocutor frequente entre Brasília e Washington”, afirma Yasmin Alencar ao descrever a estrutura do lobby montada pela dupla nos Estados Unidos.

Irmãos Batista, corrupção, Celso Amorim, Lula, PT. “Como é possível que depois do Mensalão, Lula tenha sido reeleito?”, pergunta Alexandre Garcia. “Como é possível que depois do Petrolão (ou Lava Jato), tenha sido eleito pela terceira vez? Aparece um contrato de R$ 129 milhões com a família de um ministro do Supremo, aportes de R$ 35 milhões num resort de outro e a vida continua.” É hora de dar um basta a esse infindável déjà-vu.

Boa leitura.

Branca Nunes
Diretora de Redação

Capa da Revista Oeste, edição 234. Luiz Inácio Lula da Silva e Alexandre de Moraes | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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3 comentários
  1. Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva
    Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva

    Um primor de revista.
    Parabéns a todos.

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