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Foto: Montagem Revista Oeste/IA
Edição 321

Vermelhos contra Azuis

Nunca houve um regime socialista ou comunista que não fosse uma ditadura, nem um grande líder socialista ou comunista que não tivesse ficado rico no exercício do poder

Socialismo é uma combinação de duas coisas: um sistema político totalitário e um sistema econômico baseado em estatização e no fim da propriedade privada. Para todos os efeitos práticos, socialismo e comunismo são sinônimos. A justificativa para a implantação do socialismo é eliminar as diferenças de renda e patrimônio entre as pessoas. A expressão usada é “redução da desigualdade”. Os socialistas buscam realizar uma “justiça social”, vagamente definida como um estado de coisas perfeito, no qual todos viverão nas mesmas condições e não haverá oprimidos ou opressores. Essa é uma visão religiosa de um paraíso terrestre.

Nos países socialistas/comunistas, um grupo de burocratas estatais controla as vidas de milhões de pessoas, determinando o que deve ser produzido, quem pode consumir a produção e o tipo de liberdade que pode ser exercida. A realidade dos sistemas socialistas/comunistas é de opressão, mediocridade e escassez para a maioria da população (nesse sentido, pode-se dizer que a “desigualdade” foi eliminada, pois estão todos iguais na pobreza) e de luxo e opulência para os burocratas que controlam o Estado (na União Soviética, esses burocratas eram conhecidos como nomenklatura).

Nunca houve um regime socialista ou comunista que não fosse uma ditadura. Nunca houve um grande líder socialista ou comunista que não tivesse ficado rico no exercício do poder.

“Capitalismo” é um termo criado pelo socialista Louis Blanc, usado para atacar o sistema econômico de livre mercado e de trocas voluntárias. O incauto compara o “social” de socialismo com o “capital” de capitalismo e conclui que o socialismo é a melhor opção. Depois paga caro por esse erro.

Louis Blanc, jornalista, político e historiador francês. Foi membro do Governo Provisório em 1848 | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Foi o sistema “capitalista” de livre mercado que retirou a maioria da humanidade da pobreza extrema através da Revolução Industrial, um processo de transformação mundial que começou na Inglaterra em 1760. Enquanto os ingleses inventavam máquinas e novas formas de fabricar coisas mais rápido e barato, os franceses se matavam em nome da igualdade na Revolução Francesa e depois espalhavam morte e destruição por toda a Europa através das guerras do imperador Napoleão (sim, a parte final da Revolução Francesa foi aclamar um imperador). Finalmente, em 1815, as duas revoluções se enfrentaram em Waterloo e Napoleão foi derrotado. A monarquia francesa seria restaurada e a França ainda veria muitas revoluções em 1830, 1848 e 1871. A Revolução Francesa seguiria servindo de inspiração para novas revoluções na Rússia, na China e em Cuba.

Um episódio na Batalha de Waterloo. Ilustração em aquarela vintage | Foto: Shutterstock

Nesse meio tempo, surge o marxismo, uma doutrina socialista criada por um alemão mesquinho e ególatra, que misturava ressentimento contra os ricos com ignorância dos fundamentos da economia. As ideias centrais do marxismo são a luta de classes (o conflito de pobres contra ricos é o motor da história), o materialismo (Deus não existe e religiões são ilusões), o determinismo (as ideias de uma pessoa são as ideias de sua classe) e a fé na revolução violenta como único caminho para implantar a justiça social. Marx dependeu da mesada de um amigo rico a vida inteira, esbanjou a fortuna herdada pela mulher e morreu na miséria, depois de engravidar a empregada da família e abandonar a criança. Duas de suas filhas adultas se suicidaram.

O marxismo pode ser descrito como um meme, segundo a definição do biólogo Richard Dawkins: um vírus mental, uma ideia parasita que pula de uma mente para outra. Apesar de ser uma mentira evidente, o socialismo se recusa a morrer. Há pelo menos duas explicações para isso.

Primeiro, como o socialismo concentra poder e riqueza no Estado, as políticas socialistas agradam à maioria dos políticos. Isso acontece inclusive com a maioria dos políticos “de direita”, que muitas vezes nem conseguem perceber o caráter socialista das medidas que aprovam. O Brasil está cheio desses políticos.

karl marx - wikimedia
Karl Marx. Marxismo, uma doutrina socialista criada por um alemão mesquinho e ególatra | Foto: Reprodução/Wikimedia

A segunda razão é a eficiência da propaganda socialista, que conta com o apoio da maioria dos professores universitários, intelectuais e artistas.

A ideologia socialista é, ao mesmo tempo, uma religião e a principal forma de ganho econômico de muitos militantes. Política não é um assunto tratado por socialistas no seu tempo livre. Para eles, política é a razão da existência.

Retire a militância da maioria dos socialistas e pouco restará em sua vida. Os cargos que ocupam, as profissões que exercem, as remunerações que recebem, as entrevistas que eles dão, os convites para participar de programas de TV e podcasts, os prêmios, os livros que conseguem publicar, as honrarias, bolsas e financiamentos com que são contemplados, tudo isso está estritamente ligado à militância. Por isso, socialistas são militantes 24 horas por dia e não deixam passar nenhuma oportunidade de empurrar suas pautas.

A sobrevivência deles depende disso. Por isso, na conversa no metrô, na reunião de condomínio, dando aula no ensino fundamental, orientando uma tese de doutorado, em qualquer momento e lugar, os esquerdistas estão sempre em atividade. Eles seguem a orientação do guru Saul Alinsky: a questão nunca é a questão, a questão é sempre o poder.

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4 comentários
  1. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    É meter bala nesses ladrões e tá acabado, o socialismo é uma enganação mas só tá se sabendo disso hoje e são as pessoas que pensam e fazem reflexão. Pra isso tem que ler e pesquisar porque a maioria vive na ignorância. E hoje tá muito mais fácil, todo mundo seja ele jumento ou não tem um inteligência artificial na mão, tudo que quiser sabe só é meter o dedo na tela que é o complemento do seu cérebro

  2. Francisco de Assis Bonfati
    Francisco de Assis Bonfati

    Esta frase ficará gravada para sempre em minha memória: Nunca houve um regime socialista ou comunista que não fosse uma ditadura. Nunca houve um grande líder socialista ou comunista que não tivesse ficado rico no exercício do poder.

  3. Eudes
    Eudes

    Cumprimento o Mota por este texto apresentado de forma clara e contundente. O conteúdo histórico apresentado de maneira cristalna, veridica, evidenciando grandes percalços ocorridos em nossa civilização ocidental, que ainda persiste.

  4. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Perfeito. Caro Motta, lúcido como sempre, preciso na sua análise como engenheiro que é, apreciei principalmente sua “radiografia” da Revolução Francesa, essa coisa abominável que, ainda nos antigos tempos quando eu era uma criança, era enaltecida até em salas da aula. A Revolução Francesa, essa coisa abjeta que, no meu ponto de vista, é a efetiva semente do comunismo/socialismo. Nada mais característico de uma luta de classes como ela. Aliás, “en passant”, a França sempre fez merda. Só acertou, com os seus cientistas, sempre errou com suas políticas. Abraços.

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